Março 2012 | Retrospectiva

Março 2012 | Retrospectiva

Confira aqui a lista de todos os filmes vistos ou revistos no mês de março. Para facilitar o acesso e a consulta, a lista está colocada no site IMDB.com, com todas as fichas técnicas, notas e comentários.

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Os Piores Filmes de 2011

Os Piores Filmes de 2011

A retrospectiva 2011 do blog A Mosca da Cabeça Branca começa com a lista dos piores filmes do ano. Consideramos para essa triste análise somente os filmes lançados comercialmente no Brasil neste ano. Assim, escaparam de entrar na lista abominações como A Centopeia Humana 2 e a nova obra-prima de Adam Sandler, Jack and Jill. Confiram agora o que de pior foi visto nos cinemas do Brasil em 2011 e torça para que no ano que vem a lista esteja menos tenebrosa. Mas é pouco provável.

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Crítica | A Pele que Habito

Crítica | A Pele que Habito

A nova obra de Almodóvar é um filme perturbador. Primeira incursão do cineasta espanhol no gênero horror, A Pele que Habito  intriga tanto pelo que se propõe – e aos extremos absurdos que a história alcança – como pela espetacular maneira como isto é apresentado ao público. Não há aqui choques ou sustos inesperados. Com inspiração evidente em clássicos como Um Corpo que CaiFrankenstein, Gêmeos – Mórbida Semelhança Oldboy, o filme é um esforço meticuloso, para não dizer cirúrgico, de Almodóvar em adaptar um gênero clássico ao seu já consagrado estilo de cinema. O resultado, embora propositalmente frio e distante, não é menos que fascinante.

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Crítica | 11-11-11 *

Crítica | 11-11-11 *

Quando a principal referência de um filme é ser dirigido pelo ser humano por trás de Jogos Mortais II, III e IV, é aconselhável não elevar muito as suas expectativas porque, afinal de contas, é pouco provável que o produto final venha a ter alguma qualidade. Às vezes, porém, podemos nos surpreender e, apesar de todas as opiniões contrárias, participar de uma experiência efetivamente assustadora, que possa mexer com nossos instintos mais básicos e elevar nossos batimentos cardíacos a níveis perigosos.

Não é, porém, o que acontece com 11-11-11.

Partindo de uma proposta que já nasce datada, o filme escrito e dirigido por Darren Lynn Bousman falha em praticamente todos os aspectos a que se propõe como filme de terror, entregando uma obra excessivamente verborrágica que é prejudicada por um roteiro preguiçoso, um clima de suspense que não funciona, interpretações amadoras e cenas – supostamente de tensão – involuntariamente engraçadas.

O filme conta a história do escritor Joseph Crone (Timothy Gibbs, cujas feições me lembravam o tempo todo de Ty Burrel, o Phil Dunphy de Modern Family) que, após a morte trágica da esposa e do filho, viaja à Barcelona para se despedir de seu pai doente e reencontrar o irmão, agora líder espiritual de um grupo de fiéis. Por conta de uma série de coincidências, Joseph passa a acreditar que os números 11-11-11 têm algum significado especial em sua vida. Aos poucos, o escritor vai percebendo que os números podem representar algo maior não apenas para ele, mas para toda a humanidade. Tenso, não?

Infelizmente, a (até) interessante proposta inicial não encontra respaldo no andar da trama, que opta por trocar a atmosfera opressiva que abre o filme por um sem número de diálogos expositivos, cujo único objetivo aparente é esticar a história, já que pouco acrescentam a seu andamento ou ao desenvolvimento dos personagens. Assim, somos obrigados a ouvir um empresário contar ao próprio escritor  quantos livros ele vendeu e um irmão explicar para o outro a origem de uma estátua que sempre esteve na casa. Isso sem contar as diversas discussões entre o escritor e seu irmão sobre fé, religião e destino, que jamais escapam da vala comum e incluem alguns dos diálogos mais medíocres deste ano, como a comparação entre Deus e George Washington.

O elenco, relativamente desconhecido, sofre por conta do roteiro sem sutilezas e de uma péssima direção, atuando o tempo todo como se soubessem que estão em um filme de terror, andando sempre devagar, olhando lentamente para os lados e se esforçando para estar nos lugares mais propícios para um susto – que, infelizmente, raramente acontecem.

O descuido no desenvolvimento dos personagens é, provavelmente, o maior dentre todos os problemas do filme. Assim, não há como acreditar nas atitudes da jovem Sadie (interpretada pela bela e inexpressiva Wendy Glenn) que, tendo visto o escritor apenas duas vezes, resolve viajar para a Espanha apenas para conversar com ele. Nem Melanie Daniels faria tanto. E o que dizer do pai do escritor, que, à beira da morte, levanta-se o tempo todo para dar sustos e dizer frases perturbadoras, sem que o filho esboce a menor reação a esse fato. Mas nada bate a atitude de Joseph que, preocupado com a possível morte do seu irmão (Michael Landes, péssimo) no dia 11-11-11, resolve sair para passear com a amiga durante a tarde, aparentemente esquecido de tudo o que vinha acontecendo nos últimos dias.

