Crítica | A Era do Gelo 4

Mesmo com o formato desgastado, saga pré-histórica ainda é um bom divertimento para a família

Dirigido por Steve Martino (de Horton e o Mundo dos Quem) e Mike Thurmeier (pela quarta vez com a franquia da Blue Sky Studios), e com Chris Wedge e o brasileiro Carlos Saldanha na produção executiva, A Era do Gelo 4 mantém o bom humor da saga, mas já apresenta sinais nítidos de desgaste. Apesar do sucesso de bilheteria e dos milhares de fãs pelo mundo, é natural que a fórmula já esteja saturada, como outras animações (e aqui o melhor exemplo é Shrek, excelente até o segundo filme).

Depois de entregar um bebê humano a sua família, escapar do fim da era glacial e de um bando de dinossauros (de longe o roteiro mais nonsense de toda a saga), o mamute Manny, a preguiça Sid e o tigre-dente-de-sabre Diego agora vivem tranquilos com a esposa de Manny, Ellie (infelizmente, sem a boa dublagem de Cláudia Jimenez), e sua filha adolescente Amora. A vida pacata do primeiro ato é brutalmente desfeita quando o atrapalhado esquilo Scrat provoca a Deriva Continental – que já havia sido divulgada na promoção do filme – na eterna busca por sua noz.

Assim, Manny, Sid e Diego são separados dos demais, lançados no oceano com a engraçada avó de Sid (Wanda Sykes, no original) à tiracolo, abandonada pela família de preguiças. A sequência, aliás, é uma das melhores do filme, assim como a maioria das cenas com a vovó.

Em mar aberto, o grupo se depara com o navio-iceberg do Capitão Entranha (dublado por ninguém menos que Peter Dinklage, de Game of Thrones), um orangotango pré-histórico com todos os atributos de um vilão clássico de animação. Com uma tripulação bizarra – que inclui um coelho esquentado, um canguru e uma lontra abobalhada – o destaque não podia deixar de ser a trigresa Shira, com a voz original de Jennifer Lopez.

A química com o solitário Diego é imediata, apesar dos roteiristas não saírem do trivial. Assim, temos uma tigresa que obedece cegamente as ordens do capitão, é abandonada quando o navio afunda, se torna “prisioneira” de Diego, para depois se apaixonar por ele e trair o bando de Entranha.

Em paralelo, Ellie lidera a migração dos animais até um lugar seguro. Nesse núcleo secundário, o destaque é o furão amigo de Amora, Louis, que gosta dela sem ser notado. Os olhares de Louis são os mais expressivos do slots filme, e provocam suspiros no público. Por outro lado, os gambás Crash e Eddie praticamente não aparecem em todo o filme, se limitando a repetir o que já faziam nos longas anteriores. De longe, são o maior desperdício de personagens.

Com um ritmo alternado entre cenas de ação e sequências mais calmas, A Era do Gelo 4 consegue entreter seu público cativo. O final não deixa de ser o esperado, mas nem por isso perde seu mérito. As boas surpresas do último ato incluem a revelação de quem é a “Preciosa” que a vovó preguiça tanto fala, e a aparição final de Scrat, encontrando uma versão de Atlântida para os esquilos.

É uma pena que Saldanha não dirija esta quarta sequência, já que sua criação (simbolizada por Scrat, que não precisa falar para fazer rir) será sempre lembrada no universo das animações. Felizmente, para encerrar, a música final não é dublada, e podemos ouvir Queen Latifah e Jennifer Lopez embalando a dança dos personagens!

PS: Os ursinhos fofinhos do segundo ato têm a mesma função dos Ewoks em O Retorno de Jedi. Há quem goste e quem deteste.

PS2: O 3D não faz muita diferença, apesar de ser o segundo filme da saga a utilizá-lo. Uma pena.

 

Ice Age: Continental Drift

EUA – 2012

Filme – 94 minutos

Direção: Steve Martino e Mike Thurmeier

Roteiro: Michael Berg e Jason Fuchs

Elenco: Ray Romano, Denis Leary, John Leguizamo, Queen Latifah, Jennifer Lopez e Peter Dinklage

Dublagem: Diogo Vilela, Márcio Garcia, Tadeu Melo, Carla Pompílio, Andrea Suhett e Jorge Vasconcelos

Sobre o autor
André Nunes

André Nunes

André Nunes é estudante de Jornalismo, cinéfilo em treinamento e nerd desde criança.

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