Crítica | Atividade Paranormal 3
Embora não conte mais com com o elemento de novidade do primeiro filme, o que com certeza reduz seu impacto, este Atividade Paranormal 3 é uma evolução evidente da saga iniciada em 2007 e, em termos gerais, é absolutamente superior ao fraco episódio 2. Desta vez, seguindo a linha das prequels que tanto tem assolado o cinema americano, a trama é passada no ano de 1988, mostrando os fatos que aconteceram com a família das irmãs Katie e Kristi, e que (supostamente, como falarei depois) tiveram influência direta nos eventos ocorridos nos dias atuais.
A partir de duas cenas – que trazem de volta as atrizes Katie Featherson e Sprague Grayden – que contextualizam a existência das diversas fitas que veremos ao longo do filme, a trama é logo deslocada para os anos 80, quando encontramos as irmãs morando com a mãe (Lauren Bittner, com um penteado que me lembrava de Zoe Deschanel todo o tempo) e o padrasto para a casa nova. Como é de se imaginar, estranhos fenômenos começam a ocorrer na casa, desencadeados a partir do momento em que a pequena Kristi (Jessica Tyler Brown) passa a conversar com seu amigo imaginário Toby.
Assim como nos filmes anteriores, o padrasto (Christopher Nicholas Smith) resolve instalar algumas câmeras pela casa na tentativa de captar quaisquer situações estranhas que venham a ocorrer. Inicialmente filmando situações corriqueiras – que vão desde o casal dividindo um baseado (uma das inúmeras referências a Poltergeist existentes no filme) até uma insuspeita cena de sexo – não demora em que as câmeras comecem a captar estranhos sons e movimentos pela casa. Por conta da própria estrutura da série, é preciso ter uma certa boa vontade em acreditar que sempre há alguém especialista em edição e filmagem disponível nestas horas. Aqui, além do padrasto, há ainda o colega Randy (Dustin Ingram), que participa da sequência envolvendo a lenda de Bloody Mary, uma das mais tensas do filme.
Construindo o suspense aos poucos, os diretores Henry Joost e Ariel Schulman mostram que aprenderam a trabalhar de maneira exemplar os cânones da série, inovando ainda com algumas soluções visuais extremamente interessantes, como a câmera da sala que fica instalada sobre a base de um ventilador, simulando o efeito de uma panorâmica, indo e voltando entre a cozinha e a sala. É esta câmera, por sinal, a responsável por alguns dos melhores sustos (e são muitos) do longa, pois permite que o espectador ‘desvie’ o olhar e retorne no momento certo para o choque planejado com eficiência pelos diretores.
Estruturado de forma mais dinâmica que os anteriores, com a inserção movimentos de câmera mais próximos de filmes como REC e Cloverfield, o filme define de forma clara a relação das irmãs com os espíritos (Kristi funciona como mensageira, enquanto Katie sofre com as ações malignas dos mesmos) e a incredulidade da mãe frente a fatos que não consegue explicar. Embora tenha uma conclusão extremamente assustadora (tirada diretamente de A Bruxa de Blair), a solução encontrada pelos roteiristas deixa muito mais perguntas do que respostas e parece não ter a menor relação com os eventos vindouros.
E, claro, a pergunta que não quer calar: por que ninguém acende a luz da casa quando procura seus filhos desaparecidos no meio da noite?
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10 / 27 / 2011 15:03
Olá Marcio,
Muito prazer, sou um amante por cinema, publicitário e fotógrafo nas horas vagas. Quem me passou o seu blog foi minha namorada Norma, que por sinal, escuta todas as quintas-feira vc falando sobre cinema na 91 Rock, li agora sobre a sua crítica sobre o Atividade e queria resaltar que achei também o final muito Bruxa de Blair, até porque não é explicado o porque do “Toby” assombrar a família e também daquela seita. Creio que haverá o 4º filme explicando tudo isso não é!?
Aquela câmera que fica girando, ficou sem dúvida fantástico. Pois as cenas aconteciam (é claro) na hora em que ela virava, ou seja, provavelmente foi dificil fazer uma filmagem destas com a camera em movimento com todas as posições de enquadramento. Portanto, fica aqui minhas considerações do filme, que no qual achei muito bom, porém pior que os dois últimos.
As cenas de sustos certamente foi perfeito, aquela da cozinha foi realmente surpeendente, não esperava despencar lá de cima todas aquelas coisas (até a mesa), como também aquela do lençol. pra mim as melhores partes ocorreram na cozinha. (não podemos deixar de comentar sobre aquele puxão de cabelo que também assustou!)
