Crítica: Super 8

Crítica: Super 8

A melhor fase da minha adolescência foi o início dos anos 80. Naquele tempo, graças à dupla George Lucas e Steven Spielberg, você tinha a certeza de que ano sim, outro também, um grande filme chegaria às telas de cinema. Assim foi em 1980, com O Império Contra-Ataca, em 1981 com Caçadores da Arca Perdida, 1982 com E.T, 1983 com o Retorno de Jedi, 1984 com Indiana Jones e o Templo da Perdição e 1985 com De Volta para o Futuro.  Não podemos esquecer ainda de pequenos clássicos como  como Poltergeist (1982) Goonies (1985) e Gremlins (1984), estes dois últimos lançados pela toda poderosa Amblin.

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Conversa de Cinema

Confira o bate-papo de 5a-feira, dia 04 de agosto, no programa 91 Minutos, com este que vos escreve, o Álvaro Borba e o Guilherme Caldas, cartunista. Um conversa muito divertida sobre heróis e super-heróis no cinema, com direito a discussões sobre Homer Simpson, South Park e Scooby-Doo, nossos heróis da TV.

Confira no link abaixo :

DC Comics no cinema: várias pedras no meio do caminho

DC Comics no cinema: várias pedras no meio do caminho

[slideshow]Ontem foi a vez da Marvel. Hoje veremos, em pequenos textos, como tem sido a história dos heróis da DC no cinema nos últimos 40 anos.

É fácil perceber que a DC, ao contrário da Marvel, tem em sua história para o cinema poucos filmes muito bons, e um excesso de filmes que não precisavam ter sido feitos. Preparem-se, para o alto e avante!

Superman (1978). O filme que é o marco para os quadrinhos no cinema. Um filme em que tudo dá certo, desde a direção inspirada de Richard Donner, à música eterna de John Williams, o roteiro de Mario Puzo e, é claro, a escolha do intérprete que será para sempre o rosto do Superman (não importa quantos filmes venham a existir no futuro), nosso saudoso Christopher Revee. Clássico e imperdível. 5/5

Superman II (1980). Filmado simultaneamente com o primeiro, esse filme sofreu com a saída de Richard Donner,que foi substituído às pressas por Richard Lester, que adicionou cenas de comédia pastelão e refilmou diversas sequencias, o que quebra o ritmo do filme. Ainda assim, vale a pena pela ótima batalha do Super contra o General Zod.  4/5

Superman III (1983). Transformaram o que era uma aventura em comédia e trouxeram Richard Pryor para fazer piada. Em resumo, foi o que aconteceu neste filme. Totalmente descaracterizado, Superman luta contra um gênio da informática num filme que consegue ser mais datado que o original de 1978. 2/5

Supergirl (1984). Este faz parte dos filmes que você provavelmente nunca viu. A prima do Superman vem para a Terra e acaba enfrentando uma bruxa (isso mesmo) interpretada por Faye Dunaway, obviamente acertando as contas do aluguel. 2/5

O Monstro do Pântano (1982) e O Retorno do Monstro do Pântano (1989). O primeiro foi dirigido por Wes Craven e tinha o seu charme trash de terrorzão dos anos 80. Já o segundo não tem muita salvação, com o monstro namorando a Heather Locklear e lutando contra criaturas deformadas geradas por um cientista louco. Média geral: 2/5

Batman (1989). O filme-evento da década. Nunca o marketing funcionou tanto para um filme. O maior destaque do filme é claramente o Coringa de Jack Nicholson, que rouba todas as cenas. Michael Keaton está inócuo e Kim Basinger apenas chata. Mesmo a direção de Tim Burton está equivocada e totalmente falha para as cenas de ação. Mas ainda é um bom filme, graças ainda ao visual estilizado e ao clima de filme de gângster dos anos 40. 3/5

Batman: O Retorno (1992). Aqui o jogo muda. Tim Burton ainda não sabia dirigir cenas de ação, mas realiza um filme denso, totalmente entregue à fantasia, carregado nas tintas e nas entrelinhas, trazendo ainda  Michelle Pfeiffer como a melhor Mulher-Gato do cinema. E conseguindo fazer do Pinguim de Danny DeVito uma figura não menos que trágica. 4/5

Batman Eternamente (1995). Sai Tim Burton e entra Joel Schumacher. O que era sutil em Burton vira destaque de escola de samba na direção tresloucada de Schumacher. Uma Gotham saída de um pesadelo de neon,dois vilões caricatos e um ajudante de herói que só faz besteira. Mas pelo menos é divertido. Ou, melhor dizendo, inofensivo. 3/5

Batman e Robin (1997). Um filme que afundou a carreira de praticamente todos os envolvidos. Schwarzenegger largou o cinema. Alicia Silverstone e Chris O´Donnel vivem hoje de pontas em seriados da TV. Só George Clooney escapou desta que é não apenas a pior adaptação de quadrinhos de todos os tempos, mas um dos piores filmes de todos os tempos. Sério, o que eles estavam pensando? 1/5

