Lanterna Verde

Estreia esta semana a nova empreitada da DC Comics no cinema:Lanterna Verde, dirigido pelo experiente Martin Campbell, que conta a história do piloto de testes Hal Jordan, que recebe a incumbência de se tornar o herói que irá carregar a bandeira da Tropa dos Lanternas Verde na Terra.

Mesmo com a experiência de Campbell,que já havia revitalizado James Bond com seu excelente Cassino Royale,o filme foi literalmente detonado pela crítica americana, tendo faturado desde sua estreia pouco mais de US$ 115 milhões, que junto com a bilheteria mundial de US$ 60 milhões mal cobre os seus gastos com produção e divulgação. Confiram a crítica neste fim de semana ainda.

 

DC Comics no cinema: várias pedras no meio do caminho

DC Comics no cinema: várias pedras no meio do caminho

Ontem foi a vez da Marvel. Hoje veremos, em pequenos textos, como tem sido a história dos heróis da DC no cinema nos últimos 40 anos.

É fácil perceber que a DC, ao contrário da Marvel, tem em sua história para o cinema poucos filmes muito bons, e um excesso de filmes que não precisavam ter sido feitos. Preparem-se, para o alto e avante!

Superman (1978). O filme que é o marco para os quadrinhos no cinema. Um filme em que tudo dá certo, desde a direção inspirada de Richard Donner, à música eterna de John Williams, o roteiro de Mario Puzo e, é claro, a escolha do intérprete que será para sempre o rosto do Superman (não importa quantos filmes venham a existir no futuro), nosso saudoso Christopher Revee. Clássico e imperdível. 5/5

Superman II (1980). Filmado simultaneamente com o primeiro, esse filme sofreu com a saída de Richard Donner,que foi substituído às pressas por Richard Lester, que adicionou cenas de comédia pastelão e refilmou diversas sequencias, o que quebra o ritmo do filme. Ainda assim, vale a pena pela ótima batalha do Super contra o General Zod.  4/5

Superman III (1983). Transformaram o que era uma aventura em comédia e trouxeram Richard Pryor para fazer piada. Em resumo, foi o que aconteceu neste filme. Totalmente descaracterizado, Superman luta contra um gênio da informática num filme que consegue ser mais datado que o original de 1978. 2/5

Supergirl (1984). Este faz parte dos filmes que você provavelmente nunca viu. A prima do Superman vem para a Terra e acaba enfrentando uma bruxa (isso mesmo) interpretada por Faye Dunaway, obviamente acertando as contas do aluguel. 2/5

O Monstro do Pântano (1982) e O Retorno do Monstro do Pântano (1989). O primeiro foi dirigido por Wes Craven e tinha o seu charme trash de terrorzão dos anos 80. Já o segundo não tem muita salvação, com o monstro namorando a Heather Locklear e lutando contra criaturas deformadas geradas por um cientista louco. Média geral: 2/5

Batman (1989). O filme-evento da década. Nunca o marketing funcionou tanto para um filme. O maior destaque do filme é claramente o Coringa de Jack Nicholson, que rouba todas as cenas. Michael Keaton está inócuo e Kim Basinger apenas chata. Mesmo a direção de Tim Burton está equivocada e totalmente falha para as cenas de ação. Mas ainda é um bom filme, graças ainda ao visual estilizado e ao clima de filme de gângster dos anos 40. 3/5

Batman: O Retorno (1992). Aqui o jogo muda. Tim Burton ainda não sabia dirigir cenas de ação, mas realiza um filme denso, totalmente entregue à fantasia, carregado nas tintas e nas entrelinhas, trazendo ainda  Michelle Pfeiffer como a melhor Mulher-Gato do cinema. E conseguindo fazer do Pinguim de Danny DeVito uma figura não menos que trágica. 4/5

Batman Eternamente (1995). Sai Tim Burton e entra Joel Schumacher. O que era sutil em Burton vira destaque de escola de samba na direção tresloucada de Schumacher. Uma Gotham saída de um pesadelo de neon,dois vilões caricatos e um ajudante de herói que só faz besteira. Mas pelo menos é divertido. Ou, melhor dizendo, inofensivo. 3/5

Batman e Robin (1997). Um filme que afundou a carreira de praticamente todos os envolvidos. Schwarzenegger largou o cinema. Alicia Silverstone e Chris O´Donnel vivem hoje de pontas em seriados da TV. Só George Clooney escapou desta que é não apenas a pior adaptação de quadrinhos de todos os tempos, mas um dos piores filmes de todos os tempos. Sério, o que eles estavam pensando? 1/5

Aço (1997). Outro filme  que merece o ostracismo. Um filme feito com um personagem secundário de quadrinhos que era uma das versões secundárias do Superman surgidas após a saga A Morte do Superman vira, nas mãos de Shaquille O´Neal, um ex-engenheiro do exército americano que decide lutar pela verdade e pela justiça (huãã!) criando uma super-armadura. 1/5

Mulher-Gato (2004). Mais um filme em que tudo sai errado. A pior fantasia de heroína já feita, aliado a uma história rasteira, efeitos de vídeo game quinta categoria e Halle Berry com um sério problema de lordose quando anda. Junte a tudo isso o fato de desvincularem a personagem totalmente da história do Batman, de onde ela se originava e nunca deveria ter saído. O que sobra? Bem pouco. 1/5

