Crítica | À Toda Prova

Crítica | À Toda Prova

Se produzido nos anos 80, é provável que À Toda Prova fosse protagonizado por Cynthia Rothrock, a lutadora de artes marciais que se tornou estrela de filmes de ação de baixo orçamento no período. A comparação não é gratuita. Dirigido por Steven Soderbergh, que no ano passado entregou o sério e pesado

Contágio, o filme À Toda Prova é um típico exemplar do gênero espionagem e vingança deliciosamente descerebrado, com um elenco secundário fabuloso e uma protagonista que, se não tem a menor familiaridade com as artes da atuação, compensa tudo isso com uma presença magnética, sexy e carismática. Read more

Crítica | Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge

Crítica | Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge

Em Batman Begins, o primeiro filme da saga dirigida por Chistopher Nolan, a cidade de Gotham City nada mais era do que um mix de efeitos digitais e cenários obscuros. Já em O Cavaleiro das Trevas, Gotham assumia as luzes e as formas da cidade de Chicago. Agora, Nolan ambienta a conclusão de sua trilogia na cidade de Nova York, não apenas uma das maiores cidades do mundo mas protagonista de uma das maiores tragédias da história recente.

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7 músicas que se tornaram insuportáveis graças ao cinema

7 músicas que se tornaram insuportáveis graças ao cinema

É sempre assim. Um filme faz sucesso e a música – original ou aproveitada na trilha sonora – começa a tocar em todas as rádios, programas de televisão, ganha uma versão dublada em estilo sertanejo ou pop do artista do momento e acaba como tema romântico da novela das 9. Quando chega este ponto, porém, a desgraça já está feita. Confira agora sete músicas que simplesmente ninguém mais consegue ouvir sem pensar que o suicídio, às vezes, pode ser uma opção viável.

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Cinema Catástrofe | 10 Filmes Essenciais

Cinema Catástrofe | 10 Filmes Essenciais

Dentre os diversos gêneros existentes no cinema, o filme catástrofe ressalta-se por ter como protagonista não uma pessoa, mas sim um determinado evento. E não um evento qualquer, mas que irá causar alterações profundas no ambiente físico e na vida dos personagens, de maneira muitas vezes permanente.

O filme catástrofe tem algumas características específicas que os diferenciam dos outros gêneros. Usualmente, trabalham com um grande e conhecido elenco, o que permite aos produtores e diretores entrarem sem rodeios na história principal, sem a necessidade de desenvolver este ou aquele personagem: o histórico dele e sua marca no imaginário popular cuidam de fazer esta parte.

A grandiosidade do elenco permite ainda que sejam definidos diversos comportamentos que fazem um bom apanhado das várias facetas do ser humano. Assim, é comum que estes filmes apresentem estereótipos padrão como o líder, o covarde, o traiçoeiro, o casal em crise, a criança, a moça virginal e assim por diante. A garantia de sobrevivência de parte deste elenco, mesmo em detrimento da morte de dezenas ou milhões de pessoas sempre será compensador para o espectador.

Para montar esta lista, partimos do princípio ilustrado acima de que o evento catastrófico é o protagonista da trama, ou seja, todos os outros personagens movem-se em função dele e é ele quem define o andamento do filme. Desta maneira, evitamos obras como Duro de Matar ou King Kong, visto que a destruição ocorrida nestes filmes são consequencias de atos de outros personagens ou de eventos anteriores, mas não o principal foco da história. Traduzindo: King Kong não é sobre a destruição de Nova Iorque e Duro de Matar não é sobre a destruição do Nakatomi Plaza. E iremos, para garantir a unidade temática, apresentar apenas obras nas quais podemos presenciar as catástrofes, e não os acontecimentos após a mesma, como em filmes como Matrix, A Estrada e O Exterminador do Futuro.

Vamos à nossa lista, em ordem alfabética, sem preferência definida.

Armageddon (1998). Partindo de um dos argumentos mais batidos da ficção científica (‘objeto desconhecido aproxima-se da Terra e grupo de pessoas notáveis é reunido para impedir sua chegada’), Michael Bay lançou Armageddon no mesmo ano de Impacto Profundo. Ao contrário de seu concorrente, que resgatava muito do filme-catástrofe dos anos 70, com seus dramas familiares e sacrifícios em prol da humanidade, Armageddon investiu pesado nas impressionantes cenas de destruição e na ação intermitente. Não é difícil imaginar quem saiu vitorioso desta batalha. Com este filme, Michael Bay aprimorou seu estilo de direção e montagem taquicardíacos, não permitindo nenhum plano com mais de 10 segundos de duração, resultando no que conhecemos hoje em dia como Transformers. Por trás de uma história totalmente inverossímil (e nem estou falando do meteoro em si), temos Bruce Willis e Ben Afleck discutindo pelo amor de Liv Tyler, muita câmera lenta e um excesso de bandeiras dos Estados Unidos tremulando ao sol. Vale pela música do Aerosmith, que consegue salvar o filme lá pelo seu finalzinho.

Destino do Poseidon (1972). Com certeza um dos mais bem acabados exemplos do cinema catástrofe dos anos 70. Produzido (e co-dirigido) por Irwin Allen – que adorava um desastre – o filme definiu para sempre a estrutura dramática e narrativa do gênero. Com efeitos impressionantes para o período, o filme conta a história dos passageiros do poderoso navio Poseidon que, após um tsunami, vira de cabeça para baixo no mar. Um grupo heterogêneo é o único que consegue sair em busca da salvação. Neste caso, falamos da salvação tanto do corpo como da alma, muito por conta da força do padre interpretado com gana por Gene Hackman. Com um elenco que incluía ainda Ernest Borgnine, Roddy Mcdowall e Shelley Winters, O Destino do Poseidon foi um sucesso avassalador, teve uma continuações dispensável e gerou uma refilmagem em 2006 que, embora tecnicamente superior, perde muito no quesito empatia. Ganhou ainda um Oscar de melhor canção pela hoje chatinha Morning After.

