Crítica | Somos Tão Jovens
Dentre as imensas qualidade do belíssimo Os Dois Filhos de Francisco, a cinebiografia de Zezé di Camargo e Luciano realizada por Breno Silveira, uma que sempre me chamou a atenção foi o fato de que o roteiro jamais teve a pretensão – ou a incompetência – de soar vagamente premonitório. É o que costumo chamar de síndrome de pitonisa: aquele momento em que algum personagem irá dizer ‘nós vamos ser os melhores do mundo’ ou ‘um dia você vai ouvir falar muito de mim’.
Crítica | A Morte do Demônio (2013)
E lá se vão mais de 30 anos desde que Sam Raimi e sua trupe de amigos juntaram alguns milhares de dólares para fazer um dos mais divertidos e alucinantes filmes de horror de todos os tempos. Ao longo deste período, o gênero conheceu sucessos e fiascos, sendo aos poucos desconstruído de diversas maneiras, seja pela paródia assumida (em especial a partir de Sexta-Feira 13 – parte VI), por revisões que brincavam com seus cânones e clichês (a série Pânico) até ser ter sua linguagem e estrutura dissecados pelo excelente O Segredo da Cabana.
Crítica | Oz: Mágico e Poderoso
Reinventar ou fazer uma releitura de um clássico (seja do cinema ou da literatura) é sempre um desafio. Há toda uma memória afetiva e emocional por parte dos espectadores que deve ser muito bem tratada e respeitada. Caso isso não aconteça, o filme resultante pode até fazer certo sucesso – como no caso do infame Alice no País das Maravilhas – mas jamais será uma representação digna da obra original.
Neste quesito, Oz: Mágico e Poderoso encontra-se nesta linha tênue entre a homenagem e o pastiche: não é e nem será uma obra inesquecível como o clássico O Mágico de Oz, de 1939, mas também está longe de ser um desastre completo, oferecendo algumas boas ideias que só não são melhor desenvolvidas por conta de um roteiro sem imaginação e por uma direção tímida de Sam Raimi.
Review | O Dobro ou Nada
A sempre interessante Rebecca Hall tinha em O Dobro ou Nada uma grande oportunidade, ainda mais dirigida por Stephen Frears (que fez ‘só’ Ligações Perigosas, Os Imorais e A Rainha) e com colegas de elenco do como Bruce Willis e Catherine Zeta-Jones.
Na pele de Beth Raymer, ex-stripper e ex-prostituta que passa a trabalhar com o apostador profissional Bruce Willis, Hall mostra uma performance inspirada, com um registro de voz alguns tons acima do normal, naturalmente sexy e muito divertida.
O filme vai bem até a sua metade, quando começa a se perder em subtramas, personagens e situações dispensáveis ou inverossímeis, a maioria delas envolvendo o casal vivido por Willis e Zeta-Jones (irreconhecível, por sinal), problemas estes ampliados por uma direção sem inspiraçao (!) de Frears e por uma conclusão tão abrupta quando forçada.
Vale pela boa química entre Willis e Hall, mas, vindo de quem vem, isso é bem pouco.
Lay the Favorite
2012 – 94 minutos
EUA – Comédia
Direção: Stephen Frear
Roteiro: Beth Raynser e D.V. DeVincentis
Elenco: Bruce Willis, Rebecca Hall, Catherine Zeta-Jones
Crítica | O Lado Bom da Vida
Se não fosse dirigido por David O. Russel (do excelente O Lutador), é provável que O Lado Bom da Vida não fosse nada além de uma entre as dezenas de comédias românticas que invadem os cinemas a cada dois meses ou, no lado extremo da situação, um drama (também romântico) na linha dos genéricos de Nicholas Sparks.
Se entregando sem o menor pudor aos clichês mais banalizados do gênero romance, o filme consegue se destacar entre seus congêneres pelo trabalho excepcional de sua dupla de protagonistas, por um elenco de apoio afinado e por uma história que, se não é das mais originais, consegue envolver o espectador e fazer com que ele se reconheça, de uma forma ou de outra, nas situações ali apresentadas.
Crítica | Os Miseráveis
Levar às telas uma versão fidedigna de um dos musicais mais famosos e queridos da Broadway (por sua vez uma versão do original francês), sem fazer concessões ao público – leia-se manter o elenco cantando em todos os momentos do filme, inclusive nos mais simples diálogos – e ainda resgatar a energia e a emoção dos palcos não é uma tarefa fácil.
Crítica | Lincoln
Nos últimos 15 anos anos, tem sido possível contar nos dedos (de apenas uma mão) o número de produções de Steven Spielberg que não tenha sido prejudicadas pela mão pesada do diretor, por seu excesso de auto-indulgência e por roteiros problemáticos.
Infelizmente, Lincoln, assim como no ano passado já tinha sido com o bisonho Cavalo de Guerra, não escapa desta armadilha e cai na mesma vala de Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal, Guerra dos Mundos, O Terminal e Minority Report. E de um homem que dirigiu A Lista de Schindler e O Resgate do Soldado Ryan, fica difícil engolir algumas opções covardes estabelecidas por ele neste filme, que não apenas enfraquecem o filme, mas o tornam uma obra hipócrita.
Crítica | A Viagem
Não há como negar que A Viagem é um filme ambicioso. A nova obra dos irmão Wachowski, responsáveis pelo primeiro Matrix - e por aquelas continuações descartáveis -, e realizado em parceria com o alemão Tom Tykwer, de Corra, Lola, Corra, é baseado no livro de David Mitchell (que não li), considerado por muitos como infilmável.
Neste ponto, é de se admirar e parabenizar os diretores/roteiristas pela coragem em assumir um desafio de proporções verdadeiramente gigantescas sem aparentar um pingo de apreensão. Por outro lado, fica claro que na tentativa de soar profundo e complexo, A Viagem acaba se revelando um filme simplório em sua filosofia e prejudicado justamente pelo que o marketing vende como seu grande achado: a repetição de seu elenco em diversos papéis ao longo da projeção.
Review | Frankenweenie (2012)
É extremamente satisfatório perceber que Tim Burton ainda consegue surpreender.
Preso há uma produção de remakes e refilmagens há mais de uma década, o cineasta tem nos brindado com alguns filmes inspirados (Sweeney Todd, A Noiva Cadáver), mas ao mesmo tempo, entregue uma série de filmes mornos no qual somente sua assinatura visual consegue se destacar, como o horrível Alice no País das Maravilhas e o mediano Sombras da Noite.
Rápidas | O Legado Bourne
Apesar de bem produzido, O Legado Bourne tem mais problemas do que virtudes.
Dirigido (e escrito) por Tony Gilroy, Legado depende demais de conhecimento prévio da trilogia anterior protagonizada por Matt Damon e cujo último episódio data de 2007.


