Crítica | Somos Tão Jovens

Crítica | Somos Tão Jovens

Dentre as imensas qualidade do belíssimo Os Dois Filhos de Francisco, a cinebiografia de Zezé di Camargo e Luciano realizada por Breno Silveira, uma que sempre me chamou a atenção foi o fato de que o roteiro jamais teve a pretensão – ou a incompetência – de soar vagamente premonitório. É o que costumo chamar de síndrome de pitonisa: aquele momento em que algum personagem irá dizer ‘nós vamos ser os melhores do mundo’ ou ‘um dia você vai ouvir falar muito de mim’.

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Crítica | Homem de Ferro 3

Crítica | Homem de Ferro 3

Homem de Ferro 3. Mas também pode chamar de Tony Stark: Marcado para a Morte. Ou Um Milionário na Mira dos Assassinos. Não importa. O que fica claro neste terceiro filme do super-herói metalizado da Marvel é que há cada vez menos espaço para o alter-ego de Tony Stark em seu próprio filme.

Ao colocar o foco quase que exclusivamente sobre os devaneios, dramas e agruras do excêntrico milionário, os produtores investem com segurança naquilo que é o elemento mais forte e de maior empatia com os espectadores: a atuação magnética de Robert Downey Jr., cada vez mais à vontade em seu papel. O que é muito bom. Mas que também carrega a sua dose de problemas.

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Crítica | A Morte do Demônio (2013)

Crítica | A Morte do Demônio (2013)

E lá se vão mais de 30 anos desde que Sam Raimi e sua trupe de amigos juntaram alguns milhares de dólares para fazer um dos mais divertidos e alucinantes filmes de horror de todos os tempos. Ao longo deste período, o gênero conheceu sucessos e fiascos, sendo aos poucos desconstruído de diversas maneiras, seja pela paródia assumida (em especial a partir de Sexta-Feira 13 – parte VI), por revisões que brincavam com seus cânones e clichês (a série Pânico) até ser ter sua linguagem e estrutura dissecados pelo excelente O Segredo da Cabana.

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Crítica | Oz: Mágico e Poderoso

Crítica | Oz: Mágico e Poderoso

Reinventar ou fazer uma releitura de um clássico (seja do cinema ou da literatura) é sempre um desafio. Há toda uma memória afetiva e emocional por parte dos espectadores que deve ser muito bem tratada e respeitada. Caso isso não aconteça, o filme resultante pode até fazer certo sucesso – como no caso do infame Alice no País das Maravilhas – mas jamais será uma representação digna da obra original.

Neste quesito, Oz: Mágico e Poderoso encontra-se nesta linha tênue entre a homenagem e o pastiche: não é e nem será uma obra inesquecível como o clássico O Mágico de Oz, de 1939, mas também está longe de ser um desastre completo, oferecendo algumas boas ideias que só não são melhor desenvolvidas por conta de um roteiro sem imaginação e por uma direção tímida de Sam Raimi.

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Artigo | Oscar 2013. Alguém me explica?

Artigo | Oscar 2013. Alguém me explica?

Em uma das cerimônias mais irregulares dos últimos anos, Argo, do diretor Ben Affleck, levou para casa a estatueta de Melhor Filme, dando fim a um suspense que foi sendo basicamente reduzido a zero, à medida que o filme veio papando todos os prêmios nas últimas semanas.

Brigando diretamente com o Lincoln de Steven Spielberg, Argo foi anunciado como o grande vencedor da noite pela primeira-dama Michelle Obama – e considerando que esta foi a única grande surpresa da noite, não é de se admirar que o tédio e a monotonia  tenham dado o tom desta que é a maior festa do cinema mundial.

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Review | O Dobro ou Nada

Review | O Dobro ou Nada

A sempre interessante Rebecca Hall tinha em O Dobro ou Nada uma grande oportunidade, ainda mais dirigida por Stephen Frears (que fez ‘só’ Ligações Perigosas, Os Imorais e A Rainha) e com colegas de elenco do como Bruce Willis e Catherine Zeta-Jones.

Na pele de Beth Raymer, ex-stripper e ex-prostituta que passa a trabalhar com o apostador profissional Bruce Willis, Hall mostra uma performance inspirada, com um registro de voz alguns tons acima do normal, naturalmente sexy e muito divertida.

O filme vai bem até a sua metade, quando começa a se perder em subtramas, personagens e situações dispensáveis ou inverossímeis, a maioria delas envolvendo o casal vivido por Willis e Zeta-Jones (irreconhecível, por sinal), problemas estes ampliados por uma direção sem inspiraçao (!) de Frears e por uma conclusão tão abrupta quando forçada.