A direção de arte do filme, por sua vez, até que faz um trabalho eficiente, que só não é melhor por conta da direção pesada de Bousman, que insiste em colocar símbolos e referências aos números 11 em praticamente todos os cenários, até em árvores.  De qualquer modo, é curiosa a sugestão dada pela iluminação na capela e no quarto de Joseph, que vai aos poucos passando do azul para o vermelho, cortesia também da fotografia de Joseph White que tenta efetivamente passar o clima fatalista que o filme sugere. Por outro lado, a música de Joseph Bishara não consegue escapar do lugar-comum, ora referenciando diretamente o mestre Jerry Goldsmith e sua trilha para A Profecia de 1976, ora investindo nos sustos fáceis, como que dizendo ao espectador ‘ei, agora é hora para pular na cadeira’.

Vítima de sua própria gênese, que termina por limitar seu escopo e sua trama, o filme conta ainda com uma reviravolta final tirada diretamente de Jogos Mortais, com direito a flashbacks e revelações bombásticas que, na verdade, soam como uma solução tirada da cartola, apenas com o objetivo de camuflar uma trama pedestre em um mistério complexo. E nem há muito sangue. Há diversas figuras sinistras, todas lembrando a bruxa da Branca de Neve, mas não há sangue. O filme é do diretor de Jogos Mortais e não tem sangue! Aí não tem salvação.

1/5

Crítica | Não Tenha Medo do Escuro ***

Crítica | Não Tenha Medo do Escuro ***

Baseado num telefilme homônimo de 1973, o terror Não Tenha Medo do Escuro chega para fazer parte do cultuado gênero de filmes de casas mal-assombradas. Neste caso, temos um bem-sucedido exemplar da categoria, que só não se sai melhor porque, a partir de certo ponto, abandona o poder de sugestão da trama e torna tangível demais a ameaça sobrenatural, reduzindo seu impacto emocional no público.

O filme conta a história da pequena Sally (Bailee Madison), que se muda para a casa que o pai (Guy Pearce) está reformando em companhia da namorada (Katie Holmes). A casa em questão é uma mansão do século 19 cujo proprietário original desapareceu sem deixar vestígios (em um enervante sequencia inicial). Sozinha e deslocada neste novo ambiente, a menina encontra estranhas criaturas que vivem nas profundezas da mansão, amigáveis, de inicio, mas que aos poucos vão revelando suas verdadeiras intenções.

Dirigido pelo relativamente inexperiente Troy Nixey, o filme exala em cada fotograma a presença de seu produtor Guillermo de Toro, desde a belíssima direção de arte (a estrutura da mansão, com suas janelas gigantescas iluminando diversos cômodos, é admirável) até o inspirado design de som, que privilegia os barulhos comuns a casas antigas e investe na força dos sussurros e dos ‘passos’ das criaturas quando estas se movimentam pelas paredes e encanamentos da mansão

O filme não se furta, claro,  a referenciar O Labirinto do Fauno, obra máxima de Del Toro, seja no design das criaturas – que são diretamente ligadas ao mito da fada dos dentes – ou na fotografia de tons soturnos. Mas a principal similaridade entre as obras é no envolvimento da pequena Sally com o desconhecido, resultado de uma relação mal resolvida com os pais, e na fascinação que esse novo universo provoca na criança.

Então com 10 anos, a pequena (mas bastante experiente) Bailee Madison consegue dar conta de toda essa amplitude de emoções, mostrando  toda sua angústia, seu crescente entendimento do que está acontecendo e seu desolado pavor de forma surpreendente. Como em toda obra de Del Toro, aqui não há amarras para o que pode acontecer às crianças, o que gera um desconforto ainda maior no espectador, que aqui não se encontra na zona de conforto do final feliz a que os filmes de terror tem se rendido nos últimos anos.

O roteiro, escrito por Del Toro e Mathew Robbins, não evita os clichês do gênero, mas abraça-os de forma integral. Assim, temos Guy Pearce como o pai involuntariamente relapso e mergulhado no trabalho que não acredita na filha, e Katie Holmes como a namorada que tenta a todo custo interagir com a enteada e que, aos poucos, começa a acreditar que há realmente algo errado com a casa. Mesmo com a experiência de Del Toro, há momentos demasiadamente forçados na trama, como o bibliotecário que revela fatos importantes da história da casa (informações estas que a pesquisadora vivida por Homes deveria saber) e o recurso da máquina Polaroid, para o qual é dado uma importância gigantesca na trama para depois ignorá-lo por completo.

Contando ainda com a sempre confiável trilha sonora de Marco Beltrami, que  - embora onipresente – não se rende ao clichê do susto fácil, o filme consegue manter um clima constante de suspense, nunca deixando o espectador baixar a guarda. Firme no comando das cenas de tensão, o diretor Nixey consegue entregar ótimas sequencias, uma em especial – que homenageia a cena do lençol em  O Sexto Sentido – de grande impacto, quando o visual das criaturas é efetivamente revelado.

