Review | Dexter 6×12 : This Is the Way the World Ends

OBITUÁRIO

Temos aqui a triste função de informar a todos o falecimento precoce da bem-sucedida série Dexter, do canal Showtime, assassinada a sangue-frio por Manny Coto e sua gangue mal-intencionada.

A morte de Dexter, na verdade, já vem estava sendo planejada desde o ano passado, quando Coto e seus colegas resolveram arrumar uma sidekick sem sal para Dexter, interpretada pela também sem sal Julia Stiles.

Mas isso não era o suficiente. Decididos a destruir de vez a série, mas fazendo isso de modo que mesmo os espectadores mais atentos não percebessem, Coto e seus colegas até começaram esta última temporada de forma interessante.

A temática dos assassinos do apocalipse e os questionamentos de Dexter sobre a possibilidade de redenção chegou realmente a enganar os menos atentos. Ao longo dos episódios, porém, a intenção dos assassinos foi sendo revelada. Primeiro, tentaram enganar o público induzindo a meia dúzia de pessoas que  não havia visto O Clube da Luta a pensar que o professor Gellar era real.

Depois, criaram uma série de subtramas inúteis para fazer o espectador pensar que havia mais coisa acontecendo na série do que realmente estava. Assim, tivemos as historias chatas e sem finalidade do Quinn em crise, do ciúme do Angel com a irmã fofucha, do estagiário misterioso, da La Guerta bitch, do irmão Sam (cuja utilidade para essa temporada foi nenhuma) e até do tenente que só entrou na série pelo sistema de cotas. Felizmente, Masuka foi o único a escapar da maldição dos subplots sem utilidade, entregando ainda a melhor interpretação de Yoda dos últimos anos.

Mas isso não foi tudo. Dispostos a colocar a série num patamar digno de Terra Nova, Coto e seus colegas inventaram a psiquiatra mais picareta da televisão mundial, que conseguiu convencer a pobre da Deb (cujo arco dentro da temporada até estava indo bem) que ela, no fundo, sempre foi apaixonada pelo seu irmão. E quando dizemos apaixonada, é no sentido bíblico mesmo. Ah, dirão os mais complacentes, mas eles são irmãos de criação! Certo, isso torna tudo bem menos doentio, com certeza.

Por fim, para fechar a trama de extermínio de Dexter com chave de ouro, tivemos o último episódio, que contou, de uma só tacada, com mais situações furadas e forçadas de barra de roteiro que nos últimos seis anos de série. Vamos lá então. Dexter é salvo por um barquinho convenientemente chamado Milagro. Logo depois, ele resolve enfiar enfiar o arpão em um mau-caráter na frente de pelo menos uma dúzia de testemunhas (ah, mas eles não falam inglês, então está perdoado). Pela primeira vez em 6 anos de série, a equipe do distrito não entra na casa porque está esperando Dexter (uma pessoa, que como todos sabem, está sempre no horário). E, melhor de tudo, ninguém escuta quando ele marreta a parede para apagar seu rosto da obra-prima de Travis.

Ufa. Vamos tomar um fôlego. É uma história muito triste para se contar de uma vez só. Ah,sim, mesmo sabendo que Travis havia pego sua carteira, seu celular e seu barco, em nenhum momento Dexter pensou que talvez Travis fosse atrás dele, certo?  E que escola é essa que deixa as crianças irem embora com qualquer um fantasiado de leão? E que estratégia é essa de deixar os policiais sozinhos no alto dos prédios esperando um assassino que já matara umas 10 pessoas? E por que diabos (ops) Dexter resolveu matar Travis justamente na crime scene mais famosa de Miami, sabendo que qualquer pessoa poderia aparecer ali a qualquer momento? E por que diabos (ops, again) você resolver assumir a sua relação incestuosa com seu irmão de criação justamente numa igreja onde aconteceram múltiplos assassinatos? Com disse Dexter, em suas últimas palavras: Oh, my God!

Tudo isso, com certeza, passou pela cabeça de Coto e seus asseclas enquanto preparavam o fim de Dexter. Mas, munidos do mais alto nível de sadismo, preferiram fingir que isso não importava, já que o público cada vez maior do seriado ficaria de cara mesmo com a Deb finalmente descobrindo que seu irmão esquisito é na verdade um assassino esquisito em série.

Se isso vai dar em alguma coisa no ano que vem, isso já não importa. Dexter, como o conhecíamos, já não está entre nós. Está agora no paraíso onde habitam Os Sopranos, A Sete Palmos e Friends. Que ele seja feliz.

Rest in pieces, Dexter.

Sobre o autor
Márcio L Santos

Márcio L Santos

Jornalista, consultor na área de comunicação, critico de cinemas nas horas vagas e cinéfilo desde sempre.

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Comentários
  1. Daniel

    1 / 3 / 2012 10:27

    vc tem toda razao. foi brabo essa temporada! :( Mas um dia a historia tem que acabar mesmo. nao adianta tentar prolongar muito.

    Reply

    • 1 / 3 / 2012 12:12

      E tem mais duas temporadas ainda. Quem sabe eles põem a mão na consciência e voltam ao que Dexter já foi?

      Reply

  2. 12 / 23 / 2011 19:01

    Concordo plenamente. Pelo andar da carruagem, tinha tudo para ser uma das melhores temporadas. Mas aí, como a gente viu, os roteiristas se perderam em soluções picaretas e propostas absurdas (o love da Debra com Dex é o maior deles). Uma pena.O meu medo mesmo é que, com uma virada dessa no último minuto, se eles terão capacidade de fazer algo a altura da 4a, da 1a ou da 3a temporadas.

    Reply

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