Vale pela boa química entre Willis e Hall, mas, vindo de quem vem, isso é bem pouco.

Lay the Favorite 

2012 – 94 minutos

EUA – Comédia

Direção: Stephen Frear

Roteiro: Beth Raynser e D.V. DeVincentis

Elenco: Bruce Willis, Rebecca Hall, Catherine Zeta-Jones

 

 

Oscar 2013 | Apostas, Barbadas e Injustiças

Oscar 2013 | Apostas, Barbadas e Injustiças

A cerimônia de premiação da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood acontece no próximo domingo, dia 24 de fevereiro. Confira abaixo as apostas do blog A Mosca Branca para os principais vencedores.

As previsões dos vencedores baseiam-se mais nos resultados obtidos pelas premiações de sindicatos – nos quais Argo vem se sagrando como a barbada da noite -, reportagens sobre o clima entre os votantes e notícias sobre lobbies e autopromoções do que em predileção pessoal – esta apresentada no item Quem merece ganhar.

Confira, então, as minhas apostas para os vencedores do Oscar 2013.

Melhor Filme

Indomável Sonhadora
O Lado Bom da Vida
A Hora mais Escura
Lincoln
Os Miseráveis
As Aventuras de Pi
Amor
Django Livre
Argo

Quem deve ganhar: Argo. Depois de faturar tudo na temporada de premiações dos principais sindicatos, Argo vem com força total para se sagrar campeão, especialmente agora que a Academia percebeu a burrada que cometeu ao não indicar Bem Affleck como melhor diretor.

Quem merece ganhar: Amor

Quem pode surpreender: A Hora mais Escura

Quem não merece ganhar de jeito nenhum: Lincoln

Melhor Diretor

Michael Haneke  – Amor
Benh Zeitlin – Indomável Sonhadora
Ang Lee – As Aventuras de Pi
Steven Spielberg – Lincoln
David O. Russell – O Lado Bom da Vida

Quem deve ganhar: Michael Hanecke. Com Bem Affleck e Kathryn Bigelow fora da jogada, o diretor de Amor tem tudo para sair como o vencedor da noite.

Quem merece ganhar: Michael Hanecke

Quem pode surpreender: Benh Zeitlin

Quem não merece ganhar de jeito nenhum: Steven Spielberg

Melhor Ator

Daniel Day-Lewis – Lincoln
Denzel Washington – O Vôo
Hugh Jackman – Os Miseráveis
Bradley Cooper – O Lado Bom da Vida
Joaquin Phoenix – O Mestre

Quem deve ganhar: Daniel Day-Lewis. Apesar de Lincoln ser muito fraco, é a sua interpretação que ainda empresta um pouco de dignidade ao filme

Quem merece ganhar: Joaquin Phoenix

Quem pode surpreender: Hugh Jackman

Quem não merece ganhar de jeito nenhum: Denzel Washington. Seu trabalho em O Vôo é excelente, mas empalidece frente a Phoenix, Jackman ou Day-Lewis.

Melhor Atriz

Naomi Watts – O Impossível
Jessica Chastain – A Hora mais Escura
Jennifer Lawrence – O Lado Bom da Vida
Emmanuelle Riva – Amor
Quvenzhané Wallis – Indomável Sonhadora

Quem deve ganhar: Jennifer Lawrence

Quem merece ganhar: Emanuelle Riva

Quem pode surpreender: Jessica Chastain

Quem não merece ganhar de jeito nenhum: Quvenzhané Wallis. Apesar de seu adorável papel em Indomável Sonhadora, ela literalmente precisa comer muito arroz ainda para merecer um Oscar.

Melhor Ator Coadjuvante

Christoph Waltz – Django Livre
Philip Seymour-Hoffman – O Mestre
Robert De Niro – O Lado Bom da Vida
Tommy Lee Jones – Lincoln
Alan Arkin – Argo

Quem deve ganhar: Tommy Lee Jones.

Quem merece ganhar: Phillip Seymour Hoffman

Quem pode surpreender: Christoph Waltz, claro

Quem não merece ganhar de jeito nenhum: Alan Arkin. Nada contra o veterano ator, mas não dá pra comparar os seus poucos – mas divertidos – minutos em Argo com a minúcia do trabalho de Jones ou Hoffman em seus respectivos filmes.