E é justamente na forma como o filme trata as pequenas criaturas que reside seu principal problema. Enquanto filmes como Labirinto do Fauno e A Espinha do Diabo contassem com (ótimos) efeitos especiais, estes jamais sobrepujavam a narrativa, mas integravam-se à ela de forma orgânica. Aqui, ao contrário, o excesso de detalhamento das criaturas  – cujas vozes lembram irremediavelmente o Gollum, da saga Senhor dos Anéis – diminui as sensações de medo e de desconhecimento que o filme poderia segurar ainda por um bom tempo durante sua projeção. Em certos momentos, as criaturas chegam a soar como gremlins, por conta de algazarra promovida e por estarem sempre fugindo de flashes de máquinas fotográficas e da ‘luz forte’.

Apresentando uma conclusão corajosa e abrindo espaço para a criação de uma interessante mitologia na história das mansões mal-assombradas, o filme deveria aprender a lição dada por Alejandro Amenábar em seu belíssimo Os Outros: em filmes de terror, menos sempre é mais.

3/5

Crítica | Os Três Mosqueteiros

Crítica | Os Três Mosqueteiros

A nova versão do clássico romance, publicado pela primeira vez em 1844, mantém como base a trama original escrita por Alexandre Dumas, mas toma diversas liberdades narrativas e históricas com o objetivo de modernizar a história para um público mais jovem. Dirigido por Paul W. S. Anderson, responsável pela série de filmes Resident Evil, o filme consegue ser bem sucedido nas eficientes cenas de ação em 3-D que recheiam as suas pouco mais de duas horas de duração, mas afunda de forma absoluta por conta de um roteiro incapaz de desenvolver seus personagens de forma adequada e repleto de sequencias que não levam a lugar algum.

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Crítica | Contra o Tempo

Crítica | Contra o Tempo

Assim como em Lunar (2009), obra anterior do diretor Duncan Jones, filho do cantor David Bowie, o protagonista de Contra o Tempo passa boa parte do filme buscando explicações para questões que envolvem sua identidade e seu papel na trama. Com um agravante: ele tem apenas poucos minutos para descobrir o que acontece, pois, após este tempo, o trem em que ele se encontra irá explodir por conta de um ataque terrorista.

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30 Filmes em 30 Dias | Agosto e Setembro

30 Filmes em 30 Dias | Agosto e Setembro

Abaixo temos alguns dos filmes vistos e revistos nos últimos 30 dias, tanto no cinema, como em casa, seja por meio da TV por assinatura, locadora ou Netflix. Como sempre, a cotação vai de 1 a 5, considerando que a nota 5 vale para um filme como Casablanca e a nota 1 para um filme como, por exemplo, Norbit.

Planeta dos Macacos – A Origem (2011). O reboot da saga do Planeta dos Macacos é um filme impactante e movimentado. Tendo pela primeira vez com atores que interpretam por meio da captura de movimento, o  filme se destaca pela espetacular atuação de Andy Serkis (o Gollum) como o chimpanzé César, que se rebela contra seus antagonistas humanos. A conclusão em aberto deixa claro que teremos um novo capítulo nos próximos anos. 4/5

Professora sem Classe (2011). Cameron Diaz já deveria ter aprendido que não consegue segurar um filme sozinha. Nessa comédia de poucas risadas, ela faz o papel de uma professora picareta que tenta a todo custo se dar bem. O problema é que, com um personagem tão amoral como este, é difícil torcermos ou mesmo simpatizarmos com as falcatruas armadas por ela no decorrer da história. E o filme nem é tão engraçado assim. 2/5

Conan, o Bárbaro (2011). A nova versão da história imortalizada por Arnold Schwarzeneger em 1982 consegue a façanha de, mesmo contando com uma cena de ação a cada cinco minutos, ser um dos filmes mais entediantes da temporada. Colaboram para isso a direção canhestra de Marcus Nispel, o roteiro genérico que tenta criar um épico no estilo Senhor dos Anéis, mas passa longe, e pela interpretação nula de Jason Momoa, que deixa o cigano Igor parecendo Marlon Brando. 1/5

Sindicato de Ladrões (1954). A obra-prima de Elia Kazan e uma das interpretações mais impressionantes da carreira de Marlon Brando. A história do ex-pugilista Terry Malloy e sua luta contra os líderes do sindicato local é uma metáfora clara sobre a queda e a redenção do ser humano, numa trama de personagens antológicos que retrata também o clima político dos anos 50 nos Estados Unidos. O destaque, é claro, vai para o sensacional diálogo de Terry com seu irmão, quando este lamenta o fato de ter arruinado sua carreira como lutador em função das apostas do sindicato. Essencial. 5/5

