Compilado | Heróis Marvel no Cinema (1982-2012)
Aproveitando a estreia de Vingadores no cinema na próxima semana, confira abaixo um pequeno guia do que é bom, do que é muito bom e do que não se salva nas adaptações dos super-heróis Marvel para o cinema dos últimos 30 anos. Os filmes estão em ordem cronológica.
Crítica: Capitão América
Capitão América, a última investida da Marvel Studios no cinema é, assim como o foram Homem de Ferro 2 e Thor, uma espécie de teaser para o filme Vingadores, que será lançado no ano que vem. Se, por um lado, isso garante filmes com um nível de produção adequado a este tipo de aventura e um universo de atuação coerente, por outro está criando obras sem personalidade, cujas tramas são obrigatoriamente direcionadas ao filme do ano que vem, em detrimento de um desenvolvimento melhor e mais ousadia com seus personagens.
Dirigido pelo experiente Joe Johnston – um dos pioneiros da Industrial Light and Magic, que trabalhou diretamente nos primeiros Star Wars e nos filmes de Indiana Jones e que já havia dirigido bons filmes como Rocketter, Jurassic Park 3 e Jumanji – o filme conta a história do franzino Steve Rogers ( Chris Evans) e sua luta para se alistar no Exército Americano, em plena 2ª Guerra Mundial.
Como todo filme de origem, a primeira parte acaba sendo muito mais interessante do que o restante do filme. Por meio de efeitos especiais não menos que perfeitos, Chris Evans é retratado neste início como uma rapaz baixinho e fracote que é constantemente agredido por todo tipo de valentão. Após um encontro com o cientista Abraham Erskine (Stanley Tucci), Rogers é convocado para participar de uma experiência científica que o transformará no super-soldado conhecido como Capitão América. Como símbolo vivo dos Estados Unidos, nosso herói terá que enfrentar o terrível vilão Johann Schimidt, também conhecido como Caveira Vermelha.
A reconstituição de época é notável, e as cenas fotografadas por de Shelly Johnson parece tiradas diretamente da série Marvels, famosa por retratar os heróis da editora homônima em sua gênese. Como parte do mesmo universo cinematográfico, o filme traz diversas citações aos filmes já produzidos, trazendo inclusive a figura de Howard Stark (Dominic Cooper), o pai de nosso querido Tony Stark , em participação bastante importante na trama, explicando diversos pontos vistos no filme do herói metálico.
O roteiro trabalha de forma inteligente as primeiras funções do Capitão América – atuando como garoto-propaganda do exército para angariar bônus de guerras – e a origem de seu uniforme ufanista. Infelizmente essa inteligência vai se perdendo ao longo do filme, especialmente quando trata do vilão Caveira Vermelha, interpretado de forma pouco inspirada por Hugo Weaving. Como nas piores histórias dos quadrinhos dos anos 50 e 60, o vilão aqui quer, como sempre, dominar o mundo, embora nunca fique muito claro como ele pretende fazer isso. E pior ainda: o Caveira de Weaving é o típico vilão displicente, fugindo e abandonando seus comparsas sem rosto ao menor sinal de perigo. Numa prova de que não sabe exatamente o que fazer, ele chega a reclamar que o Capitão América está destruindo todas as suas fábricas de armas, sem sequer se preocupar em mudar ou esvaziar suas instalações antes que o herói chegue nelas.
As cenas de ações dirigidas por Johnston também caracterizam-se por uma burocracia latente, parecendo que existem somente para ocupar espaço na trama. Há uma luta em um trem que poderia render um grande momento que dura pouco mais de 5 minutos, servindo apenas para se livrar de um personagem que poderia vir a ser interessante, se o roteiro fosse menos preguiçoso.O elenco conta ainda com a bela Hayley Atwell, como Peggy Carter, o interesse romântico do herói, e com Toby Jones como Arnin Zola, outro vilão tradicional do universo Marvel, também pouco aproveitado na trama. Há ainda um grupo formado por Rogers para suas missões, tirado diretamente das histórias em quadrinhos, cujo efeito é apenas de curiosidade.
Efetivamente, os únicos dois personagens pelos quais nos interessamos na história são o próprio Steve Rogers e o Coronel Chester Phillips, interpretado por Tommy Lee Jones. Longe da canastrice do Tocha Humana, Evans consegue passar de forma sincera seu desejo de participar do esforço de guerra, e seu bom mocismo nunca transparece como uma patriotada exagerada – embora a trilha triunfalista de Alan Silvestri tente a todo custo estragar isso. Já Tommy Lee Jones consegue transformar o papel clichê do militar durão com coração de ouro em algo autêntico e realista.
Mesmo com estes problemas, Capitão América poderia ser um divertido filme de ação – com citações a filmes como Caçadores da Arca Perdida e a sempre aguardada aparição de Stan Lee – se não fizesse parte de um projeto muito maior, que é a saga Vingadores. Isso leva o filme a uma conclusão abrupta extremamente forçada, deixando boa parte do filme em aberto e reduzindo o papel do Capitão América no conflito mundial a uma única ação militar de resultado duvidoso. Perde-se, ainda, a oportunidade de aproveitar e desenvolver novas tramas no universo visual e tematicamente mais arrebatador da 2ª Guerra Mundial.
Como sempre, após os créditos do filme há uma cena adicional com o primeiro teaser do filme dos Vingadores, no qual podemos (re)ver os personagens do Thor, Homem de Ferro, Gavião Arqueiro e Viúva Negra. Agora, é esperar o ano que vem para ver se estas interferências valeram a pena.
3/5