Melhor Atriz Coadjuvante

Sally Field – Lincoln
Anne Hathaway – Os Miseráveis
Jacki Weaver – O Lado Bom da Vida
Helen Hunt – As Sessões
Amy Adams – O Mestre

Quem deve ganhar: Anne Hathaway

Quem merece ganhar: Anne Hathaway

Quem pode surpreender: Amy Adams

Quem não merece ganhar de jeito nenhum: Sally Field.  Em Lincoln, a atriz está absolutamente insuportável, dando uma nova definição do que seja overacting. Só faltou encarnar uma Regina Duarte e chamar Lincoln de ‘mooonstro!”.

Melhor Roteiro Original

Michael Haneke – Amor
Quentin Tarantino – Django Livre
John Gatins – O Vôo
Wes Anderson e Roman Coppola – Moonrise Kingdom
Mark Boal – A Hora mais Escura

Quem deve ganhar: A Hora mais Escura

Quem merece ganhar: Amor

Quem pode surpreender: Django Livre

Quem não merece ganhar de jeito nenhum: O Vôo. O roteiro tem alguns problemas que só são  resolvidos  pela direçao segura de Zemeckis.

Melhor Roteiro Adaptado

Chris Terrio – Argo
Lucy Alibar e Benh Zeitlin – Indomável Sonhadora
David Magee – As Aventuras de Pi
Tony Kushner – Lincoln
David O. Russell – O Lado Bom da Vida

Quem deve ganhar: Argo

Quem merece ganhar: Argo

Quem pode surpreender: As Aventuras de Pi

Quem não merece ganhar de jeito nenhum: Lincoln, claro.

Melhor Filme em Língua Estrangeira

Amor (Áustria)
No (Chile)
War Witch (Canadá)
O Amante da Rainha (Dinamarca)
Kon-tiki (Noruega)

Quem deve ganhar: Amor

Quem merece ganhar: Amor

Quem pode surpreender: Nenhum. Vai dar Amor.

Melhor Animação

Valente
Frankenweenie
ParaNorman
Piratas Pirados!
Detona Ralph

Quem deve ganhar: Detona Ralph

Quem merece ganhar: Detona Ralph

Quem pode surpreender: Frankenweenie

Quem não merece ganhar de jeito nenhum: Valente. A animação da Pixar é tecnicamente superior a boa parte dos indicados, mas o roteiro é um dos mais fracos da história do estúdio.

Melhor Fotografia

Anna Karenina
Django Livre
As Aventuras de Pi
Lincoln
007 – Operação Skyfall

Quem deve ganhar: Operação Skyfall

Quem merece ganhar: Operação Skyfall

Quem pode surpreender: As Aventuras de Pi

Melhor Montagem

Argo
As Aventuras de Pi
Lincoln
A Hora mais Escura
O Lado Bom da Vida

Quem deve ganhar: Argo

Quem merece ganhar: Argo

Quem pode surpreender: A Hora mais Escura

Melhor Trilha Sonora

Dario Marianelli – Anna Karenina
Alexandre Desplat – Argo
Mychael Danna – As Aventuras de Pi
John Williams – Lincoln
Thomas Newman – 007 – Operação Skyfall

Quem deve ganhar: Mychael Danna – As Aventuras de Pi

Quem merece ganhar: Mychael Danna – As Aventuras de Pi

Quem pode surpreender: Alexandre Desplat – Argo

Melhor Canção Original

“Before my time”, de Chasing ice – J. Ralph (música e letra)
“Everybody needs a best friend”, de Ted – Walter Murphy (música) e Seth MacFarlane (letra)
“Pi’s lullaby”, de As Aventuras de P – Mychael Danna (música) e Bombay Jayashri (letra)
“Skyfall”, de 007 – Operação Skyfall – Adele (música e letra)
“Suddenly”, de Os Miseráveis – Claude-Michel Schönberg (música), Herbert Kretzmer (letra) e Alain Boublil (letra)

Quem deve ganhar: Skyfall – Adele

Quem merece ganhar: Skyfall – Adele

Quem pode surpreender: Mychael Danna – Pi’s Lullaby

Melhores Efeitos Visuais

O Hobbit: Uma Jornada Inesperada
As Aventuras de Pi
Os Vingadores
Prometheus
Branca de Neve e o Caçador

Quem deve ganhar: As Aventuras de Pi

Quem merece ganhar: As Aventuras de Pi.

Quem pode surpreender: Prometheus

Quem não merece ganhar de jeito nenhum: O Hobbit. Mais de 10 anos depois, os efeitos de Hobbit parecem um retrocesso em relação à trilogia de Senhos dos Anéis.