Superman – O Retorno (2006). Uma retomada do clássico de Richard Donner, realizada por Brian Singer,o homem responsável por colocar as adaptações da Marvel no caminho. Tudo parecia certo, mas Superman – O Retorno, não conseguiu a empatia necessária com seu público, devido ao excesso de sobriedade e uma inexplicável reverência com o mito do personagem. Para piorar, uma trama lenta, cuja grande cena de ação é o Superman carregando um enorme pedaço de terra para o céu. 3/5

Batman Begins (2005). Após sucessivos fracassos, a DC parecia ter aprendido a lição. Para isso, chamou um diretor de pulso e com uma criatividade visual sem limites, que reiniciou toda a franquia do Batman, resgatando elementos dos quadrinhos e trazendo as cenas de ação para o mundo real. O único porém do filme talvez seja o excesso de cenários digitais, mas até isso o diretor Christopher Nolan corrigiu na sequencia. 4/5

O Cavaleiro das Trevas (2008). A grande sacada de Christopher Nolan foi tratar esse filme não como um filme de super-herói, mas como um filme policial cujo personagem principal é um homem de máscara e cujo inimigo é um homem com o rosto pintado. Definidos esses parâmetros, bastou criar uma história envolvente, cenas de ação impactantes, coadjuvantes com motivações e sentimentos reais e uma trilha sonora (e fotografia, e direção de arte) impecáveis. Parece simples, mas não é. Um grande filme. 5/5

Watchmen (2009). Zack Snider recria para a telona o universo alternativo criado por Alan Moore e Dave Gibbons, num filme extremamente fiel aos quadrinhos e violento na medida certa. Uma ótima adaptação,  que poderia ser ainda melhor se não fosse tão fiel na  tentativa de emular no cinema o formato hermético das 12 edições desse clássico dos quadrinhos. 4/5

Jonah Hex (2010). Um ótimo personagem para um filme muito ruim. Após sessões testes desastrosas, e na tentativa de salvar o que se havia produzido, os produtores foram cortando, reeditando, ajustando e por fim, transformaram o filme num pastiche de história de faroeste com história de terror que acabou ficando com  pouco mais de 80 minutos (incluindo os créditos). Uma pena. 1/5

Há outros filmes baseados em selos alternativos da DC, como o Vertigo , Paradox e Wild Storm. Veja alguns deles.

Do Inferno (2001). A investigação sobre a identidade de Jack,o Estripador gerou um calhamaço de mais de 1000 páginas chamado Do Inferno. Nele, Alan Moore apontava para a maçonaria, a Rainha Vitória e a Scotland Yard como cúmplices do assassino. Até o Homem Elefante participa da história. Resumida para a telona, temos um romance desnecessário de Johnny Depp com Heather Graham, mas ainda uma trama extremamente complexa e um clima de pesadelo que combina perfeitamente com os cenários estilizados da Londres do fim do século XIX. 3/5

Estrada para a Perdição (2002). Dirigido por Sam Mendes, com Tom Hanks e Paul Newman. Conta a história de um assassino cuja família é morta após um de seus filhos testemunhar um crime perpetrado pelo filho de seu chefe. Um filme sensível, com uma reconstituição de época irretocável e uma interpretação emocionante de Paul Newman, num de seus últimos trabalhos. Repare em Daniel Craig fazendo ponta. 4/5

Uma História de Violência (2005). Após matar dois criminosos que invadiram seu café, homem passa a ser perseguido por estranhos que afirmam que ele é um assassino foragido. A narrativa seca e concisa de David Cronenberg encontra em Viggo Mortensen o parceiro perfeito para seu estilo. Espere, como sempre,por cenas inesperadas de violência explícita. 4/5

Constantine (2005). Criado por Alan Moore para uma sequencia de histórias do Monstro do Pântano, o Constantine dos quadrinhos era louro, inglês, tinha a cara do Sting e jamais se envolvia em qualquer conflito físico. Aqui, ele fica moreno, americano, a cara do Keanu Reeves e usa uma metralhadora em forma de cruz. Mas, por incrível que pareça,o filme é até bonzinho. 3/5

V de Vingança (2005). A gigantesca saga de Alan Moore nos quadrinhos é simplificada em uma aventura que consegue manter o tom subversivo da trama, na história do ativista político V e sua luta para derrubar o governo autoritarista que tomou conta da Inglaterra. E tem a Natalie Portman, que sempre vale o ingresso. 3/5

A Liga Extraordinária (2003). Imagine Batman e Robin, o excesso de personagens e uma história atabalhoada. Tire o neon do cenário e  o resultado é este filme. Não que a obra cinematográfica deva respeitar 100% seu original no papel, mas o problema aqui é que o roteirista responsável achou que bastava juntar diversos heróis literários numa mesma sala, dar algumas frases de efeito para Sean Connery e pronto. Não é bem assim que funciona. 2/5

Os Perdedores (2010). Mais um dos filmes de equipes de mercenários que saiu no ano passado, junto com Os Mercenários e Esquadrão Classe A. Aqui, grupo se junta para (como sempre) limpar seu nome e pegar os culpados, capitaneados pela belíssima Zoe Zaldana Nada de mais, nem de menos. 3/5

Red (2010). Se há um mérito nesse filme é juntar um elenco tão talentoso em um filme tão descompromissado. Bruce Willis, John Malkovich e Morgan Freeman se divertem com a história dos agentes aposentados que voltam à carga e mostram que a idade não é nada.  E é sempre bom ver Helen Mirren não fazendo um drama. 3/5