Gojira (1954). Fruto direto da política armamentista dos anos 50, Gojira surgiu como um imenso lagarto criado a partir de testes atômicos realizados no Japão.  Imediatamente traduzido para Godzilla, tornou-se um dos mais inusitados astros do cinema catástrofe, tendo aparecido em mais de  30 produções desde sua estréia. A história tem sido basicamente a mesma: o lagartão chega em alguma cidade, destrói todas as maquetes do estúdio e invariavelmente é derrotado, ora pelos mocinhos ora por algum ser gigante do mesmo naipe, como Megaro ou Biorante. Em alguns casos, Godzilla pode ser também o mocinho da história. Em 1998, Rolland Emerich (sempre ele) resolver fazer a sua versão do lagarto gigante, desta vez invadindo Nova Iorque. Infelizmente, um roteiro derivativo – que copiava descaradamente Jurassic Park – e cenas de ação constrangedoras levaram o filme ao fracasso. Foi homenageado de forma honrosa no ótimo Cloverfield.

 Guerra dos Mundos (2005). Refilmagem da ingênua versão de 1953, esta produção dirigida por Steven Spielberg apresenta algumas das mais impressionantes cenas de destruição já registradas em película, em especial na sua primeira metade. Fazendo referências diretas ao 11 de setembro, o filme ganha pontos pelo design das criaturas e das naves espaciais (chamados de tripods). Infelizmente, o roteiro completamente equivocado de David Koepp e Josh Friedman resolve focar demais no personagem de Tom Cruise e sua família chatinha, deixando passar furos fenomenais na trama que afastam qualquer possibilidade de interação do público com a história.

Independence Day (1996). Uma das produções mais emblemáticas dos anos 90, Independence Day surpreendeu um público acostumado a tragédias de escopo reduzido e mostrou, pela primeira vez, destruição em escala mundial com efeitos convincentes. Diretor competente (mas roteirista nem tanto) Roland Emmerich trabalha o suspense inicial antes do ataque de forma magistral, apresentando os personagens principais (cada um representando um estereótipo racial e social) e preparando o público para cartada final dos alienígenas. É uma pena, portanto, que após este início primoroso, o filme descambe para um filme de ação rasteiro com direito a discursos ufanistas do presidente do EUA e a armada espacial sendo destruída por conta de um vírus de computador.Do mesmo diretor, podemos ainda destacar o interessante O Dia depois de Amanhã e o tresloucado 2012.

Inferno de Dante (1997). Novamente em função das diversas coincidências do cinema, Inferno de Dante foi lançado no mesmo ano de Volcano. Neste caso, não é difícil imaginar quem se deu bem, já que o filme estrelado por Tommy Lee Jones é uma bela porcaria. Produzido por Gale Anne Hurd – na época esposa de James Cameron – o filme traz Pierce Brosnan e Linda Hamilton lutando contra a erupção de um vulcão na cidade de Dante’s Peak. Com um clichê atrás do outro, que vão desde o prefeito que não acredita na ameaça até o cachorro que é salvo na última hora, o filme se mantém por conta dos espetaculares efeitos especiais e pelo ritmo acelerado conduzido pelo diretor Roger Donaldson. Como curiosidade, o filme tem o que é considerado nos dias de hoje como uma das mortes mais imbecis da história do cinema.

Inferno na Torre (1974). Outra produção seminal dos anos 70, Inferno na Torre partia do mesmo princípio de Poseidon: atores famosos, cenários grandiosos e uma tragédia de proporções épicas. Neste caso, a dupla da vez eram nada menos que Paul Newman e Steve Mcqueen, principais num elenco que contava ainda com William Holden, Faye Dunaway, Fred Astaire e até O.J. Simpson. Fascinado por uma destruição, reza  a lenda que o produtor Irwin Allen deixava a direção de atores para John Guillermin (o mesmo da versão setentista de King Kong) e cuidava ele mesmo das cenas de ação. Por motivos óbvios, é provável que este seja um dos poucos filmes dos anos 70 (assim como a série Aeroporto) que não deve ganhar uma refilmagem tão cedo. Afinal, ninguém quer ver, ainda, um filme sobre um arranha-céus pegando fogo.

Presságio (2009).  A lista de filmes envolvendo o fim do mundo encontra em Presságio um de seus representantes mais interessantes. Dirigido pelo talentoso Alex Proyas, de Cidade das Sombras e Eu, Robô, o filme é uma intrincada trama que envolve números enigmáticos, observadores misteriosos e tragédias anunciadas. Numa das boas atuações de Nicolas Cage nos últimos anos, o filme oferece sequencias impressionantes de destruição e possui um tom fatalista pouco comum à produções deste tipo. A conclusão assumidamente sci-fi desapontou boa parte dos espectadores, que, por conta das propositais sugestões do roteiro, buscavam uma solução de cunho religioso. Ainda assim o filme se posiciona hoje como uma obra corajosa, visual e emocionalmente impressionante.