Aço (1997). Outro filme  que merece o ostracismo. Um filme feito com um personagem secundário de quadrinhos que era uma das versões secundárias do Superman surgidas após a saga A Morte do Superman vira, nas mãos de Shaquille O´Neal, um ex-engenheiro do exército americano que decide lutar pela verdade e pela justiça (huãã!) criando uma super-armadura. 1/5

Mulher-Gato (2004). Mais um filme em que tudo sai errado. A pior fantasia de heroína já feita, aliado a uma história rasteira, efeitos de vídeo game quinta categoria e Halle Berry com um sério problema de lordose quando anda. Junte a tudo isso o fato de desvincularem a personagem totalmente da história do Batman, de onde ela se originava e nunca deveria ter saído. O que sobra? Bem pouco. 1/5

Superman – O Retorno (2006). Uma retomada do clássico de Richard Donner, realizada por Brian Singer,o homem responsável por colocar as adaptações da Marvel no caminho. Tudo parecia certo, mas Superman – O Retorno, não conseguiu a empatia necessária com seu público, devido ao excesso de sobriedade e uma inexplicável reverência com o mito do personagem. Para piorar, uma trama lenta, cuja grande cena de ação é o Superman carregando um enorme pedaço de terra para o céu. 3/5

Batman Begins (2005). Após sucessivos fracassos, a DC parecia ter aprendido a lição. Para isso, chamou um diretor de pulso e com uma criatividade visual sem limites, que reiniciou toda a franquia do Batman, resgatando elementos dos quadrinhos e trazendo as cenas de ação para o mundo real. O único porém do filme talvez seja o excesso de cenários digitais, mas até isso o diretor Christopher Nolan corrigiu na sequencia. 4/5

O Cavaleiro das Trevas (2008). A grande sacada de Christopher Nolan foi tratar esse filme não como um filme de super-herói, mas como um filme policial cujo personagem principal é um homem de máscara e cujo inimigo é um homem com o rosto pintado. Definidos esses parâmetros, bastou criar uma história envolvente, cenas de ação impactantes, coadjuvantes com motivações e sentimentos reais e uma trilha sonora (e fotografia, e direção de arte) impecáveis. Parece simples, mas não é. Um grande filme. 5/5

Watchmen (2009). Zack Snider recria para a telona o universo alternativo criado por Alan Moore e Dave Gibbons, num filme extremamente fiel aos quadrinhos e violento na medida certa. Uma ótima adaptação,  que poderia ser ainda melhor se não fosse tão fiel na  tentativa de emular no cinema o formato hermético das 12 edições desse clássico dos quadrinhos. 4/5

Jonah Hex (2010). Um ótimo personagem para um filme muito ruim. Após sessões testes desastrosas, e na tentativa de salvar o que se havia produzido, os produtores foram cortando, reeditando, ajustando e por fim, transformaram o filme num pastiche de história de faroeste com história de terror que acabou ficando com  pouco mais de 80 minutos (incluindo os créditos). Uma pena. 1/5

Há outros filmes baseados em selos alternativos da DC, como o Vertigo , Paradox e Wild Storm. Veja alguns deles.

Do Inferno (2001). A investigação sobre a identidade de Jack,o Estripador gerou um calhamaço de mais de 1000 páginas chamado Do Inferno. Nele, Alan Moore apontava para a maçonaria, a Rainha Vitória e a Scotland Yard como cúmplices do assassino. Até o Homem Elefante participa da história. Resumida para a telona, temos um romance desnecessário de Johnny Depp com Heather Graham, mas ainda uma trama extremamente complexa e um clima de pesadelo que combina perfeitamente com os cenários estilizados da Londres do fim do século XIX. 3/5

Estrada para a Perdição (2002). Dirigido por Sam Mendes, com Tom Hanks e Paul Newman. Conta a história de um assassino cuja família é morta após um de seus filhos testemunhar um crime perpetrado pelo filho de seu chefe. Um filme sensível, com uma reconstituição de época irretocável e uma interpretação emocionante de Paul Newman, num de seus últimos trabalhos. Repare em Daniel Craig fazendo ponta. 4/5

Uma História de Violência (2005). Após matar dois criminosos que invadiram seu café, homem passa a ser perseguido por estranhos que afirmam que ele é um assassino foragido. A narrativa seca e concisa de David Cronenberg encontra em Viggo Mortensen o parceiro perfeito para seu estilo. Espere, como sempre,por cenas inesperadas de violência explícita. 4/5

Constantine (2005). Criado por Alan Moore para uma sequencia de histórias do Monstro do Pântano, o Constantine dos quadrinhos era louro, inglês, tinha a cara do Sting e jamais se envolvia em qualquer conflito físico. Aqui, ele fica moreno, americano, a cara do Keanu Reeves e usa uma metralhadora em forma de cruz. Mas, por incrível que pareça,o filme é até bonzinho. 3/5

V de Vingança (2005). A gigantesca saga de Alan Moore nos quadrinhos é simplificada em uma aventura que consegue manter o tom subversivo da trama, na história do ativista político V e sua luta para derrubar o governo autoritarista que tomou conta da Inglaterra. E tem a Natalie Portman, que sempre vale o ingresso. 3/5