Cowboys e Aliens (2011). Um filme no qual o título entrega tudo. Assim, não há grandes surpresas. O novo James Bond e o eterno Indiana Jones trabalham juntos nesta nova empreitada do diretor de Homem de Ferro. Como em todo filme que mistura gêneros diferenciados, nem sempre a combinação funciona, com o lado cowboy e o lado alien disputando quem se sai melhor. É um filme divertido. Mas poderia ser bem melhor. 3/5

Missão Madrinha de Casamento (2011). Escritor e interpretado por Kristen Wiig, do programa  Saturday Night Live, o filme é uma das grandes surpresas do verão americano. Uma trama calcada no universo feminino, com discussões e conflitos com os quais todas as mulheres irão se identificar e com um humor universal que consegue atingir todos os públicos. Escatológico, exagerado, engraçado e emocionante. Precisa mais? 4/5

Star Wars IV – Uma Nova Esperança (1997). A versão em blu-ray da saga da família Skywalker chega finalmente à alta definição. Mesmo com todas as alterações efetuadas por George Lucas, o filme continua como uma aventura inesquecível, com um clima de seriado americano dos anos 50 e um roteiro que consegue mesclar diversas referências da história do cinema e, ainda assim, criar um universo inovador e eterno. 5/5

Star Wars V – O Império Contra-Ataca (1980). O filme que transformou Star Wars, de uma competentíssima e descompromissada aventura espacial, em uma saga de proporções épicas que conquistou mentes e corações em todo o mundo. Optando por colocar o vilão Darth Vader como o protagonista, o filme abandona o ar juvenil do anterior e premia o público com uma trama tensa e sombria, que ousa ferir os ‘mocinhos’ tanto física como emocionalmente. O epílogo propositalmente em aberto deixa diversas questões no ar e eleva as expectativas do público às alturas. 5/5

Star Wars VI – O Retorno de Jei (1983). A conclusão da saga espacial mais famosa do cinema poderia ter sido melhor. Obrigado a resolver o conflito deixado em aberto no filme anterior, George Lucas e o diretor Richard Marquandt entregam um filme de tom mais leve e infantil, alcançando o fundo do poço ao colocar aqueles ursinhos felpudos chamados Ewoks derrotando as forças do Império. A edição em blu-ray conta ainda com a pior alteração já feita por George Lucas para a saga: o grotesco “NÂO” dito por Darth Vader ao atacar o Imperador Palpatine. 3/5

O Homem do Futuro (2011). Primeira incursão do cinema brasileiro no filme do gênero viagem no tempo, O Homem do Futuro não se envergonha em beber descaradamente de obras como De Volta para o Futuro, Efeito Borboleta e Peggy Sue. Ainda assim, a história do cientista que volta no tempo para tentar resgatar sua autoestima e sua amada consegue conquistar o público pelo carisma de seus protagonistas, pelo clima nostálgico – que diz muito a qualquer uma acima de 30 anos – e pelos bons e eficazes efeitos especiais. 4/5

O Rei Leão 3-D (1994). Não se engane. Este ainda é o mesmo filme que conquistou a todos em 1994. Baseada livremente na obra de Shakespeare, a queda e a ascensão do leãozinho Simba é uma daquelas histórias que surpreendem o público por sua complexidade e, ao mesmo tempo, pela singeleza com que é contada. Um dos desenhos mais queridos de todos os tempos chega agora para uma geração que não teve a oportunidade de vê-lo em tela grande. Esta é uma oportunidade de rever um clássico em toda a sua majestade (desculpe o trocadilho) que todos devem aproveitar. Mesmo em 3-D, que neste caso acrescenta bem pouco à experiência. 5/5

Antes do Amanhecer (1995). Dirigido por Richard Linklater, o filme é uma delicada narrativa sobre dois jovens que se conhecem em um trem e decidem passar o dia juntos em Veneza, com situações e diálogos que fogem aos clichês de todos filmes românticos. Claro que nada disso funcionaria se o casal principal não nos convencesse de seus sentimentos. Assim, a interpretação iluminada – e otimista – de Julie Delpy contrasta com a personalidade desconfiada – mas romântica – de Hawke, permitindo que sejamos rendidos não pelas ações, mas pelos detalhes, pelos olhares, pelo toque e pelo silêncio a que eles se permitem. 5/5

 Scarface (1983). Refilmagem do clássico de 1983, Scarface foi recebido a paus e pedras quando de seu lançamento. Rechaçado pelo excesso de violência e pela suposta glamorização da vida criminosa do protagonista Tony Montana, o filme até hoje é surpreendente. A direção segura de Brian de Palma contrasta com a trama de poucas sutilezas escrita por Oliver Stone. Al Pacino engana a todos em uma interpretação que apenas parece descontrolada, mas que é estudada em todos os seus mínimos detalhes. E prepare-se para o clímax mais explosivo e exagerado já visto em um filme de Hollywood. Um filme à frente de seu tempo, que definiu um estilo de comportamento para toda uma geração. 5/5