Titanic (1997). Este era, até o lançamento de Avatar, a maior bilheteria da história do cinema. Unindo de forma perfeita o gênero catástrofe com o gênero romance, James Cameron produziu uma obra que encantou milhões de pessoas e transformou – felizmente por pouco tempo – Celine Dion em mania mundial. Partindo de um argumento simples (o da ‘pobre menina rica’) Cameron produziu uma das obras visualmente mais grandiosas da história do cinema, unindo de forma perfeita efeitos mecânicos e digitais para levar ao público a exata sensação do que seria o naufrágio do Titanic. Visto hoje, cansa um pouco o excesso de vezes em que os protagonistas interpretados pelos jovens Leonardo di Caprio e Kate Winslet ficam se chamando pelo nome (“Rose!”, “Jack!”), mas  nada que atrapalhe esta experiência impressionante.

Twister (1996). Produzido por Steven Spielberg, Twister trazia um grupo de caçadores de tornados literalmente correndo pelos Estados Unidos em busca de conhecimento sobre o fenômeno. Com um roteiro praticamente inexistente (o filme não passa de uma sequencia contínua de cenas de ação com os tornados cada vez maiores), Twister apresentava os efeitos mais impressionantes de desastres naturais já produzidos no cinema até aquela época. A direção estilo piloto automático de Jan de Bont funciona bem para a história, há um casal simpático – interpretado por Helen Hunt e Bill Paxton – e um grupo de exploradores que saltaram deste diretamente para Titanic. Um clássico da sessão da tarde.

30 Filmes que definiram os anos 80

30 Filmes que definiram os anos 80

Se Marty Mcfly, do filme De Volta para o Futuro, viesse parar em 2011 e fosse no cinema, ele provavelmente iria achar que seu De Lorean não estava funcionando, pois ele veria cartazes de filmes como Conan, o Bárbaro, A Hora do Espanto e Footlose, além de, claro, Super 8, o filme mais oitentista dos últimos tempos. O certo é que os anos 80, tão criticados por seus excessos visuais, música eletrônica, penteados estranhos e o Duran Duran, estão novamente na moda (se é que chegaram a sair um dia). Aproveitando a deixa, vamos a mais uma das listas que todos tanto gostamos. Neste caso, 30 filmes que são a cara dos anos 80.

1. O Império Contra-Ataca (1980) – O filme que deu início ao anos 80 é a fantasia de ação definitiva. Nunca mais George Lucas acertou a mão em sua saga espacial como nesta obra. Não satisfeito em ampliar os limites de sua saga para níveis nunca imaginados, ainda criou um dos maiores vilões do cinema de todos os tempos. Este Darth Vader é o verdadeiro, não aquele garoto chato e mimado das continuações.

2. Caçadores da Arca Perdida (1981) – Uma aula de como se deve começar um filme, Caçadores da Arca Perdida imortalizou Harrison Ford como o arqueólogo – com um quê de mercenário – Indiana Jones e de quebra mostrou como o cinema de referências pode criar obras originais e geniais ao mesmo tempo.

3. E.T (1982) – A parceria com George Lucas mostrou a Steven Spielberg como fazer mais com menos. A história do garoto que encontra um alienígena e tenta ajudá-lo a voltar para casa é um clássico moderno que conquistou toda uma geração, com soluções visuais e dramáticas irreparáveis. Esqueça a versão chapa-branca lançada anos depois por Spielberg, com um E.T. em CGI e walkie-talkies nos lugar das armas.

4. Goonies (1985) – Após o sucesso de E.T., Spielberg passou a produzir pequenas pérolas com diretores que admirava. Aqui, ele chama Richard Donner, de Superman, para dirigir a história dos garotos que buscam o tesouro do pirata Willy Caolho ao mesmo tempo que tentam salvar suas casas e escapar de uma família de mafiosos. E tem o Slot ainda.

5. De Volta para o Futuro (1985) – Imagine voltar ao passado e poder encontrar seus pais quando eles tinham a sua idade. É isso que o jovem Marty Mcfly consegue ao usar a máquina do tempo do doutor Brown instalada num DeLorean. Uma aventura deliciosa com personagens carismáticos, com uma nostalgia tocante e um ritmo alucinado que o tornou um dos filmes mais queridos de todos os tempos.

6. Rambo (1982) – Stallone é um veterano da Guerra do Vietnam que é caçado por um xerife de uma pequena cidade do interior. Não conformado com essa situação, ele simplesmente destrói toda a cidade, comprovando que, no fundo, o xerife tinha razão. A trama do exército de um homem só encontraria em Rambo sua melhor tradução. As continuações, infelizmente, transformaram o personagem em um caricatura difícil de ser encarada. Filmes como Duro de Matar e Predador devem tudo a Rambo.

7. Rocky 3 e Rocky 4 (1982 e 1985) – A história é basicamente a mesma, por isso é mais fácil colocar os dois filmes juntos. Após uma luta desastrosa na qual seu melhor amigo morre, Rocky decide se afastar de tudo e de todos para recuperar seu espírito de guerra. Após uma conversa com sua esposa, temos a montagem de treinamento com aquela musiquinha legal e Rocky vence a luta quando ninguém mais acreditava nele. Básico.

8. Ases indomáveis (1986) – O filme que lançou Tom Cruise como astro do cinema tem, até hoje, cenas aéreas impressionantes, embora o lado psicológico da trama seja pedestre ao extremo. Um dos primeiros filmes produzidos por Jerry Bruckheimer, o que garante muito contra-luz, edição taquicardíaca e máquinas tratadas como amantes.