A Liga Extraordinária (2003). Imagine Batman e Robin, o excesso de personagens e uma história atabalhoada. Tire o neon do cenário e  o resultado é este filme. Não que a obra cinematográfica deva respeitar 100% seu original no papel, mas o problema aqui é que o roteirista responsável achou que bastava juntar diversos heróis literários numa mesma sala, dar algumas frases de efeito para Sean Connery e pronto. Não é bem assim que funciona. 2/5

Os Perdedores (2010). Mais um dos filmes de equipes de mercenários que saiu no ano passado, junto com Os Mercenários e Esquadrão Classe A. Aqui, grupo se junta para (como sempre) limpar seu nome e pegar os culpados, capitaneados pela belíssima Zoe Zaldana Nada de mais, nem de menos. 3/5

Red (2010). Se há um mérito nesse filme é juntar um elenco tão talentoso em um filme tão descompromissado. Bruce Willis, John Malkovich e Morgan Freeman se divertem com a história dos agentes aposentados que voltam à carga e mostram que a idade não é nada.  E é sempre bom ver Helen Mirren não fazendo um drama. 3/5

Silêncio dos Inocentes: 20 anos depois

Silêncio dos Inocentes: 20 anos depois

O Silêncio dos Inocentes completa 20 anos em 2011. Visto pelos olhos de quem cresceu com o filme, pode parecer que a obra era uma aposta certeira da falecida produtora Orion. Afinal, contava com Anthony Hopkins em um papel inesquecível e Jodie Foster perfeita como a novata agente do FBI que caçava um serial killer.

A verdade, porém, é que Silêncio dos Inocentes tinha tudo para dar errado. Em 1991, Anthony Hopkins era um ator a caminho do ostracismo, cujo último filme relevante havia sido Nunca te vi, Sempre te amei, de 1987. Jodie Foster, apesar de já ter ganhado um Oscar por Acusados em 1988, estava longe de ser um chamariz de bilheteria. E o diretor Jonathan Demme era mais conhecido por comédias como De Caso com a Máfia (1988) e Totalmente Selvagem (1986). Além disso, serial killers ainda não eram interessantes para o público em geral.

Ao contrário do que se esperava, porém, Silêncio dos Inocentes foi aos poucos conquistando público e crítica em todo o mundo, tornando-se, alguns meses após o lançamento,  o terceiro filme na história do cinema a vencer os 5 prêmios principais da Academia (filme, diretor, ator, atriz e roteiro). Anteriormente, apenas Aconteceu naquela noite (1934) e O Estranho no Ninho (1975) haviam conseguido essa façanha.

Baseado no livro homônimo de Thomas Harris, o filme conta a história de Clarice Starling, estudante do FBI que recebe a missão de entrevistar o mais perigoso dos serial killers, Hannibal Lecter – também conhecido como Hannibal, o Canibal, pelo hábito nefasto de comer suas vítimas. O objetivo deste contato é, na verdade, obter informações que possam levar à captura de Buffalo Bill, assassino que já havia matado 5 garotas. Clarice é então chamada para lidar com este caso, mantendo contatos constantes com Lecter,que a ajuda a compreender como funciona a mente de um assassino.

Jonnathan Demme conta essa história a partir de uma opção artística arriscada: praticamente todos os diálogos são filmados com a câmera fechada sobre o rosto dos atores, com estes encarando diretamente o espectador, de forma que a atenção esteja completamente dirigida aos seus olhares e às suas reações. Um exemplo perfeito dessa técnica aparece no primeiro encontro entre Clarice e Lecter. De modo a ilustrar que o contato com o serial killer será uma literal descida ao inferno, vemos a agente do FBI descer por escadas e passar por corredores até chegar em uma ala que mais lembra uma prisão medieval, sensação essa reforçada pela fotografia opressiva de Tak Fujimoto.

Ao contrário dos outros presos, Lecter vive numa sala com uma parede de vidro, de modo a evitar qualquer contato com outras pessoas. Nestes poucos minutos de conversa, Anthony Hopkins consegue demonstrar o quão brilhante e perigoso é seu personagem, capaz de sentir o perfume usado por Clarice (não naquele dia) e reconhecer suas fraquezas de modo a humilhá-la sem piedade. As reações de Jodie Foster às provocações do assassino mostram os sentimentos conflitantes da agente, num misto de dor, raiva e admiração. Constantemente deslocada em seu ambiente, a Clarice interpretada por Jodie Foster nunca está à vontade, evitando quaisquer olhares ou toques mais íntimos. Ao mesmo tempo, está sempre ajustando suas roupas, visando nitidamente passar a melhor imagem a seus superiores, em especial ao diretor interpretado por Scott Glenn.

A relação entre Lecter e Starling  é que dá o tom do filme. Para Lecter, pela primeira vez ele encontra alguém que não tem medo em dividir seus medos, seu passado e seus pensamentos com ele. Para Starling, o desafio de aprender com alguém ao mesmo tempo tão fascinante quanto perigoso  – e uma oportunidade para se conhecer ainda melhor. Fugindo do esquema de jogos psicológicos baratos, os encontros entre Clarice e Lecter são sempre instigantes, e é fascinante ver dois atores cientes de seu talento se entregando desta maneira a seus papéis.