Team America (2004). Saído da mente doentia e genial de Trey Parker e Matt Stone, os responsáveis por South Park, Team America é uma suspeita homenagem aos seriados protagonizados por marionetes dos anos 60, como os Thunderbirds. Após a morte de um de seus principais homens, equipe paramilitar recruta um ator da Broadway para ocupar seu lugar. Team America aponta sua metralhadora giratória para todos os lados, sendo que a vítima preferida é o ator Matt Damon ( “Matt Damon”). Aparentemente tosco em sua realização, o filme é na verdade um tour de force dos artistas responsáveis pelas marionetes, que atuam em performances que vão desde lutas exaustivamente coreografadas até uma bizarra cena de sexo. 4/5

Jane Eyre (2011). A mais nova versão do romance de Charlotte Brontë tem na direção segura e sensível de Cary Fugunaka seu maior trunfo. Investindo em um clima fatalista que deve muito mais ao drama e ao suspense do que ao romance, o filme conta ainda com dois dos mais importantes nomes da nova geração: Mia Wasikowska, provando finalmente que a sua Alice foi apenas um acidente de percurso e Michael Fassbender, perfeito como o homem amargurado e taciturno que encontra em Jane Eyre uma nova chance para o amor. 4/5

Psicose 2 (1983). Vinte anos depois do Psicose original, o diretor Richard Franklin arriscou-se em criar uma continuação para um dos mais emblemáticos filmes do mestre Hitchcock. O resultado, obviamente a milhas distante do original, é um filme tenso, com uma trama cheia de reviravoltas que traz Anthony Perkins, o eterno Norman Bates, de volta à sua casa e a seu motel. Confrontando-se constantemente com os pecados de seu passado, Bates tem sua sanidade – e sua inocência –  questionada, ao mesmo tempo em que novos assassinatos começam a acontecer. A conclusão é tão mirabolante que chega a ser divertida. 3/5

Retrato de Dorian Gray (2009). A mais nova versão da obra clássica de Oscar Wilde nada mais é do que uma obra caça-níqueis lançada na esteira do sucesso de Colin Firth em O Discurso do Rei. A direção equivocada de Oliver Parker equipara-se com a escalação de Ben Barnes, o príncipe Caspian da série Nárnia, para o papel de Dorian Gray, o jovem vaidoso e hedonista que acumula todos os seus pecados em um quadro que guarda no sótão. Para piorar a situação, Parker ainda investe numa atmosfera de filme de terror que só não é pior do que os canhestros efeitos especiais. 1/5

Como se fosse a primeira vez (2004). Este é talvez um dos poucos filmes de Adam Sandler que pode agradar a todos. A história da garota que não possui memória recente e precisa ser reconquistada todos os dias tem todos os ingredientes para agradar aos românticos de plantão, além de que Drew Barrymore sabe ser um doce de atriz quando quer. O filme conta, como sempre, com pontas dos colegas de Sandler como Maya Rudolph e Rob Schneider, que insiste em estragar o filme sempre que aparece. 3/5

Coração Satânico (1987). Houve um tempo em que o hoje bizarro Mickey Rourke foi considerado um dos atores mais talentosos de sua geração. Neste sentido, Coração Satânico não é apenas o filme que traz o ator, como o detetive Harry Angel, em sua melhor interpretação, mas que também marcou o início de sua derrocada, sua literal queda para o inferno. Carregado de simbolismo religioso, Coração Satânico é uma experiência avassaladora, um estudo intenso sobre o sucesso, o auge e a queda do ser humano. Confira a análise completa. 5/5

A última noite (2002). O filme abre com uma belíssima sequencia que mostra os dois imensos fachos de luz que ficavam nos lugar das Torres Gêmeas em Nova Iorque. Emblemática, essa sequencia traduz perfeitamente o estado de espírito de seus protagonistas, que transitam em um mundo sem esperança e sem expectativas para o futuro. Outra leitura possível é identificar o vazio do espaço ocupado pelas Torres como o vazio emocional de pessoas que não conseguem mais se identificar com o ambiente em que vivem. Um filme pesado e que traz o diretor Spike Lee em sua melhor forma. 4/5.

Avatar (2009). O filme de maior sucesso do cinema tem, na versão em blu-ray, diversas cenas adicionais. Algumas apenas alongam determinadas sequencias, já outras agregam informações importantes que complementam alguns pontos da trama. No geral, ainda é o mesmo filme que faturou bilhões e que conta com as melhores cenas de ação do planeta. Podem acusar James Cameron de tudo – desde reciclar temas genéricos até o excesso de doutrinamento do filme – , mas este diretor entende o gosto do público e sabe como criar tramas que envolvam e fascinem como ninguém. 4/5

