Review | Mientras Duermes (2011)
Mientras Duermes (Enquanto Você Dorme) é um eficiente suspense psicológico do diretor Jaume Balagueró (de REC), que aqui abandona o terror explícito e investe numa trama sobre um zelador (o interessante Luís Tosar, de Lope) obcecado por Clara (a bela Marta Etura), uma jovem moradora do pequeno condomínio em que trabalha.
Os Melhores Filmes de 2011
A retrospectiva 2011 do blog A Mosca da Cabeça Branca continua agora com os melhores filmes de 2011. Assim como na categoria anterior, estão considerados apenas os filmes lançados comercialmente no Brasil este ano, no cinema ou direto em vídeo. Por conta disso, temos alguns representantes ainda de 2010 e alguns que poderiam estar na lista (como Drive, A Invenção de Hugo Cabret ou Os Descendentes, por exemplo) que só serão avaliados em 2012. Confira a lista abaixo e veja como 2011 foi um ano de grandes e marcantes experiências no cinema. A lista está em ordem alfabética.
Crítica | A Fera *
Há pelo menos duas versões do conto A Bela e a Fera que valem a pena ser conhecidos. Há o clássico de 1946, de Jean Cocteau, e há o maravilhoso desenho da Disney de 1991. E há A Fera. Versão teen do conhecido conto de fadas, o filme é uma tentativa de modernizar a história para a geração que pôs Crepúsculo no topo das bilheterias. Para isso, colocou o astro em ascensão Alex Pettyfer (de Eu sou o Número Quatro e Alex Rider contra o Tempo) e a mocinha de High School Musical, Vanessa Hudgens, para formarem o casal romântico. O resultado porém, está aquém de qualquer possibilidade de redenção, oferecendo uma das experiências mais bizarras dos últimos meses.
Transportando a trama para a Nova Iorque dos dias de hoje, o diretor Daniel Barnz - com base no livro homônimo de Alex Flinn – nos apresenta o belo, egocêntrico, arrogante e superficial Kyle, estudante milionário que, certo dia, humilha a jovem bruxa interpretada por uma envelhecida e esquisita Mary-Kate Olsen. Como não se deve humilhar bruxas no Ensino Médio de Nova Iorque, Kyle é amaldiçoado e se transforma em um ser grotesco, pavoroso e feio, que só poderá ser salvo se, no período de um ano, achar alguém que realmente o ame e lhe dê um beijo verdadeiro da paixão. Ou coisa parecida.
Como, aparentemente, ser amaldiçoado por uma bruxa adolescente é um fato bastante comum na cidade, ninguém dá muita atenção a essa situação. Assim, o pai do protagonista, um famoso apresentador de televisão, ao invés de tentar ao menos entrevistar a bruxa, simplesmente resolve colocar seu filho em um apartamento longe do centro da cidade sob os cuidados de uma governanta jamaicana e de um tutor cego (Neil Patrick Harris, pagando o aluguel e fazendo o papel de Yoda no filme). Em determinado momento, imaginei que a bruxa poderia transformá-los em uma chaleira e um castiçal cantores, o que tornaria o filme bem mais interessante, com certeza.
Decidido a achar alguém para chamar de seu, o agora monstruoso Kyle passa a perseguir a jovem Lindy, uma das poucas pessoas que gostava dele pelo seu interior, e não por parecer um modelo da Calvin Klein. Disposto a conquistá-la, o jovem bem-intencionado resolver chantagear o pai drogado e meliante da moça para que esse a deixe por algum tempo em sua casa, onde cuidará de sua segurança. A jovem, que até este momento aparentava ter um mínimo de bom senso, não só concorda com isso como fica feliz em ficar hospedada na casa de uma pessoa que sequer mostra seu rosto. Após algum tempo de convivência, a jovem percebe que aquele ser deformado e abjeto é, bem lá no fundo, uma boa pessoa. E tudo termina bem, claro.
A falta de um conflito maior e o ritmo sonolento do filme, porém, não são seus fatores principais de fracasso. O que afunda definitivamente a obra é sua premissa principal, ou seja, a aparência de fera do jovem Kyle. Ao contrário dos filmes anteriores e mesmo da obra de Alex Flinn, a maldição de Kyle o transforma, de um jovem loiro e bem apessoado, para um jovem careca, com algumas cicatrizes e belas tatuagens no rosto. E é isso. Não apenas fica difícil para o espectador acreditar em todo o drama do jovem desfigurado, como fica óbvia a ingenuidade e o preconceito do diretor em posicionar pessoas diferentes do padrão estético vigente como bruxas ou monstros. Esse comportamento imbecil, inclusive, acaba sendo abraçado pelos personagens do filme, pois ninguém é capaz de sugerir ao jovem Kyle, por exemplo, que ele visitasse uma convenção de tatuadores para encontrar sua alma gêmea.
Além de tudo isso, o filme também é rico em atuações constrangedoras, situações forçadas e furos homéricos de roteiro. Assim, se Alex Pettyfer não sabe se está em um drama ou numa comédia romântica, temos Vanessa Hudgens atuando como se estivesse bêbada, sonolenta ou drogada. Ou todas as opções anteriores. Somente Neil Patrick Harris, ciente da roubada em que estava se metendo, consegue traduzir de forma eficiente o cinismo de seu personagem. E o que dizer dos personagens secundários que resolvem dar sua opinião sobre o protagonista exatamente no momento em que ele resolve reaparecer, meses depois de ter sumido? Nada bate, porém, a lerdeza de raciocínio de Lindy que, não consegue reconhecer na criatura tatuada com quem convive (e conversa) diariamente, o mesmo jovem pelo qual ela foi apaixonada por três anos seguidos.
Contando ainda com diálogos pedestres (‘Há um buraco no meu coração’), metáforas visuais óbvias (a começar pela mudança de ambiente, do topo de Nova Iorque para os andares baixos do subúrbio), psicologia de botequim (Kyle é uma pessoa ruim por conta do pai ausente) e erros crassos de produção (o colégio funciona como um aeroporto?), A Fera é o tipo de filme feito por pessoas presunçosas e incompetentes que sequer entendem quem é seu público. Quer uma versão da Bela e a Fera passada nos dias de hoje? Procure a série de televisão com Linda Hamilton e Ron Perlman. Não há como errar.
1/5