9. Gremlins (1984) – Outra produção de Steven Spielberg. Aqui, o filme que começa fofinho, com citações explícitas ao Mágico de Oz, se transforma num filme de monstros sacanas que nem são tão maus assim. No fundo, eles só queriam se divertir. Teve uma continuação em 1990 que era ainda mais alucinada.

10. A Hora do Espanto (1985) – A história clássica de vampiros traduzida para os anos 80. O diretor Tom Holland, infelizmente, não repetiu a qualidade deste filme em seus trabalhos posteriores. Uma homenagem emocionante a Roddy Mcdowall num filme de efeitos especiais econômicos e eficientes, com um vilão charmoso e uma mocinha de fidelidade dúbia, contando ainda com a belíssima trilha de Brad Fiedel, o mesmo de O Exterminador do Futuro. Deu origem à mania brasileira de nomear filmes com o prefixo A Hora, como A Hora do Pesadelo, A Hora da Zona Morta e A Hora do Lobisomem.

11. Aliens – O Resgate (1987) – A continuação tardia da ficção-científica dos anos 70 trocou o clima de filme de terror pelo de uma aventura bélica com personagens bem desenhados e um ritmo alucinante. Cortesia do diretor James Cameron, que todos sabem onde veio parar nos dias de hoje. E tem ainda a melhor frase ‘chega pra lá’ da história do cinema: “Get away from her, you bitch!”

12. A História sem Fim (1984) – Uma das aventuras infanto-juvenis mais reprisadas na Sessão da Tarde conta a história do garoto que, por meio de um livro mágico, vai parar num reino de fantasia onde deve ajudar a salvar a princesa. E, sim, é nesse filme que o cavalo do garoto morre na areia movediça e traumatiza toda uma geração.

13. Curtindo a Vida Adoidado (1986) – Uma idéia simples transformada num dos filmes mais espertos dos anos 80. Ferris é o cara descolado que resolve matar aula na companhia da namorada e do melhor amigo. Uma celebração à vida e um curioso estudo sobre o que a juventude dos anos 80 sonhava para seu futuro. De John Hughes, que ainda entregou para os cinemas O Clube dos Cinco e Gatinhas e Gatões.

14. Conan, o Bárbaro (1982) – O filme que lançou a carreira de Schwarzenegger nos cinemas é violento e cruel ao extremo. A história do garoto cuja família é assassinada e cresce para buscar vingança como um poderoso guerreiro tinha roteiro de Oliver Stone e uma trilha sonora magnífica de Basil Poledouris, tão épica que transformou este pequeno e barato filme em uma verdadeira super-produção.

15. Exterminador do Futuro (1984) – Uma história que até hoje gera produtos. Aqui temos a trama original, que mostra como um poderoso andróide vindo do futuro tenta matar aquela que será a mãe do futuro líder rebelde. Só que, para salvá-la, também vem do futuro outro rapaz que, ao longo da história, se tornará o pai desse líder rebelde. Ou coisa parecida. Independentemente destes furos na história, o filme carimbou James Cameron como um excelente realizador, com uma das conclusões mais angustiantes do cinema.

16. Comando para Matar (1985) – Ex-militar enfrenta seus inimigos para resgatar a filha pequena. Este filme é tão exagerado que hoje funciona como uma paródia do gênero. Schwarzenegger metralha tudo e todos sem sequer trocar a munição, enfrenta um vilão caricato que é a cara do Freddie Mercury, imita o Rambo e solta frases de efeito a cada 5 minutos. Basicamente uma comédia.

17. A Cor Púrpura (1985) – A primeira incursão de Spielberg no drama resultou num filme irregular e maniqueísta, mas emocionante ao extremo. Baseado no livro de Alice Walker, conta a história de Miss Cellie, interpretada por Whoopy Goldberg, abusada pelo pai e pelo marido e sua luta em se descobrir como pessoa e como mulher. E tente não chorar na conclusão mais melodramática da história.

18. Um Tira da Pesada (1984) – Eddie Murphy já era um comediante de mão cheia com 20 e poucos anos. No papel do detetive Axel Foley o ator conquistou o mundo e tornou-se um dos maiores astros dos anos 80. Pena que nos últimos anos tenha insistido na fórmula de maquiagem + piadas escatológicas que afundaram sua carreira. Mas este filme de 1984, assim como sua continuação de 1987, firmou os cânones do cinema policial oitentão.

19. Máquina Mortífera (1987) – A aventura dirigida por Richard Donner está entre os melhores exemplos do chamado buddy movie, histórias em que dois policiais de personalidades diferentes precisam trabalhar juntos. A dupla formada pelo desequilibrado oficial Martin Riggs e pelo veterano Roger Murtaugh voltaria numa continuação ainda melhor que o original em 1989.

20. Karatê Kid (1984) – Um adolescente protagonista perdido, um mestre de luta marcial zen, um grupo de garotos ricos mimados e a namorada mais doce dos anos 80. Junte tudo isso a uma história clássica de rito de passagem e você tem Karatê Kid, um dos mais bem-sucedidos filmes do período. Teve mais três continuações que, obviamente, não chegaram aos pés do original.

21. Amadeus (1984) – Baseado na peça original de Peter Shaffer, o filme conta a versão teatral da vida e morte de Mozart e seu relacionamento com o músico Salieri. Vencedor do Oscar de melhor filme, a obra é um excepcional trabalho de direção de Milos Forman, com interpretações antológicas de F. Murray Abraham e Tom Hulce.