Piratas do Caribe 4 – Navegando em Águas Misteriosas (2011). É impressionante a má qualidade deste filme. Por mais que pudéssemos considerar os episódios anteriores confusos ou exagerados, sempre havia algo que se salvava. A batalha final de No Fim do Mundo é simplesmente magnífica e mesmo o segundo filme continha momentos divertidos, como a fuga da ilha dos canibais. Neste último exemplar da saga de Jack Sparrow, nada se salva. A história é rasa, os personagens não convencem, a direção de Rob Marshall é entediante e as cenas de ação não funcionam. 1/5

Smurfs (2011). A criançada adorou. Já os adultos tiveram de encarar uma aventura infantil repleta de lugares-comuns, piadas recicladas desde o tempo de Scooby-doo, criaturas fofinhas que estão o tempo todo se metendo em altas confusões e um publicitário que precisa de uma grande ideia para sua mais nova campanha. Espera aí, você tem certeza que já não viu isso antes? Ah, viu sim, só que era com esquilos que cantavam. 2/5

Soul Surfer – Coragem de Viver (2011). Baseado na história real da jovem surfista Bethany Hamilton, que teve o braço esquerdo arrancado por um tubarão, este filme da Disney investe no gênero de superação numa trama mais do que açucarada. No elenco, a esquecida e oscarizada Helen Hunt junta-se a Dennis Quaid para fazerem os pais que apóiam a menina na decisão de voltar ao esporte. Vale pela história verídica. 3/5

Água para Elefantes (2011). Baseado no livro homônimo de Sara Gruen, Água para Elefantes tem uma trama interessante e uma produção caprichada. Infelizmente, a direção de Francis Lawrence (Eu sou a Lenda) não consegue extrair um desempenho convincente nem de Robert Pattinson, que até se esforça, nem de Reese Witherspoo, que parece atuar no piloto automático. Até mesmo o exuberante Christoph Waltz parece perdido na trama. 2/5

Attack the Block (2011). Considerada a versão inglesa de Super 8, este filme surpreendentemente divertido traz um grupo de jovens delinqüentes lutando contra uma ameaça alienígena que invade o condomínio em que vivem. Produzido pelo mesmo Edgar Wright (de Todo Mundo quase Morto e Chumbo Grosso), o filme possui ritmo alucinante, diálogos que referenciam constantemente o universo pop e uma inteligente crítica à sociedade inglesa.  O filme não se furta a dar cabo mesmo de parte do elenco adolescente, o que sempre é um ponto positivo. E nada é mais divertido do que ver jovens de bicicleta correndo pela rua tentando não salvar, mas exterminar extraterrestres. 4/5

Hunger (2008). Esta obra contundente de Steve McQueen narra a situação limite vivida pelos ativistas do IRA encarcerados nas prisões inglesas. Tratados de forma humilhante e vivendo em condições sub-humanas, os prisioneiros decidem iniciar uma grave de fome sem precedentes para obter o status de presos políticos. O filme se foca na história real do ativista Bobby Sands, cujo greve durou exatos 66 dias, resultando em sua morte, na mobilização de dezenas de companheiros e, finalmente, na aceitação de parte das exigências dos presos. Michael Fassbender, de novo, arrasa com uma interpretação visceral de um homem que fez da força de vontade sua principal arma. 5/5

Independence Day (1996). A história dos alienígenas que destroem pontos turísticos ao redor do mundo continua divertida. A trama, é claro, tem mais furos do que um queijo suíço e mais clichês do que a frase anterior. É nítido que, após a destruição das cidades, o filme tem uma queda abissal de ritmo que só será corrigida no terço final. Nesse momento, Rolland Emerich solta todo o seu lado Ed Wood e joga na tela discursos ufanistas, sacrifícios manjados, e uma nave-mãe que não tem firewall e que é destruída graças a um vírus de computador. Sei. 3/5

Lembranças (2010). Este filme é um equívoco só. Robert Pattinson até que se esforça (de novo), mas alguém deveria ter avisado o roteirista que o filme era um drama, e não uma comédia romântica. Assim, temos a história do jovem autodestrutivo que começa a namorar a filha do policial que o prendeu apenas para sacanear o oficial e que tem – surpresa – um amigo engraçadão que adora soltar frases de efeito, uma irmão talentosa e um pai ausente. A falta de ajuste entre roteiro e direção culmina numa das conclusões mais apelativas dos últimos anos, que só deve estar no filme porque alguém pensou que ia ser um bom paralelo com … ah, sei lá. 2/5

Luzes da Cidade (1931). Uma das maiores obras de Charlie Chaplin, Luzes da Cidade conta a história do vagabundo que se apaixona por uma florista cega e tenta arrecadar dinheiro para sua operação na vista. Esta trama serve como pano de fundo para uma série de sequencias hilárias e emocionantes como somente o velho mestre sabia ajustar. Um filme para se ver sempre. 5/5

Crítica | Missão Madrinha de Casamento

Crítica | Missão Madrinha de Casamento

Annie (Kristen Wiig) não tem o que se pode chamar de vida fácil. Apesar de sair, de vez em quando, com um bonitão (John Hamm), este não hesita em mandá-la embora para casa, após uma noitada, sem a menor cerimônia. Annie divide o pequeno apartamento com dois irmãos ingleses bizarros, deve alguns meses de aluguel, dirige um carro velho, e não consegue ver nenhuma perspectiva de melhora à frente, principalmente após a falência de sua confeitaria. Mas Annie ainda tem sua melhor amiga Lillian, com quem compartilha suas confidências. Quando Lillian fica noiva, Annie é convidada para ser a dama de honra do casamento, responsável por toda a organização do evento.