O filme não hesita em apresentar a identidade do assassino logo em sua meia hora inicial. Interpretado por Ted Levine, o assassino não é uma figura repugnante, apesar de toda a violência infligida às suas vítimas, mas sim uma figura digna de pena, cujo pensamento distorcido o leva a praticar aqueles atos inomináveis.  Neste ponto, o filme prima pelo realismo com que trata os crimes e as vítimas do serial killer. Numa sequencia fundamental,  chegamos a sentir o cheiro em uma cena , graças a elementos narrativos como o ato dos agentes em passar Vick Vaporub nas narina quando da exumação de uma das vítimas de Bill.

Para contar sua história, o diretor Demme conta com a ajuda de um grupo de atores que estão sempre presentes em suas obras, como Charles Napier,  Tracey Walter, Paul Lazar e o diretor Roger Corman, entre outros, que apareceriam posteriormente em obras como Filadélfia e até o mais recente O Casamento de Rachel. Mas é de Anthony Hopkins que Demme arranca a interpretação definitiva para Hannibal Lecter (que já havia sido interpretado anos antes por Brian Cox em Manhunter, de Michael Mann, refilmado depois como Dragão Vermelho, por Brett Ratner). Com total consciência de que tinha em suas mãos um papel especial, Hopkins se delicia como o assassino de gosto refinado e que, mesmo após assassinar dois policiais, ainda encontra tempo para terminar de ouvir sua sinfonia favorita.

Ao longo do filme, Lecter aparecer por (acreditem) apenas 18 minutos, mas sua personalidade está tão presente e tão marcante no filme que temos a impressão de que este tempo é muito maior. Posteriormente Anthony Hopkins voltaria a viver o assassino em duas outras produções, que infelizmente não chegaram as pés deste filme.

Mesmo nos momentos em que tenta deliberadamente enganar o espectador ( e isso ocorre pelo menos duas vezes), o roteiro de Ted Tally é preciso em sua narrativa, limpando muito do exagero e das subtramas políticas da obra original, criando um filme tenso e violento, embora, como o posterior Se7en ,  nunca se fixe ou mostre os assassinatos detalhadamente. Uma cena que exemplifica essa elegância narrativa ocorre na sequencia em que Lecter escapa. Após derrubar um dos guardas, Lecter se aproxima do outro com o cassetete e o acerta repetidas vezes. Jamais vemos o policial caído, apenas a camisa de Lecter que vai aos poucos se manchando de sangue.

O filme guarda para seu clímax, ainda, o que considero uma das melhores seqüências já criadas, no momento em que Clarice chega à casa do serial killer Buffalo Bill e vai, aos poucos, tomando consciência de que ele é realmente o assassino. Simultaneamente, ele percebe que foi descoberto e que todo o seu plano insano está chegando ao fim. É uma cena  maravilhosa, que joga na tela todos os evidências que o espectador foi juntando ao longo do filme, mas que para Clarice somente naquele momento se tornam claras. Contribui, e muito, para esse clima do filme a trilha sonora de Howard Shore (compositor preferido de Cronenberg e Peter Jackson),  climática e evitando o clichê de crescer demais nos momentos de tensão,

Vinte anos depois e dezenas de filmes similares depois (dentre os quais apenas Se7en merece destaque), o Silêncio dos Inocentes continua até hoje como um mergulho assustador na natureza humana,  um contato com um lado sombrio que podemos até  admirar, por tão fascinante que é,mas que queremos que fique sempre do lado de lá da tela.

5/5

Crítica: Capitão América

Crítica: Capitão América

Capitão América, a última investida da Marvel Studios no cinema é, assim como o foram Homem de Ferro 2 e Thor, uma espécie de teaser para o filme Vingadores, que será lançado no ano que vem. Se, por um lado, isso garante filmes com um nível de produção adequado a este tipo de aventura e um universo de atuação coerente, por outro está criando obras sem personalidade, cujas tramas são obrigatoriamente direcionadas ao filme do ano que vem, em detrimento de  um desenvolvimento melhor  e mais ousadia com seus personagens.

Dirigido pelo experiente Joe Johnston – um dos pioneiros da Industrial Light and Magic, que trabalhou diretamente nos primeiros Star Wars e nos filmes de Indiana Jones e que já havia dirigido bons filmes como Rocketter, Jurassic Park 3 e Jumanji – o filme conta a história do franzino Steve Rogers ( Chris Evans) e sua luta para se alistar no Exército Americano, em plena 2ª Guerra Mundial.

Como todo filme de origem, a primeira parte acaba sendo muito mais interessante do que o restante do filme. Por meio de efeitos especiais não menos que perfeitos, Chris Evans é retratado neste início como uma rapaz baixinho e fracote que é constantemente agredido por todo tipo de valentão. Após um encontro com o cientista Abraham Erskine (Stanley Tucci), Rogers é convocado para participar de uma experiência científica que o transformará no super-soldado conhecido como Capitão América. Como símbolo vivo dos Estados Unidos, nosso herói terá que enfrentar o terrível vilão Johann Schimidt, também conhecido como Caveira Vermelha.