22. Sexta-Feira 13 (1980) – A série de slasher movies que entregou para o cinema o assassino Jason Vorhees, aquele que adora assassinar adolescentes no cio em localidades isoladas. Ao contrário do que se pensa, a máscara de hockey só passou a ser usada no terceiro filme e no primeiro quem matava era sua mãe. A série não revelou muitos nomes, mas é clássica a morte de um jovem Kevin Bacon no primeiro filme.

23. Flashdance (1983) – Dentre os musicais dos anos 80, Flashdance foi um dos mais marcantes, seja pela presença da então estreante Jennifer Beals como pela trilha sonora embalado por sucessos como What a Feeling e Maniac. Do período, ainda podemos lembrar de Footlose e Dirty Dancing, entre outros.

24. Platoon (1986) – Oliver Stone resgata suas memórias do Vietnam e faz um dos mais contundentes relatos de guerra já produzidos para o cinema. Violento, realista e carregado no drama, o filme ganhou o Oscar de Melhor Filme e firmou Stone como diretor e roteirista polêmico no cenário americano.

25. Corra que a Polícia vem aí (1982) – Baseado numa fracassada série de televisão, o filme firmou o veterano Leslie Nielsen como ator de comédias e confirmou o talento dos responsáveis por Apertem os Cintos, o Piloto Sumiu em mesclar tramas aparentemente normais com pitadas constantes de nonsense.

26. A Mosca (1986) – O maior sucesso de David Cronenberg é, ao mesmo tempo, seu filme mais acessível e mais escatológico. Baseado no clássico dos anos 50, neste o diretor realiza uma metáfora incisiva sobre como as doenças afetam as pessoas e sobre a influência da tecnologia no ser humano. Doses de ficção científica, suspense, romance e terror transformam este filme num pequeno clássico.

27. Atração Fatal (1987) – Na mesma leva de 9 Semanas e ½, este filme de Adrian Lyne traz Glenn Close como a amante psicopata de Michael Douglas que, de tão má, mata até coelhinhos inocentes. Fez parte do cinema moralista dos anos 80, em que puladas de cerca eram sempre punidas de forma exemplar.

28. Enigma de Outro Mundo (1982) – Dirigido por John Carpenter, este é um clássico exemplar do cinema de terror dos anos 80, no qual gênios de efeitos de maquiagem criavam imagens de pesadelo para os espectadores. Neste aqui temos a clássica cena da cabeça-aranha, cortesia do mestre Rob Bottin, o mesmo do posterior Robocop, outra pérola do período.

29. Coração Satânico (1987) – O filme de Alan Parker infelizmente anda sumido das prateleiras das locadoras e da programação dos canais de TV, mas é um maravilhoso exemplo do casamento entre um roteiro intrigante, um diretor inspirado e dois atores em estado de graça. Mickey Rourke, pouco antes da queda, contracena com um Robert de Niro que é puro mal, numa história que mistura magia negra, filmes noir e um clima pra lá de sensual. Essencial.

30. Highlander (1986) – A história do guerreiro imortal, embora banalizada por duas sequencias desnecessárias e uma série de televisão nos anos 90 é um dos melhores exemplos do cinema oitentão, seja pela narrativa grandiloqüente como pela trilha sonora recheada de músicas do Queen. Sean Connery faz o papel básico de mentor e Christopher Lambert engana com a sua canastrice usual. Envelheceu um pouco, mas ainda é uma boa pedida para uma tarde chuvosa.

O Clichê 2 – A Vingança da Criatividade

O Clichê 2 – A Vingança da Criatividade

CENA 1: É noite e chove na floresta. A mocinha corre em desespero, pois está sendo perseguida por um assassino que já matou todos os seus amigos, entre eles um atleta, um nerd e uma gostosa. Apesar de andar extremamente devagar, o assassino, que está com um facão na mão, consegue alcançar a mocinha. Ao se ver acuada por seu algoz, ela tropeça, cai para trás e , ao invés de se levantar e sair correndo, fica se arrastando de costas na lama.

CENA 2: Dois amigos policiais conversam numa confeitaria tomando um café e comendo um Donuts. O mais velho abre a carteira e mostra para seu amigo a casa de praia que comprou recentemente e onde pretende passar os seus próximos anos, já que irá se aposentar em três semanas. De repente, ouvem um tiroteio na rua e correm para ver qual é a situação. Em meio a uma troca de tiros, o policial mais velho leva um tiro e morre, mas não sem antes pedir a seu amigo que diga para sua esposa que ele a amava muito.

CENA 3: A mocinha entra no avião após ter brigado com aquele que ela achava que seria o amor de sua vida. Este, percebendo a burrada que fez, pega um táxi para o aeroporto para reencontrá-la. Ao chegar no aeroporto, descobre que ela já embarcou. Percebendo que essa seria sua última chance de felicidade, ele conta sua história triste para todos os funcionários e atendentes da companhia aérea e do aeroporto que, não se sabe como, para o avião antes que ele decole para que ele possa finalmente se declarar para sua amada.

Nenhuma das três cenas acima faz parte de algum filme em especial, mas é provável que você já tenha visto essas situações não uma, mas diversas vezes.  Isso é o que se costuma chamar de clichê: ferramentas narrativas que, após o uso recorrente e repetido em diversas produções,  passam a ser lugar-comum. Não há nada de errado com o clichê. Ele tem, inclusive, uma importante missão na criação de uma identificação do espectador com a obra. Quanto mais familiar aquela situação, aquele personagem ou aquele ambiente pareça, maior a possibilidade do espectador  interagir, se importar e acreditar no que está vendo.