Este é o ponto de partida do divertidíssimo Missão Madrinhas de Casamento, mais uma produção da fábrica de comédias de Judd Apatow, de O Virgem de 40 Anos, Super Bad e Ligeiramente Grávidos. A contrário da esmagadora maioria das comédias de Apatow, neste o foco não recai sobre o universo masculino em crise, mas sim sobre as mulheres. Não se engane, porém, ao achar que se trata de um simples ‘filme de mulherzinha’, com referências que só fazem sentido ao universo feminino. Madrinhas de Casamento trata, sim, de sentimentos e anseios comuns às mulheres, mas também de temas universais como amizade, realização e felicidade.

Dirigido por Paul Feig, responsável por alguns dos melhores episódios de séries como The Office, Nurse Jackie e da subestimada Arrested Development, o filme define sua narrativa a partir do embate entre Annie e a ‘nova melhor amiga’ de Lillian: Helen, rica, exuberante, elegante e aparentemente bem-sucedida (interpretada por Rose Byrne, num raro papel cômico). Ou seja, o oposto de Annie. Disposta a não perder essa batalha – e nem a amiga – , Annie se esmera em criar e sugerir novas idéias para o casamento, que acabam sempre sendo sabotadas, seja por Helen, como no caso da festa temática parisiense ou pelo acaso, como pela intoxicação que ocorre após o almoço em uma churrascaria brasileira(!).

Escrito pela própria Kristen Wiig e por Annie Mumolo (que faz uma ponta como a passageira em pânico no avião), o roteiro constrói a personagem de Annie como uma pessoa com a qual é facil criar uma identificação, dada as suas inseguranças e dúvidas comuns a todos nós. Como se trata, obviamente, de uma comédia, o filme não se furta a criar personagens comuns a esse gênero. Assim, temos a gordinha simpática (Melissa McCarthy) de hábitos e profissão obscuras, a recém-casada deslumbrada e a esposa cansada do marido e dos filhos. Estas duas últimas, porém, são tratadas de forma tão superficial pelo roteiro que acabam sendo esquecidas rapidamente ao longo da trama. Há ainda o policial boa-praça interpretado por Chris O´Dowd, que surge como tábua de salvação à insistente tendência de  Annie em se afundar cada vez mais.

Veterana do programa Saturday Night Live e com um timing de comédia que lembra muito Will Ferrel, Kristen Wiig carrega literalmente o filme nas costas. Usualmente relegada ao papel de coadjuvante em filmes como Uma Noite Fora de Série e Ressaca de Amor, Wiig encontra em Madrinhas o veículo perfeito para seu tipo de humor peculiar. Ao contrário do que se espera, a atriz investe muito mais na sutileza de suas reações e de seus olhares do que no humor físico, no qual também é extremamente bem-sucedida, como na hilária sequencia do avião. É notável, por exemplo, sua atuação ao saber do noivado da amiga, demonstrando numa risada nervosa e contínua tanto sua alegria pela amiga como a constatação de que sua felicidade encontra-se cada vez mais distante.

Ciente da boa qualidade do material que tinha em mãos (excetuando-se duas ou três cenas desnecessárias), o diretor Feig demonstra confiança ao utilizar pouco sua  trilha sonora para realçar ou reforçar as sequencias de humor, investindo principalmente na atuação de seu grupo de atrizes. E não pensem que, por ser um produto pretensamente para mulheres, que o humor é menos pesado. Sim, filmes para mulheres também podem ser escatológicos quando se permitem. Ainda assim, este é um dos grandes trunfos do filme: conseguir navegar com segurança nesta tão tênue linha entre o bom e o mau gosto.

Num ano em que filmes como Se Beber Não Case 2 – com o qual alguns críticos insistem em compará-lo – investiram em tramas pesadas e carregadas,  Missão Madrinha de Casamento é uma refrescante surpresa: um filme divertido quando tem que ser, exagerado quando precisa e emocionante quando lhe cabe.

4/5

Crítica | O Homem do Futuro

Crítica | O Homem do Futuro

As viagens no tempo sempre renderam filmes interessantes, dadas suas inúmeras possibilidades, desde a saga De Volta para o Futuro até ficções como Jornada nas Estrelas IV, dramas como Efeito Borboleta e suspenses como o recente Contra o Tempo. Agora, chega a vez de o Brasil realizar seu primeiro longa-metragem no gênero – e o resultado é excelente.