A reconstituição de época é notável, e as cenas fotografadas por de Shelly Johnson parece tiradas diretamente da série Marvels, famosa por retratar os heróis da editora homônima em sua gênese. Como parte do mesmo universo cinematográfico, o filme traz diversas citações aos filmes já produzidos, trazendo inclusive a figura de Howard Stark (Dominic Cooper), o pai de nosso querido Tony Stark , em participação bastante importante na trama, explicando diversos pontos vistos no filme do herói metálico.

O roteiro trabalha de forma inteligente as primeiras funções do Capitão América – atuando como garoto-propaganda do exército para angariar bônus de guerras – e a origem de seu uniforme ufanista. Infelizmente essa inteligência vai se perdendo ao longo do filme, especialmente quando trata do vilão Caveira Vermelha, interpretado de forma  pouco inspirada por Hugo Weaving. Como nas piores histórias dos quadrinhos dos anos 50 e 60, o vilão aqui quer, como sempre, dominar o mundo, embora nunca fique muito claro como ele pretende fazer isso. E pior ainda: o Caveira de Weaving é o típico vilão displicente, fugindo e abandonando seus comparsas sem rosto ao menor sinal de perigo. Numa prova de que não sabe exatamente o que fazer, ele chega a reclamar que o Capitão América está destruindo todas as suas fábricas de armas, sem sequer se preocupar em  mudar ou esvaziar suas instalações antes que o herói chegue nelas.

As cenas de ações dirigidas por Johnston também caracterizam-se por uma burocracia latente, parecendo que existem somente para ocupar espaço na trama. Há uma luta em um  trem que poderia render um grande momento que dura pouco mais de 5 minutos, servindo apenas para se livrar de um personagem que poderia vir a ser interessante, se o roteiro fosse menos preguiçoso.O elenco conta ainda com a bela Hayley Atwell, como Peggy Carter, o interesse romântico do herói,  e com Toby Jones como Arnin Zola, outro vilão tradicional do universo Marvel, também pouco aproveitado na trama. Há ainda um grupo formado por Rogers para suas missões, tirado diretamente das histórias em quadrinhos, cujo efeito é apenas de curiosidade.

Efetivamente, os únicos dois personagens pelos quais nos interessamos na história são o próprio Steve Rogers e o Coronel Chester Phillips, interpretado por Tommy Lee Jones. Longe da canastrice do Tocha Humana, Evans consegue passar de forma sincera seu desejo de participar do esforço de guerra, e seu bom mocismo nunca transparece como uma patriotada exagerada – embora a trilha triunfalista de Alan Silvestri tente a todo custo estragar isso.  Já Tommy Lee Jones consegue transformar o papel clichê do militar durão com coração de ouro em algo autêntico e realista.

Mesmo com estes problemas, Capitão América poderia ser um divertido filme de ação – com citações a filmes como Caçadores da Arca Perdida e a sempre aguardada aparição de Stan Lee – se não fizesse parte de um projeto muito maior, que é a saga Vingadores. Isso leva o filme a uma conclusão abrupta extremamente forçada, deixando boa parte do filme em aberto e reduzindo o papel do Capitão América no conflito mundial a uma única ação militar de resultado duvidoso. Perde-se, ainda, a oportunidade de aproveitar e desenvolver novas tramas no universo visual e tematicamente mais arrebatador da 2ª Guerra Mundial.

Como sempre, após os créditos do filme há uma cena adicional com o primeiro teaser do filme dos Vingadores, no qual podemos (re)ver os personagens do Thor, Homem de Ferro, Gavião Arqueiro e Viúva Negra. Agora, é esperar o ano que vem para ver se estas interferências valeram a pena.

3/5

O Clichê 2 – A Vingança da Criatividade

O Clichê 2 – A Vingança da Criatividade

CENA 1: É noite e chove na floresta. A mocinha corre em desespero, pois está sendo perseguida por um assassino que já matou todos os seus amigos, entre eles um atleta, um nerd e uma gostosa. Apesar de andar extremamente devagar, o assassino, que está com um facão na mão, consegue alcançar a mocinha. Ao se ver acuada por seu algoz, ela tropeça, cai para trás e , ao invés de se levantar e sair correndo, fica se arrastando de costas na lama.

CENA 2: Dois amigos policiais conversam numa confeitaria tomando um café e comendo um Donuts. O mais velho abre a carteira e mostra para seu amigo a casa de praia que comprou recentemente e onde pretende passar os seus próximos anos, já que irá se aposentar em três semanas. De repente, ouvem um tiroteio na rua e correm para ver qual é a situação. Em meio a uma troca de tiros, o policial mais velho leva um tiro e morre, mas não sem antes pedir a seu amigo que diga para sua esposa que ele a amava muito.

CENA 3: A mocinha entra no avião após ter brigado com aquele que ela achava que seria o amor de sua vida. Este, percebendo a burrada que fez, pega um táxi para o aeroporto para reencontrá-la. Ao chegar no aeroporto, descobre que ela já embarcou. Percebendo que essa seria sua última chance de felicidade, ele conta sua história triste para todos os funcionários e atendentes da companhia aérea e do aeroporto que, não se sabe como, para o avião antes que ele decole para que ele possa finalmente se declarar para sua amada.