O grande problema surge quando o clichê deixa de ser uma ferramenta narrativa e passa a ser uma muleta para roteiristas e diretores sem criatividade, que partem de uma fórmula pré-estabelecida (e bem-sucedida), para gerar produtos sem identidade. Fica, no espectador, aquela impressão de que “é aquela história de sempre”.  Dois filmes recentes, de escalas financeiras e de sucesso diferentes, podem servir como exemplo para o que falamos.

O primeiro caso é o filme A origem (Inception),de Chistopher Nolan.  O filme parte de um clichê temático clássico,o do filme de assalto, no qual um grupo é reunido por um líder, tendo cada um com sua habilidade específica que será essencial no resultado final. Sim, você já viu isso em  11 Homens e um Segredo e suas sequencias, assim como em Efeito Dominó, Uma Saída de Mestre e o último Velozes e Furiosos. Há também o clichê do protagonista que guarda um segredo do seu passado, assim como o clichê da novata que serve de interface entre a trama complexa e o espectador. Ainda assim, o roteirista e diretor Christopher Nolan consegue extrapolar essas situações comuns e criar uma história surpreendente e inovadora, na qual as linhas narrativas vão se encontrando até o clímax devastador. Um exemplo claro de que é possível trabalhar os clichês e as situações vistas em outros filmes em algo novo.

Do outro lado, temos o filme Sobrenatural (Insidious), uma produção de custo baixo com atores do segundo escalão de Hollywood. O filme apresenta diversos clichês factuais e narrativos comuns aos filmes de terror. Câmera na mão, como em A Bruxa de Blair e Atividade Paranormal? Sim,está lá. Sustos falsos? Confere. Fotografia lavada,com iluminação natural? Confere. Crianças em perigo? Também. Este porém, não seria nenhum problema, visto que são situações que ocorrem em 90% dos filmes de terror nos dias de hoje.

O que leva Sobrenatural para o chão não são os clichês, mas a trama derivada quase que integramente do filme Poltergeist, de 1982. Se você duvida, preste atenção na sinopse: Casal classe média com 3 filhos percebe fenômenos estranhos em casa. Pouco tempo depois, o espírito do filho mais novo é levado para o limbo. Com a ajuda de uma especialista na área espiritual e seus dois ajudantes – que levam uma série de equipamentos de filmagem para a casa – eles descobrem que o filho está cercado por almas penadas e por um espírito do mal. Um dos pais, então, vai para o além buscar a criança, não sem antes ter de impedir que os mortos invadam e destruam sua casa. Não se trata de referência, mas de plágio puro e simples.

A referência, quando bem trabalhada, não é problema nenhum. O cinema de Quentin Tarantino vive e respira referências culturais, musicais e cinematográficas de outros países e outras épocas, como a saga Kill Bill e Bastardos Inglórios. Assim como o clichê, o problema da referência é quando ela deixa de ser uma homenagem e se transforma em um recurso visual ou temático desgastado. Quando Matrix saiu, nos distante ano de 1999, o que existia de pior não eram as paródias às cenas de luta ou às cenas congeladas, mas a utilização ad nauseum do efeito bullet time e de cabos nas cenas de ação, que iam desde os filmes das Panteras até qualquer filme do Wesley Snipes.

Um olhar bem atento a diversos filmes em cartaz permite que o espectador perceba que, ao mesmo tempo em que surgem obras de caráter inovador, mesmo baseadas em elementos devidamente identificados no imaginário popular, abundam (no mal sentido) produtos sem personalidade que apenas reciclam boas idéias produzidas ao longo dos anos, sem, no entanto, criar algo inovador. Assim, para cada A origem, X-Men: Primeira Classe, Cisne Negro Meia Noite em Paris, Bravura Indômita e A Rede Social, há um Lanterna Verde, um Zé Colméia, um Transformers e um – sinto muito – Discurso do Rei. Sim, porque o clichê do professor que ajuda o aluno a encontra sua própria voz também já foi contado antes – e bem melhor.

Poltergeist, quase 30 anos depois

Poltergeist, quase 30 anos depois

Poltergeist estrou nos EUA no dia 4 de julho de 1982. Não por acaso,  o filme abre com o hino americano, que era usualmente tocado ao fim da programação dos canais de televisão aberta naquele período. No momento em que o aparelho de TV fica fora do ar, a caçula da família Freeling desce de seu quarto para a sala e começa a conversar com alguém, ou algo, que supostamente está dentro da televisão. Essa é a primeira aparição do povo da TV.

Produzido por Steven Spielberg em um período inacreditavelmente criativo, Poltergeist foi dirigido por Tobe Hooper, o mesmo homem por trás de O Massacre da Serra Elétrica. A história por trás dessa produção conturbada valeria um outro texto, mas é importante saber que Tobe Hooper seguiu não apenas o roteiro, o storyboard e as orientações de Spielberg, mas teve o diretor ao seu lado em todos os momentos de folga da filmagem de E.T., produzido no mesmo ano. Spielberg ainda editou o filme ao lado de Michael Kahn, seu montador usual. Mesmo quase 30 anos depois, é visível que o filme tem todas as técnicas e as manhas que Spielberg aprimorou ao longo do tempo e em nada lembra trabalhos anteriores ou posteriores de Tobe Hooper (que eventualmente mostrou-se muito limitado em suas realizações, com bombas como Força Sinistra e O Massacre da Serra Elétrica 2). Portanto, para fins de argumentação, passarei a tratar o filme como mais um de Steven Spielberg.

