Crítica | À Beira do Caminho
História entre um caminhoneiro amargurado e um menino a procura do pai funciona, mas traz poucas surpresas
Conhecido por Dois Filhos de Francisco, sucesso de bilheterias sobre a história da dupla Zezé Di Camargo & Luciano, o diretor Breno Silveira chega agora ao seu quarto filme, À Beira do Caminho. Esteticamente agradável e com um bom argumento, o longa é eficiente no que se propõe, mas traz elementos que poderiam ser melhor explorados.
Isso se deve à boa experiência de Silveira com a parte técnica (que vem desde a parceria com Carla Camurati no clássico Carlota Joaquina) e sua recente incursão como diretor. Carregando no melodrama, o roteiro é previsível e não emociona tanto quanto poderia.
Inspirado em canções de Roberto Carlos, como “Sentado à Beira do Caminho”, “A Distância” e “O Portão” (que nos fazem lembrar de O Caminho das Nuvens), À Beira do Caminho conta a história do amargurado caminhoneiro João, vivido com intensidade pelo circense João Miguel, de Xingu.
Envolto em uma tragédia familiar do passado – lembrada em flashes difusos, que serão revelados quase na conclusão – João se depara com o menino Duda (o estreante Vinícius Nascimento) escondido em seu caminhão. Órfão de mãe, o garoto está a procura do pai, que mora em São Paulo.
O roteiro que se segue não traz muitas surpresas: João decide levar o menino até Petrolina, local de sua próxima parada, mas acaba se afeiçoando por ele no caminho e não o deixa para trás. Selecionado em meio a 800 crianças de vários estados, o pequeno Nascimento encanta apenas com o olhar, e desperta um instinto paternal até no mais insensível cidadão.
À Beira do Caminho traz ainda duas participações especiais – que já trabalharam com o diretor em Dois Filhos de Francisco: a talentosa Dira Paes, na pele de Rosa, o primeiro amor de João; e Ângelo Antonio, o suposto pai de Duda. Confesso que não achava Dira Paes bonita até um tempo atrás, mas é incrível como a atriz se transforma em suas personagens, tipicamente brasileiras, com uma beleza cabocla bastante natural. Sua passagem pelo casino online canada filme é curta, mas marcante. Já o personagem de Antonio podia ser melhor empregado, só dando as caras no terceiro ato para uma revelação conveniente para o desfecho.
Vale destacar também as bem empregadas frases de para-choque de caminhão, entrando em cena sempre de acordo com o estado de humor de João naquele então. Assim, temos desde “Para quem não tem nada, metade é o dobro” até a conclusiva “Espere o melhor, prepare-se para o pior e aceite o que vier”. Ah, é impossível não se lembrar da série Carga Pesada no decorrer da exibição!
Longe de ser uma “cilada, Bino!”, o filme vale uma ida ao cinema, para se emocionar com as idas e vindas da estrada da vida, ao som do rei Roberto Carlos. Lembrando também que À Beira do Caminho levou a melhor em cinco categorias, incluindo melhor filme, do 16º Cine PE. Grande vencedor deste ano, o longa faturou também o Troféu Gilberto Freyre, de valorização da identidade nacional.
À Beira do Caminho
Brasil – 2012
Filme – 102 minutos
Direção: Breno Silveira
Roteiro: Patrícia Andrade
Elenco: João Miguel, Dira Paes, Ludmila Rosa, Ângelo Antonio e Vinícius Nascimento




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