E eu também me pergunto, porque não acender a luz quando está procurando alguém no escuro?
Um grande abraço!!
Djalma Dissenha
10 / 27 / 2011 18:23
Oi Djalma, obrigado pela mensagem.
Então, me pareceu que os diretores tentaram dinamizar um pouco mais o ritmo do filme, visto que o clímax tanto do primeiro como do segundo envolviam as câmeras fixas. Essa mudança na linguagem me lembrou tanto A Bruxa de Blair, mas principalmente REC. Totalmente sem lógica, claro: vc está em casa, sua mulher morreu e suas filhas sumiram, vc jamais irá ficar com a câmera ligada registrando tudo, mas vale do ponto de vista dramático.
Do ponto de vista da trilogia, achei beeeeem melhor que o segundo. O primeiro tem a questão do ineditismo, mas achei que esse buscou soluções diferenciadas para não ficar naquele mais do mesmo de sempre. E em termos de sustos, ele é muito bom.
Como eles vão continuar a saga será no mínimo curioso. É provável que eles usem aquele recurso manjado de as meninas não se lembrarem do que aconteceu e contarem outra história, desta vez com elas adolescentes. Vai saber !
Um grande abraço ! Falando em filmes de terror, vc já viu O Orfanato ?
10 / 27 / 2011 21:50
Olá Márcio,
Certamente quando surgir o novo Atividade 4, os cinenmas vão lotar, independente da crítica negativa que teve este, (pelo o que eu vi e li), pq como ainda não foi “desvendado” o que/quem esta por tras, as pessoas vão querer saber, e vão estar lá na primeira fila pra saber isto.
Com relação ao O Orfanato, ainda não o vi. Mas pelo que já pesquisei sobre, parece ser muito bom mesmo. Irei assistí-lo neste final de semana e lhe digo após o que achei! Mas e você, o que pode me dizer do filme?
Mas posso falar algo do REC, um dos filmes que achei muito interessante e que gostei bastante, pois o jeito que é filmado 1º me impactou bastante!! os sustos tb ocorrem, mas o suspense é forte nele. Já o 2º achei meio que viagem do diretor em ter aquelas trocas de cenário quando é apagado a luz, ficou um pouco estranho asquilo, mas achei bacana o fato de ter não somente 1 câmera e sim mais outras espalhadas pelas armas dos policiais.
Você gosta mais do que? Terror?
Um abraço!
10 / 27 / 2011 22:26
Oi Djalma.
Sabe que esse filme nem teve críticas ruins assim. Sempre que eu quero saber como um filme está indo lá fora, acesso o site http://www.rottentomatoes.com, que é uma espécie de base de dados de todas as críticas publicadas nos Eua. Este último estava com 70% de críticas positivas.
O Orfanato é produzido pelo Guillermo Del Toro, que fez O Labirinto do Fauno, Hellboy e A Espinha do Diabo. É uma produção espanhola (que tem feito os melhores filmes de terror ultimamente) que tem um clima muito parecido com Os Outros (embora a história não tenha nada a ver), ou seja, quase zero de efeitos especiais e tudo muito sugerido, por meio de sons, sombras e clima. Eu considero um dos melhores filmes de tema sobrenatural que eu já vi.
O primeiro REC é assustador. Esse lance de câmera na mão, quando bem utilizado, é excelente. Eu, por exemplo, acho a Bruxa de Blair excelente, assim como Cloverfield, na mesma linha ! No segundo REC os caras não sabiam o que estavam fazendo. Está pra sair um REC 3, meio que contando as origens do mal (outra prequel). Vamos ver.
Ah, eu curto um terror, daqueles bem trash mesmo, filme de zumbi, possessão, serial killer, essas coisas. Mas vejo de tudo que aparece, não dá pra ter preconceito nessas horas.
Falando em filme espanhol, até comentei na rádio esses dias, tem um de viagem no tempo chamado Los Cronocrímenes (http://www.imdb.com/title/tt0480669/) que é sensacional. Tem que baixar pra ver, não saiu aqui no Brasil. Se puder, assista.
Um abraço !!
3 / 29 / 2012 15:46
oi, gostei do filme, mas não da pra deixar de lado o número de cenas (cenas perfeitas que nos fariam pular da cadeira) que foram cortadas. Além do mais, pelo que pude entender aquela ceita foi o pacto que a vó da Kate e da Kristi fez e que depois foi pago levando o Hunter. To esperando o 4.