Crítica | Django Livre
É fato que os filmes de Quentin Tarantino já podem ser considerados como um gênero específico do cinema contemporâneo. Autor de estilo inigualável, Tarantino cimentou sua carreira com um conhecimento enciclopédico da linguagem do cinema em obras repletas de referências ao universo pop , diálogos afiados, trilha sonora inspirada e repleta de pérolas tanto da soul music como de compositores como Ennio Morricone, roteiros elaborados, personagens coadjuvantes que quase sempre roubam o filme.
Crítica | A Viagem
Não há como negar que A Viagem é um filme ambicioso. A nova obra dos irmão Wachowski, responsáveis pelo primeiro Matrix - e por aquelas continuações descartáveis -, e realizado em parceria com o alemão Tom Tykwer, de Corra, Lola, Corra, é baseado no livro de David Mitchell (que não li), considerado por muitos como infilmável.
Neste ponto, é de se admirar e parabenizar os diretores/roteiristas pela coragem em assumir um desafio de proporções verdadeiramente gigantescas sem aparentar um pingo de apreensão. Por outro lado, fica claro que na tentativa de soar profundo e complexo, A Viagem acaba se revelando um filme simplório em sua filosofia e prejudicado justamente pelo que o marketing vende como seu grande achado: a repetição de seu elenco em diversos papéis ao longo da projeção.
Os 10 Melhores Filmes de 2012
A retrospectiva 2012 do blog A Mosca da Cabeça Branca continua agora com os Melhores Filmes de 2012.
São considerados aqui apenas os filmes lançados comercialmente no Brasil este ano.
Por conta disso, filmes que figurariam nesta lista como Adorável Sonhadora, Amour e até mesmo O Segredo da Cabana ficam fora do páreo.
Confira a lista a seguir, que ainda inclui uma série de menções honrosas que fizeram de 2012 um ano mais que satisfatório para os cinéfilos e público em geral.
Review | Frankenweenie (2012)
É extremamente satisfatório perceber que Tim Burton ainda consegue surpreender.
Preso há uma produção de remakes e refilmagens há mais de uma década, o cineasta tem nos brindado com alguns filmes inspirados (Sweeney Todd, A Noiva Cadáver), mas ao mesmo tempo, entregue uma série de filmes mornos no qual somente sua assinatura visual consegue se destacar, como o horrível Alice no País das Maravilhas e o mediano Sombras da Noite.
Os Piores Filmes de 2012
A retrospectiva 2012 do blog A Mosca da Cabeça Branca começa com a lista dos piores filmes do ano, lançada obviamente antes do dia 21 de dezembro, data na qual provavelmente todos cessaremos nossa existência aqui no planeta.
Dexter – 7ª Temporada | Anatomia de um Desastre
A sétima temporada de Dexter terminou. O que fica destes 12 episódios é a comprovação de que a série como a conhecíamos e apreciávamos definitivamente não existe mais.
Rápidas | Moonrise Kingdom (2012)
O estilo dos filmes de Wes Anderson é tão característico que se torna problemático algumas vezes, pois sua carpintaria visual e estética se torna acaba se tornando mais importante do que o desenvolvimento da narrativa.
Assim, é uma satisfação perceber que Moonrise Kingdom, um filme de Wes Anderson até a medula, consegue ser tão bem sucedido no que se propõe: uma fábula sobre a descoberta do amor, a perda da inocência e as realidades da vida a dois – sem esquecer os elementos mais comuns de sua filmografia (os travellings demorados, os enquadramentos centralizados, os ambientes com um quê de farsescos e os personagens excêntricos).
Embora o elenco adulto esteja, como sempre, afinado (num casting que inclui Bruce Willis, Frances McDormand, Tilda Swinton e, claro, Bill Murray e Jason Schwartzman), quem rouba o filme são os garotos (ambos com menos de 14 anos) Jared Gilman e Kara Hayward , perfeitos como o casal problemático que foge de casa em busca de um lugar para chamar de seu.
Divertido e tocante, Moorinse Kingdom entra fácil na lista de melhores do ano.
Monnrise Kingdom (2012)
Direção: Wes Anderson
Com: Bruce Willis, Frances McDormand, Tilda Swinton e, claro, Bill Murray e Jason Schwartzman
Rápidas | Elefante Branco (2012)
Os conflitos sociais, a manipulação política, o tráfico de drogas, o crime organizado, a miséria e a violência retratados em Elefante Branco, de Pablo Trapero poderiam muito bem estar presentes em qualquer favela de uma grande cidade brasileira.
Mesmo não tão contundente quanto Abutres (2011), o filme é eficiente em sua crítica social ao narrar a história de dois padres (Ricardo Darín e Jeremie Renier) em sua luta para melhorar a qualidade de vida da comunidade favelada.
E mesmo que o roteiro caia em alguns lugares-comuns, a excelência narrativa de Trapero (em que se destaca seus sempre excelentes planos-sequências) e o triste clima de fatalidade valem o filme.
Elefante Blanco (2012)
Direção: Pablo Trapero
Com: Ricardo Darín, Jeremie Renier, Martina Gusmán
Rápidas | Abutres (2010)
Do mesmo diretor de Leonera e do recente Elefante Branco, Abutres conta a história de Sosa (Ricardo Darin, sempre esbanjando competência), um advogado especializado em se aproveitar da ingenuidade de vítimas de acidentes de carro para faturar em cima das indenizações.
Ao conhecer a problemática enfermeira Luján (Martina Gusmán, esposa do diretor), Sosa vê ali uma oportunidade de largar a vida de contravenções e, quem sabe, buscar a redenção.
Como é comum no gênero, porém, sair deste tipo de esquema revela-se mais complicado do que se espera. Com uma narrativa crua e concisa, Trapero abre pouco espaço para a esperança (apresentada de forma efêmera pela sequência em que o casal dança tendo ao fundo uma faixa de ‘felizes’), direcionando o filme a uma conclusão explosiva e com uma cena final ao mesmo tempo irônica e cruel.
Carancho (2010)
Direção: Pablo Trapero
Com: Ricardo Darín, Martina Gusmán
Rápidas | Indomável Sonhadora (2012)
Uma das experiências mais intensas do ano, Indomável Sonhadora marca a estreia em longas metragens do diretor Benh Zeitlin.
O filme mostra a história de Hushpuppy, uma menina de 6 anos que vive com seu pai doente em uma comunidade miserável (chamada de A Banheira) próxima à cidade de Nova Orleans, nos Estados Unidos.
Todo o elenco do filme é formado por atores não profissionais. Com uma fotografia naturalista e um tom documental que investe nos ambientes inóspitos e decadentes, a obra surpreende por se estabelecer como uma belíssima fábula sobre a inocência, a coragem e a imaginação infantil, mas principalmente sobre o amor incondicional entre pai e filha.
Neste caso, a interpretação de Quvenzhané Wallis como Hushpuppy e Dwight Henry como seu pai são fundamentais para o sucesso desta obra, um filme repleto de sutilezas e diferentes leituras capaz de fazer o espectador se emocionar frente a uma história tão simples e ao mesmo tempo tão rica.
Beasts Of The Southern Wild (2012)
Direção: Benh Zeitlin
Com: Quvenzhané Wallis, Dwight Henry