Nenhuma das três cenas acima faz parte de algum filme em especial, mas é provável que você já tenha visto essas situações não uma, mas diversas vezes.  Isso é o que se costuma chamar de clichê: ferramentas narrativas que, após o uso recorrente e repetido em diversas produções,  passam a ser lugar-comum. Não há nada de errado com o clichê. Ele tem, inclusive, uma importante missão na criação de uma identificação do espectador com a obra. Quanto mais familiar aquela situação, aquele personagem ou aquele ambiente pareça, maior a possibilidade do espectador  interagir, se importar e acreditar no que está vendo.

O grande problema surge quando o clichê deixa de ser uma ferramenta narrativa e passa a ser uma muleta para roteiristas e diretores sem criatividade, que partem de uma fórmula pré-estabelecida (e bem-sucedida), para gerar produtos sem identidade. Fica, no espectador, aquela impressão de que “é aquela história de sempre”.  Dois filmes recentes, de escalas financeiras e de sucesso diferentes, podem servir como exemplo para o que falamos.

O primeiro caso é o filme A origem (Inception),de Chistopher Nolan.  O filme parte de um clichê temático clássico,o do filme de assalto, no qual um grupo é reunido por um líder, tendo cada um com sua habilidade específica que será essencial no resultado final. Sim, você já viu isso em  11 Homens e um Segredo e suas sequencias, assim como em Efeito Dominó, Uma Saída de Mestre e o último Velozes e Furiosos. Há também o clichê do protagonista que guarda um segredo do seu passado, assim como o clichê da novata que serve de interface entre a trama complexa e o espectador. Ainda assim, o roteirista e diretor Christopher Nolan consegue extrapolar essas situações comuns e criar uma história surpreendente e inovadora, na qual as linhas narrativas vão se encontrando até o clímax devastador. Um exemplo claro de que é possível trabalhar os clichês e as situações vistas em outros filmes em algo novo.

Do outro lado, temos o filme Sobrenatural (Insidious), uma produção de custo baixo com atores do segundo escalão de Hollywood. O filme apresenta diversos clichês factuais e narrativos comuns aos filmes de terror. Câmera na mão, como em A Bruxa de Blair e Atividade Paranormal? Sim,está lá. Sustos falsos? Confere. Fotografia lavada,com iluminação natural? Confere. Crianças em perigo? Também. Este porém, não seria nenhum problema, visto que são situações que ocorrem em 90% dos filmes de terror nos dias de hoje.

O que leva Sobrenatural para o chão não são os clichês, mas a trama derivada quase que integramente do filme Poltergeist, de 1982. Se você duvida, preste atenção na sinopse: Casal classe média com 3 filhos percebe fenômenos estranhos em casa. Pouco tempo depois, o espírito do filho mais novo é levado para o limbo. Com a ajuda de uma especialista na área espiritual e seus dois ajudantes – que levam uma série de equipamentos de filmagem para a casa – eles descobrem que o filho está cercado por almas penadas e por um espírito do mal. Um dos pais, então, vai para o além buscar a criança, não sem antes ter de impedir que os mortos invadam e destruam sua casa. Não se trata de referência, mas de plágio puro e simples.

A referência, quando bem trabalhada, não é problema nenhum. O cinema de Quentin Tarantino vive e respira referências culturais, musicais e cinematográficas de outros países e outras épocas, como a saga Kill Bill e Bastardos Inglórios. Assim como o clichê, o problema da referência é quando ela deixa de ser uma homenagem e se transforma em um recurso visual ou temático desgastado. Quando Matrix saiu, nos distante ano de 1999, o que existia de pior não eram as paródias às cenas de luta ou às cenas congeladas, mas a utilização ad nauseum do efeito bullet time e de cabos nas cenas de ação, que iam desde os filmes das Panteras até qualquer filme do Wesley Snipes.

Um olhar bem atento a diversos filmes em cartaz permite que o espectador perceba que, ao mesmo tempo em que surgem obras de caráter inovador, mesmo baseadas em elementos devidamente identificados no imaginário popular, abundam (no mal sentido) produtos sem personalidade que apenas reciclam boas idéias produzidas ao longo dos anos, sem, no entanto, criar algo inovador. Assim, para cada A origem, X-Men: Primeira Classe, Cisne Negro Meia Noite em Paris, Bravura Indômita e A Rede Social, há um Lanterna Verde, um Zé Colméia, um Transformers e um – sinto muito – Discurso do Rei. Sim, porque o clichê do professor que ajuda o aluno a encontra sua própria voz também já foi contado antes – e bem melhor.

Poltergeist, quase 30 anos depois

Poltergeist, quase 30 anos depois

Poltergeist estrou nos EUA no dia 4 de julho de 1982. Não por acaso,  o filme abre com o hino americano, que era usualmente tocado ao fim da programação dos canais de televisão aberta naquele período. No momento em que o aparelho de TV fica fora do ar, a caçula da família Freeling desce de seu quarto para a sala e começa a conversar com alguém, ou algo, que supostamente está dentro da televisão. Essa é a primeira aparição do povo da TV.