A história é conhecida. Família de classe média que vive no subúrbio passa a conviver com diversos fenômenos estranhos em casa, até que a filha menor é levada para outra dimensão. Com a ajuda de uma especialista, conseguem trazer a filha de volta, mas não sem antes enfrentar a fúria dos espíritos que habitavam um antigo cemitério local.

O filme pode ser visto como um complemento à E.T. Enquanto no filme do alienígena a calmaria do subúrbio é alterada por algo que vêm de fora (ou de outra galáxia), neste o distúrbio vêm de dentro de casa . Vista inicialmente como uma curiosidade divertida, a presença dos espíritos na casa logo mostra-se ameaçadora, com uma árvore gigante tentando engolir o filho do meio e a pequena Carol Anne sendo tragada para dentro do armário. Os efeitos especiais do filme, realizados numa época obviamente pré-CGI, ainda impressionam, mesmo que em alguns casos já não convençam tanto,como no caso da cena em que um dos pesquisadores começa a arrancar pedaços do rosto (evidentemente a única cena que Tobe Hooper teve liberdade para dirigir). É visível, porém, a intenção clara de utilizar efeitos realizados on stage, ou seja, durante as filmagens, como no clímax, com o surgimento dos cadáveres que saem da piscina e do piso da casa.

Contribuem enormemente para o clima de sustos e tensão do filme a excelente trilha sonora de Jerry Goldsmith, com seus metais e coros fantasmagóricos, em um de seus últimos grandes trabalhos, antes de transformar todas as suas trilhas em pastiches de Rambo. O design de som também merece destaque, com vozes e efeitos sonoros colocados de forma subliminar para acentuar o caráter sobrenatural da trama.

Nada disso, porém, teria efeito se o elenco não funcionasse como um relógio. Como a mãe das crianças, Jobeth Williams tem uma atuação memorável, demonstrando, quando necessário, seu lado maternal, o desespero pelo perda da filha, o medo pelo desconhecido que se aproxima e a coragem quando precisa salvar sua família. É uma pena que ela não tenha se destacado mais em seus trabalhos posteriores. Craig. T. Nelson,como o pai, transita com brilho entre a incredulidade e a resignação. Quanto às crianças, o destaque vai para a pequena Carol Anne, interpretada por Heather O´Rourke, natural como poucas crianças de 5 anos conseguem ser nas telas nos dias de hoje. Oliver Robbins e Dominique Dunner, como os filhos mais velhos, também se saem bem.

Há ainda, claro, a oscarizada Beatrice Straight e a pequenina Zelda Rubinstein, no papel de Tangina Barrons, uma clarividente cuja missão principal é limpar casas infestadas por espíritos, que rouba a cena sempre que aparece. Repare, por exemplo, em seu orgulho ao ser filmada após o retorno de Carol Anne.

Há sequencias no filme que se tornaram clássicas, como a do palhaço, a da mãe que se arrasta pelas paredes ou da piscina de cadáveres. Além de contar com a frase clássica “Não vá para a luz”. A trama, ao longo dos anos, tem sido reciclada em diversos filmes. O último, como veremos na próxima semana, é o terror Sobrenatural, que segue todas os passos do original, inclusive com a cena em que um dos pais vai para o além em busca do filho.

Mesmo quase 30 anos depois de realizado, ainda se mantém como um dos mais, se isso é possível, divertidos filmes de terror já realizados, daqueles em que se pula da cadeira a cada 10 minutos e em que nos preocupamos realmente com o destino dos personagens. Há ainda, a crítica pouco sutil à televisão como meio de comunicação, em um período em que o vídeo cassete ameaçava (como sempre) o reinado do cinema.

Infelizmente, o destino dos atores não foi tão feliz como na telona. A atriz Dominique Dunne, que fazia a irmã mais velha, foi assassinada pelo namorado antes da estréia do filme. Heather O´Rourke, que ainda faria duas continuações dispensáveis do filme, faleceu aos 12 anos, em 1988. O ator Julian Beck, que fazia o reverendo Kane em Poltergeist II, morreu durante as filmagens. Coincidências trágicas que ajudaram na criação da maldição de Poltergeist. Lendas urbanas que, felizmente, não impedem a apreciação deste grande filme.

5/5

Hugo Cabret

Esse promete. Um filme em 3-D de Martin Scorcese, com Jude Law, O Borat e Chloe Moretz. Pelas imagens, já dá para perceber que Scorcese pretende trabalhar o 3-D de forma diferente do que tem sido feito ultimamente, utilizando-o como ferramenta de narrativa e não como simples efeito de jogar elementos na plateia. Vamos aguardar.

Trailer do novo Homem-Aranha

A Columbia disponibilizou essa semana o trailer do novo filme do Homem-Aranha, que estreia em 2012. Sinceramente, não me empolgou muito. O principal problema é perceber que o filme irá traçar novamente a origem do aracnídeo, visto há pouco mais de 10 anos no cinema e reprisado ad infinitum por todos os canais de televisão.  Sai Mary Jane e entra Gwen Stacy. A origem do Homem-Aranha de Tobey Macguire ainda está presente no imaginário de todas as pessoas e o último filme saiu há muito pouco tempo. Simplificando, seria como se em 3 anos a Warner resolvesse refazer o Harry Potter e contar toda a história de novo. Podiam simplemente seguir a história e esquecer a origem. Recontar a origem funcionou no caso do Batman porque os dois últimos filmes tinham sido muito ruins.

Em termos de narrativa e efeitos, a única novidade parece ser a filmagem em primeira pessoa. Mas, cá entre nós, isso chega a ser novidade? Espero que seja apenas um recurso usado no trailer, mas não no filme. Enfim, a primeira impressão pode nunca ser a verdadeira. Todos devem lembrar do primeiro Trailer de Avatar, que parecia um videogame do Thundercats. É esperar para ver.

Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2

A decisão da Warner Bros. em dividir o episódio final da saga de Harry Potter em dois filmes sempre teve um caráter comercial. Afinal, com o fim de sua saga de maior sucesso, o que seria melhor do que esticar este sucesso até onde fosse possível. Contrariando as expectativas, porém, esta idéia revelou-se acertadíssima, visto que o último livro escrito por J.K Rowling é o mais complexo e o que realmente mereceria um maior cuidado no momento de transição para o cinema.

E assim chegamos a Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 2, um lançamento que já faz parte da história do cinema por quebrar todos os recordes em termos de faturamento para um fim de semana de estréia. Sejamos francos, o sucesso é merecido.

Dirigido novamente por David Yates, que havia assumido as baquetas no mediano A Ordem da Fênix, o filme é um desfecho emocionante e avassalador para uma história que começou com o lançamento de Harry Potter e a Pedra Filosofal. Longe do clima de sessão da tarde do filme dirigido por Chris Columbus, esta parte 2 retorna ao clima soturno e de fatalidade no qual Yates vem investindo desde O Enigma do Príncipe.

Sem direito a flashbacks ou explicações, o filme parte da cena final do filme anterior e continua com a saga de Harry, Ron e Hermione em busca das horcruxes, fragmentos da alma de Lorde Voldemort espalhadas em diversos objetos, além de, paralelamente, tentarem descobrir onde estão as míticas relíquias da morte, que podem assegurar a vitória de Harry Potter contra o senhor das Trevas.  Esta busca irá levá-los, eventualmente, de volta a Hogwarts, onde será travada a grande batalha entre os bruxos do bem e os bruxos do mal.

Investindo numa narrativa intensa e dramática, o diretor se afasta do ritmo mais contemplativo do episódio anterior e cria um filme de ação que remete diretamente a clássicos como O Senhor dos Anéis, ocasionalmente colocando de forma acertada algumas cenas de humor  de forma a quebrar a tensão, mas sem jamais desviar a atenção do foco principal do filme.

Amadurecidos como atores e como personagens, os ex-astros mirins já não lembram as crianças extasiadas e boquiabertas dos dois primeiros filmes. Daniel Radcliffe, como Harry Potter, apresenta um desempenho notável como o jovem que entende seu destino e os sacrifícios que serão necessários para alcançar seu objetivo. Da mesma maneira, Emma Watson e Rupert Grint (Herminone e Ron Weasley, respectivamente), traduzem de forma brilhante  seu crescimento, sua lealdade a Harry Potter  e a descoberta do relacionamento entre eles.

O destaque, porém, vai para o lado adulto do elenco, em especial para Alan Rickman que,no papel de Snape, tem aquela que é com certeza a cena mais emocionante do filme, na qual revela todo o seu passado e como este se liga à história de Harry Potter. Ralph Fiennes, como Voldemort, vai além do vilão unidimensional e transmite seu desespero e arrogância em seus atos,lembrando um pouco, mas não muito, o vilão Darth Vader quando da época de O Império Contra-Ataca.  Um ponto interessante é perceber como o vilão vai mudando fisicamente ao longo do filme, a partir da destruição das horcruxes.

A direção de arte e os efeitos especiais continuam  impecáveis, e, assim como no filme anterior, as criaturas merecem um destaque especial. Reparem, por exemplo, na cena com o dragão de Gringotes. Acorrentado, cego e machucado, o animal mostra ao espectador que o mundo dos bruxos não é um conto de fadas, mas aproxima-se muito do mundo real.

Fazendo uma espécie de apanhado da saga do longo dos anos, o roteiro do sempre competente  Steve Kloves resgata diversos personagens, histórias, objetos e locais dos filmes anteriores, ampliando a dimensão épica do filme e dando espaço a personagens anteriormente esquecidos de brilharem novamente, como o vendedor de varinhas Olivaras, a profa. McGonagall, o professor Lupin e os colegas Neville Longbottom e Luna Lovegood.

Aqui cabe, com certeza, um aviso aos que não leram os livros: a história escrita por J.K. Rowling não poupa personagens queridos e com os quais convivemos por diversos anos de caírem no momento da batalha. Aí reside a grande diferença de enfoque de Yates em relação a, por exemplo, Chris Columbus. Se no primeiro filme Harry matava um professor e cinco minutos depois estava feliz da vida comemorando, aqui  as mortes e a destruição são  realmente sentidas pelos personagens e pelo espectador, ressaltando novamente o tom mais realista que Yates atribuiu à série em seus últimos episódios.

Isso fica muito evidente no momento,após a conclusão, dos créditos do filme, nos quis a  trilha contundente de Alexandre Desplatz é substituída pelo tema original de John Williams, alegre e divertido, conseguindo de forma brilhante fechar o ciclo que se iniciou há 10 anos. Fazer essa conexão com o início da série consegue dar a ideia da importância que a série foi adquirindo junto ao seu público ao longo dos anos.

E assim termina a série Harry Potter, uma saga cujo grande trunfo foi saber crescer junto com seu público.  Em qualquer outra situação, é provável que os produtores decidissem manter o saga com o tom infantil com o objetivo de não afastar o grande público. Isso, felizmente, não aconteceu com Harry Potter, um sinal de inteligência de seus produtores e de respeito com o público. E essa é mais uma razão pela qual a saga deixará saudades.

4 ½ /5