Dirigido por Cláudio Torres, o mesmo do interessante Redentor e do bobinho Mulher Invisível, O Homem do Futuro não tenta reinventar a roda. Muito pelo contrário. Utilizando-se de forma inteligentes dos clichês e das regras estabelecidas para este tipo de filme, Torres consegue criar uma experiência ao mesmo tempo engraçada e emocionante – uma comédia romântica com toques de ficção científica - tanto para os que viveram no período retratado como para aqueles que simplesmente querem uma boa história.

O filme conta a história de Zero, um cientista vivido com a competência de sempre por Wagner Moura. Infeliz, amargurado e inseguro por conta da humilhação pública que sofreu, 20 anos atrás, por sua então namorada, Zero vive em um cubículo que chama de apartamento e sobrevive à custa de aulas de física quântica na universidade e de seu trabalho no laboratório, no qual busca uma nova fonte de energia. Um dia, ao testar seu acelerador de partículas, descobre que criou, na verdade, uma máquina do tempo, o que lhe permite retornar ao exato dia em que sua vida tornou-se um inferno. Zero vê, nessa oportunidade, uma segunda chance, uma opção para mudar o futuro, tornar-se um vencedor e continuar com sua amada.

Claro que, como sempre acontece em filmes do gênero, mudanças no passado nem sempre se refletem em bons resultados no futuro. Assim, como em De Volta para o Futuro 2, Zero é obrigado a retornar mais uma vez ao passado para corrigir seus erros.

Com uma direção de arte e fotografia impecáveis, o filme resolve-se muito bem tanto quanto passado nos dias de hoje como há 20 anos. Se em 2011 – na realidade inicial – o filme investe numa fotografia e em cenários pesados e cinzas, quando em 1991 são constantes as cores vibrantes e as luzes, traduzindo de certa forma toda a esperança e a expectativa de felicidade e sucesso do protagonista. São várias, também, as brincadeiras feitas com diversos elementos deste período nem tão distante, como o valor da corrida cobrado pelo taxista, os enormes tijolões que eram os primeiros celulares e – pasmem – os tempos em que era permitido fumar em bares. Não falta nem o clássico momento em que o protagonista para alguém na rua e pergunta em qual dia e ano está.

Neste quesito, a interpretação de Wagner Moura é fundamental para a empatia do público em relação à história do cientista Zero. Reafirmando-se como um dos mais geniais atores de sua geração, Moura consegue transmitir credibilidade tanto como o cientista amargo de 40 anos – e suas diversas encarnações posteriores – como o ingênuo, gago e esperançoso estudante de física, cuja paixão pela colega de classe Helena é o fator determinante para tudo que venha a ocorrer em sua vida. Para isso, é vital o papel de Alinne Moraes, que, com uma interpretação iluminada, nos faz crer que seria muito possível Zero dedicar seus pensamentos a ela por mais de 20 anos. A interpretação do casal cantando Tempo Perdido, da banda Legião Urbana, no baile da escola, pode ser considerado desde já um momento antológico do atual cinema brasileiro, e que traduz perfeitamente todo o clima do filme, que discute de forma delicada as questões das escolhas e como devemos lidar com elas, para o bem ou para o mal.

Com um roteiro, de autoria do próprio Torres, que investe nos temas de realidades alternativas – como em De Volta para o Futuro 2 (1989) , arrependimentos – como em Efeito Borboleta (2004) , e aceitação – como em Peggy Sue (1986), o filme conta com uma montagem que garante o pleno entendimento ao espectador médio e ainda brinca com as próprias regras já definidas do gênero. Claro que, como em toda história desse tipo, algumas soluções do roteiro para a história não funcionam se analisadas friamente. Há,ainda,  uma homenagem explícita ainda ao excepcional filme espanhol Los Cronocrímenes, de 2007, na visual cheio de bandagens de Wagner Moura em sua primeira viagem.

Dois problemas são evidentes no filme. Enquanto Wagner Moura e Alinne Moraes convencem plenamente em duas fases distintas, o mesmo não pode ser dito do  elenco secundário, no caso Maria Luís Mendonça e Gabriel Braga Nunes. Como bem ensinou o mestre George Mcfly, você pode até não convencer como velho, mas você precisa desesperadamente convencer como jovem. E nisso, os bons atores quarentões, mesmo ajudados por uma boa maquiagem, não conseguem. Outro ponto negativo é a trilha sonora, que em alguns momentos resolve funcionar como em um episódio de Desesperate Housewives e em outros utiliza o manjado recurso do theremim, como na trilha da atual novela das sete, sem definir se está numa comédia, num drama ou numa fantasia.

São problemas menores que, felizmente, não afetam a bela experiência de se assistir a este filme divertido e emocionante, que consegue, mesmo num gênero tão visto e revisto, criar uma obra que, mesmo com um olhar no passado, consegue falar diretamente aos espectadores de hoje.  Quem sabe, daqui a 20 anos, é possível estarmos vendo um filme em que hoje seja o passado. E como você gostaria de estar em 2031?

4.5 / 5