Melhor Som

Argo
Django Livre
As Aventuras de Pi
A Hora mais Escura
007 – Operação Skyfall

Quem deve ganhar: Argo

Quem merece ganhar: 007 – Operação Skyfall

Quem pode surpreender: A Hora mais Escura

Melhor Mixagem de Som

Argo
Os Miseráveis
As Aventuras de Pi
Lincoln
007 – Operação Skyfall

Quem deve ganhar: Os Miseráveis

Quem merece ganhar: 007 – Operação Skyfall

Quem pode surpreender: Argo

Melhor Curta de Animação

Adam and dog
Fresh guacamole
Head over heels
Maggie Simpson in ‘The Longest Daycare’
Paperman

Quem deve ganhar: Paperman

Quem merece ganhar: Paperman

Quem pode surpreender: Ninguém. Vai dar Paperman.

Melhor Figurino

Anna Karenina
Os Miseráveis
Lincoln
Espelho, Espelho meu
Branca de Neve e o Caçador

Quem deve ganhar: Anna Karenina

Quem merece ganhar: Os Miseráveis

Quem pode surpreender: Espelho, Espelho Meu

Melhor Direção de Arte

Anna Karenina
O Hobbit: Uma Jornada Inesperada
Os Miseráveis
As Aventuras de Pi
Lincoln

Quem deve ganhar: Os Miseráveis

Quem merece ganhar: Os Miseráveis

Quem pode surpreender: Lincoln

Melhor Maquiagem

Hitchcock
Os Miseráveis
O Hobbit: Uma Jornada Inesperada

Quem deve ganhar: Os Miseráveis

Quem merece ganhar: Os Miseráveis

Quem pode surpreender: Hitchcock

Quem não merece ganhar de jeito nenhum: O Hobbit. Repetir o mesmo trabalho de anos atrás não é exatamente algo original.

Documentário em longa-metragem
5 broken cameras
The gatekeepers
How to survive a plague
The invisible war
Searching for a sugar man

Não vi nenhum da lista. Minha aposta vai para The InvisibleWar.

Documentário em curta-metragem

Inocente
Kings point
Mondays at Racine
Open heart
Redemption

Não vi nenhum da lista. Minha aposta vai para Open Heart, pelo tema.

Melhor curta-metragem

Asad
Buzkashi boys
Curfew
Death of a shadow (doos van een schaduw)
Henry

Não vi nenhum da lista. Minha aposta vai para Death of a Shadow.

Crítica | O Vôo

Crítica | O Vôo

Mesmo se não fosse um ótimo filme – e o é -, O Vôo já seria uma obra de destaque por conter uma das sequências de acidente de avião mais angustiantes e espetaculares já realizadas para o cinema. São mais de 8 minutos de filme em que o diretor Robert Zemeckis mergulha personagens e plateia em uma queda descontrolada, na qual mesmo os mais impassíveis terão seus batimentos acelerados de forma incondicional. Um triunfo de técnica, montagem e direção.

Isto demonstra, de forma satisfatoriamente positiva, que, mesmo após passar os últimos anos investindo em produções calcadas na tecnologia de captura de movimento (e cujo resultado nunca passou do apenas interessante), Robert Zemeckis ainda possui o talento e a visão que presentearam o público com clássicos como Forrest Gump, a trilogia De Volta para o Futuro e Contato.

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Crítica | O Lado Bom da Vida

Crítica | O Lado Bom da Vida

Se não fosse dirigido por David O. Russel (do excelente O Lutador), é provável que O Lado Bom da Vida não fosse nada além de uma entre as dezenas de comédias românticas que invadem os cinemas a cada dois meses ou, no lado extremo da situação, um drama (também romântico) na linha dos genéricos de Nicholas Sparks.

Se entregando sem o menor pudor aos clichês mais banalizados do gênero romance, o filme consegue se destacar entre seus congêneres pelo trabalho excepcional de sua dupla de protagonistas, por um elenco de apoio afinado e por uma história que, se não é das mais originais, consegue envolver o espectador e fazer com que ele se reconheça, de uma forma ou de outra, nas situações ali apresentadas.

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Crítica | Os Miseráveis

Crítica | Os Miseráveis

Levar às telas uma versão fidedigna de um dos musicais mais famosos e queridos da Broadway (por sua vez uma versão do original francês), sem fazer concessões ao público – leia-se manter o elenco cantando em todos os momentos do filme, inclusive nos mais simples diálogos – e ainda resgatar a energia e a emoção dos palcos não é uma tarefa fácil.

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