Produzido por Steven Spielberg em um período inacreditavelmente criativo, Poltergeist foi dirigido por Tobe Hooper, o mesmo homem por trás de O Massacre da Serra Elétrica. A história por trás dessa produção conturbada valeria um outro texto, mas é importante saber que Tobe Hooper seguiu não apenas o roteiro, o storyboard e as orientações de Spielberg, mas teve o diretor ao seu lado em todos os momentos de folga da filmagem de E.T., produzido no mesmo ano. Spielberg ainda editou o filme ao lado de Michael Kahn, seu montador usual. Mesmo quase 30 anos depois, é visível que o filme tem todas as técnicas e as manhas que Spielberg aprimorou ao longo do tempo e em nada lembra trabalhos anteriores ou posteriores de Tobe Hooper (que eventualmente mostrou-se muito limitado em suas realizações, com bombas como Força Sinistra e O Massacre da Serra Elétrica 2). Portanto, para fins de argumentação, passarei a tratar o filme como mais um de Steven Spielberg.

A história é conhecida. Família de classe média que vive no subúrbio passa a conviver com diversos fenômenos estranhos em casa, até que a filha menor é levada para outra dimensão. Com a ajuda de uma especialista, conseguem trazer a filha de volta, mas não sem antes enfrentar a fúria dos espíritos que habitavam um antigo cemitério local.

O filme pode ser visto como um complemento à E.T. Enquanto no filme do alienígena a calmaria do subúrbio é alterada por algo que vêm de fora (ou de outra galáxia), neste o distúrbio vêm de dentro de casa . Vista inicialmente como uma curiosidade divertida, a presença dos espíritos na casa logo mostra-se ameaçadora, com uma árvore gigante tentando engolir o filho do meio e a pequena Carol Anne sendo tragada para dentro do armário. Os efeitos especiais do filme, realizados numa época obviamente pré-CGI, ainda impressionam, mesmo que em alguns casos já não convençam tanto,como no caso da cena em que um dos pesquisadores começa a arrancar pedaços do rosto (evidentemente a única cena que Tobe Hooper teve liberdade para dirigir). É visível, porém, a intenção clara de utilizar efeitos realizados on stage, ou seja, durante as filmagens, como no clímax, com o surgimento dos cadáveres que saem da piscina e do piso da casa.

Contribuem enormemente para o clima de sustos e tensão do filme a excelente trilha sonora de Jerry Goldsmith, com seus metais e coros fantasmagóricos, em um de seus últimos grandes trabalhos, antes de transformar todas as suas trilhas em pastiches de Rambo. O design de som também merece destaque, com vozes e efeitos sonoros colocados de forma subliminar para acentuar o caráter sobrenatural da trama.

Nada disso, porém, teria efeito se o elenco não funcionasse como um relógio. Como a mãe das crianças, Jobeth Williams tem uma atuação memorável, demonstrando, quando necessário, seu lado maternal, o desespero pelo perda da filha, o medo pelo desconhecido que se aproxima e a coragem quando precisa salvar sua família. É uma pena que ela não tenha se destacado mais em seus trabalhos posteriores. Craig. T. Nelson,como o pai, transita com brilho entre a incredulidade e a resignação. Quanto às crianças, o destaque vai para a pequena Carol Anne, interpretada por Heather O´Rourke, natural como poucas crianças de 5 anos conseguem ser nas telas nos dias de hoje. Oliver Robbins e Dominique Dunner, como os filhos mais velhos, também se saem bem.

Há ainda, claro, a oscarizada Beatrice Straight e a pequenina Zelda Rubinstein, no papel de Tangina Barrons, uma clarividente cuja missão principal é limpar casas infestadas por espíritos, que rouba a cena sempre que aparece. Repare, por exemplo, em seu orgulho ao ser filmada após o retorno de Carol Anne.

Há sequencias no filme que se tornaram clássicas, como a do palhaço, a da mãe que se arrasta pelas paredes ou da piscina de cadáveres. Além de contar com a frase clássica “Não vá para a luz”. A trama, ao longo dos anos, tem sido reciclada em diversos filmes. O último, como veremos na próxima semana, é o terror Sobrenatural, que segue todas os passos do original, inclusive com a cena em que um dos pais vai para o além em busca do filho.

Mesmo quase 30 anos depois de realizado, ainda se mantém como um dos mais, se isso é possível, divertidos filmes de terror já realizados, daqueles em que se pula da cadeira a cada 10 minutos e em que nos preocupamos realmente com o destino dos personagens. Há ainda, a crítica pouco sutil à televisão como meio de comunicação, em um período em que o vídeo cassete ameaçava (como sempre) o reinado do cinema.

Infelizmente, o destino dos atores não foi tão feliz como na telona. A atriz Dominique Dunne, que fazia a irmã mais velha, foi assassinada pelo namorado antes da estréia do filme. Heather O´Rourke, que ainda faria duas continuações dispensáveis do filme, faleceu aos 12 anos, em 1988. O ator Julian Beck, que fazia o reverendo Kane em Poltergeist II, morreu durante as filmagens. Coincidências trágicas que ajudaram na criação da maldição de Poltergeist. Lendas urbanas que, felizmente, não impedem a apreciação deste grande filme.

