Crítica | Millenium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres

Crítica | Millenium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres

Preciso admitir que tive minhas dúvidas quando soube da versão americana para o primeiro livro da saga Millenium, de Stieg Larsson. Não tanto pelo diretor David Fincher, a quem considero um dos profissionais mais talentosos do cinema mundial, mas pela fortíssima impressão causada pela atriz Noomi Rapace na composição da personagem Lisbeth Salander. Parecia difícil – para não dizer impossível – que alguma atriz conseguisse alcançar o nível de entrega e fúria demonstrada por Rapace nos três razoáveis filmes realizados na Suécia. E Rooney Mara, cuja atuação mais memorável havia sido como a namorada que leva um fora de Mark Zuckerberg no início de A Rede Social, parecia frágil demais para encarnar a genial – e geniosa – hacker com visual punk. Após assistir ao filme de Fincher, porém, o veredicto é claro. Noomi Rapace é Lisbeth Salander. E Rooney Mara, também.

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Trailer | Os Homens que não amavam as Mulheres

A versão de David Fincher para o primeiro livro da saga Millenium, escrita pelo falecido Stieg Larsson, é com certeza um dos filmes mais aguardados para o último trimestre do ano. O mais novo trailer, com quase 4 minutos, consegue mostrar muito sem entregar os segredos da trama. Para quem não sabe, todos os três livros já foram transformados em filme na Suécia (o primeiro é encontrado facilmente nas locadoras). Confira.

Crítica | Cowboys & Aliens

Crítica | Cowboys & Aliens

Cowboys & Aliens é um filme sem surpresas, a iniciar pelo seu título que já entrega de antemão a trama. Baseado muito livremente na fraquinha história em quadrinhos homônima, criada por Scott Michael Rosenberg e desenhada por Dennis Calero e Luciano Lima, o filme é uma parceria entre Steven Spielberg e Jon Favreau, o diretor dos filmes do Homem de Ferro. Contando ainda com protagonistas como o atual James Bond, Daniel Craig, e o eterno Indiana Jones Harrison Ford, as expectativas para o filme eram as mais altas possíveis. Se, por um lado, o filme é uma divertida aventura que trabalha de forma eficiente os dois gêneros totalmente díspares que o definem, por outro é visível a colcha de retalhos que é o roteiro, escrito, entre outros, por Roberto Orci e Alex Kurtzman – que são muito bons quando fazem Star Trek, mas são muito ruins quando fazem Transformers – que recheia o filme com clichês dos mais óbvios e batidos.

O filme começa quando um homem (Craig) acorda no meio do deserto, desmemoriado e com um estranho artefato de metal preso em seu pulso. Desde as primeiras cenas, o diretor Favreau já faz questão de mostrar que este é um sujeito durão, com o qual não se pode – e não se deve – brincar. Craig faz o tipo clássico eternizado por Clint Eastwood no western dos anos 60 e 70, o cavaleiro solitário de pouca conversa e poucos amigos. Chegando à ao pequeno povoado de Absolution, Craig é acolhido por um padre que cuida de seus ferimentos e, obviamente, acaba por entrar em conflito com alguns dos moradores locais. Não demora, porém, para que o povoado seja atacado por estranhas naves espaciais que raptam diversas pessoas. Logo, uma força tarefa é montada com o objetivo de localizar os alienígenas (tratados desde o início como “demônios”) e salvar aqueles que desapareceram.

Harrison Ford, no papel do ‘coronel’ Dolarhyde, um veterano de guerra dono da maior parte das terras e do gado da região, surge com uma voz rouca e aquele ar de enfado que lhe é comum, criando um personagem linha-dura mas que, no fundo, tem um coração de ouro. Esse lugar-comum estende-se a praticamente todos os habitantes da pequena Absolution. Com um elenco de apoio de dar inveja, é triste constatar que todos estão reféns de diálogos simplórios e de conflitos psicológicos de botequim. Assim, temos o padre local (Clancy Brown) que só abre a boca para emitir frases de conscientização, o dono de bar (Sam Rockwell) que tem sérios problemas em sua auto-estima, o delegado (Keith Carradine) incorruptível, e três (!) personagens com daddy issues, ou seja, problemas com os pais. Há ainda a belíssima Olivia Wilde, cuja função na trama o roteiro força para que pareça importante, mas que, no fim, é notória que sua única utilidade é dar um pouco mais de beleza ao cenário seco no qual se passa o filme.

Como era de se esperar, o lado cowboy do filme funciona muito bem. Utilizando-se de forma respeitosa dos cânones do gênero, o diretor Favreau investe numa fotografia de tons quentes – cortesia de Mathew Libatique, o mesmo de Cisne Negro e Homem de Ferro 2 – que privilegia os grandes espaços e as grandes cavalgadas. A trilha sonora de Harry Gregson-Williams também não decepciona, trabalhando de forma equilibrada os temas clássicos do faroeste com as sequencias puras de ação e aventura.

O lado alienígena, por sua vez, traz algumas sacadas interessantes, como o fato das pessoas serem literalmente laçadas pelas naves espaciais, assim como o design das mesmas, que lembram caças antigos, a nave-mãe camuflada entre as rochas e o navio de ponta-cabeça. Já o design dos alienígenas segue a atual cartilha definida por Spielberg em Super 8 e na série Falling Skies: seres que lembram vagamente caranguejos, com uma espécie de exo-esqueleto de onde saem duas mão totalmente disfuncionais, visto que deixam o coração da criatura totalmente exposto. Os efeitos especiais dos alienígenas, por incrível que possa parecer, deixam um pouco a desejar, ficando longe da perfeição vista em, por exemplo, Distrito 9.

Mesmo contando com um roteiro capenga que teima em esquecer informações dadas poucos minutos antes (em certo momento, a personagem de Olivia Wilde diz que os alienígenas não enxergam bem no sol. 5 minutos depois, os alienígenas estão atacando os humanos em plena luz do dia), Jon Favreau ainda consegue entregar  um filme com ótimas cenas de ação e uma dupla de veteranos intérpretes em grande sintonia. Poderia ser um grande filme, justamente por conta da inédita fusão de gêneros a que se propõe. Infelizmente, porém, parece que os produtores – e os roteiristas – acreditaram que somente o conceito original seria suficiente para garantir a qualidade.

É um bom filme. Mas poderia ser bem melhor.

3/5