5/5

Vai uma refilmagem aí ?

Vai uma refilmagem aí ?

Os meses de maio, junho e julho são dos mais rentáveis para a indústria cinematográfica mundial. Não por acaso, é justamente nesse período em que os grandes lançamentos do cinema, os chamados blockbusters,  aterrisam em telas brasileiras e mundiais. O culpado de tudo isso, para quem não sabe,  é Steven Spielberg, que lançou Tubarão no verão americano de 1975. George Lucas, com Star Wars (1977), apenas sedimentou essa tendência. Hoje, a maioria dos estúdios aposta todas as suas fichas neste período.

Como se trata, porém, de uma aposta muito alta, com filmes cujo orçamento varia entre U$ 150 e U$ 200 milhões, os estúdios têm cada vez mais se afastado de propostas inovadoras e investido em temas e personagens previamente conhecido do grande público. Uma olhada rápida entre as 20 maiores bilheterias de todos os tempos mostra que a criatividade e o risco estão cada vez mais distantes dos roteiristas e produtores de Hollywood.

Nesta lista temos os filmes da saga Harry Potter (baseados em uma série de livros), os filmes da série Piratas do Caribe (baseados em uma atração de um parque da Disney), O Senhor dos Anéis (baseado em outra série de livros), O Cavaleiro das Trevas (história em quadrinhos) e assim por diante. Mesmo o mega-campeão Avatar não escapa desta lista, pois sua história baseia-se muito no que costumo chamar de tema do colonizador em crise, como em  Pocahontas,  Dança com Lobos ou O Homem Chamado Cavalo.

Não que isso seja uma questão nova. O cinema sempre se alimentou de fontes externas, seja baseando seus filmes em obras literárias, peças de teatro ou mesmo histórias em quadrinhos. O que salta aos olhos, porém, é absoluta falta de critério artístico e de qualidade de certos produtos que estão sendo entregues ao público.

Ao mesmo tempo em que temos filmes sensacionais como o último Harry Potter  ou O Cavaleiro das Trevas, somos obrigados a agüentar coisas como Lanterna Verde, Besouro Verde, Zé Colméia e -  a pior praga possível –  continuações caça-níqueis como Vovó Zona 3, Se Beber Não Case 2 e Transformers 3, este baseado num desenho animado que era baseado numa categoria de brinquedos infantis.

E não pense que esta tendência  é privilégio somente do cinema americano. Mesmo no Brasil, sempre com o pensamento em não se arriscar, temos recebido filmes como Os Normais, A Grande Família, Cilada.com, De Pernas pro Ar, Divã e muitos outros.

São cada vez mais raros cineastas como Christopher Nolan, o diretor de A Origem,um dos melhores filmes do ano passado e um dos poucos que não era baseado em quadrinhos, livros, não era uma refilmagem, um reboot, uma sequência ou uma releitura. E Nolan, mesmo quando trabalhando nos filmes do Batman,  entende que não basta confiar apenas no personagem em si e em sua inserção no imaginário popular. É preciso fazer isso com qualidade.

Claro que há sempre o caso dos Transformers, cuja série está cada vez pior e que cada vez está lucrando mais. No fundo, vai ver, o público também não quer sair da sua zona de conforto.

Hugo Cabret

Esse promete. Um filme em 3-D de Martin Scorcese, com Jude Law, O Borat e Chloe Moretz. Pelas imagens, já dá para perceber que Scorcese pretende trabalhar o 3-D de forma diferente do que tem sido feito ultimamente, utilizando-o como ferramenta de narrativa e não como simples efeito de jogar elementos na plateia. Vamos aguardar.

Trailer do novo Homem-Aranha

A Columbia disponibilizou essa semana o trailer do novo filme do Homem-Aranha, que estreia em 2012. Sinceramente, não me empolgou muito. O principal problema é perceber que o filme irá traçar novamente a origem do aracnídeo, visto há pouco mais de 10 anos no cinema e reprisado ad infinitum por todos os canais de televisão.  Sai Mary Jane e entra Gwen Stacy. A origem do Homem-Aranha de Tobey Macguire ainda está presente no imaginário de todas as pessoas e o último filme saiu há muito pouco tempo. Simplificando, seria como se em 3 anos a Warner resolvesse refazer o Harry Potter e contar toda a história de novo. Podiam simplemente seguir a história e esquecer a origem. Recontar a origem funcionou no caso do Batman porque os dois últimos filmes tinham sido muito ruins.

Em termos de narrativa e efeitos, a única novidade parece ser a filmagem em primeira pessoa. Mas, cá entre nós, isso chega a ser novidade? Espero que seja apenas um recurso usado no trailer, mas não no filme. Enfim, a primeira impressão pode nunca ser a verdadeira. Todos devem lembrar do primeiro Trailer de Avatar, que parecia um videogame do Thundercats. É esperar para ver.