Crítica | Sherlock Holmes – O Jogo de Sombras
Não há como evitar comparações entre Sherlock Holmes – O Jogo de Sombras e a série Sherlock, atualmente em exibição pela BBC inglesa. Embora com conceitos e propostas totalmente diversas entre si, fica claro que, enquanto o Sherlock da televisão é uma das personificações mais perfeitas do detetive criado por Sir Arthur Conan Doyle, a versão de Guy Ritchie não aspira tal ambição, visando a ser um competente filme de aventura com direito a muito humor, explosões, correrias e um protagonista carismático. E nada mais do que isso. Não que isso seja um problema. Muito pelo contrário.
Crítica | A Dançarina e o Ladrão
Lançado originalmente em 2009, finalmente chega ao Brasil o simpático filme A Dançarina e o Ladrão, dirigido por Fernando Trueba. Candidato da Espanha ao Oscar 2010 de Melhor Filme em Língua Estrangeira, A Dançarina e o Ladrão apresenta em sua narrativa todos os elementos considerados essenciais em uma premiação, como uma história com um contexto político, um amor impossível, uma mensagem edificante sobre redenção, perdão e sacrifício, algumas metáforas que qualquer espectador é capaz de perceber (e de compreender) e um ator de talento indiscutível como protagonista. O problema, porém, é justamente este: no desejo constante de criar uma obra supostamente profunda e (ao mesmo tempo) acessível, o diretor Trueba entrega um filme irregular, em que as partes evidentemente inspiradas e de caráter emocional autêntico não conseguem se unir de forma coerente para um resultado satisfatório.
Crítica | Piratas Pirados!
Em determinado momento do delicioso Piratas Pirados!, a mais nova produção da produtora inglesa Aardman – a mesma de Operção Presente e Fuga das Galinhas – vemos a escritora Jane Austen passeando por uma Londres do século XIX de braços dados com Joseph Merrick, o Homem Elefante. Esse inusitado e cronologicamente inviável encontro apenas comprova que os criadores de Wallace e Gromit são dos poucos profissionais de animação capazes de encantar os adultos por conta de referências efetivamente inteligentes e fascinar as crianças com personagens carismáticos e uma dose sem fim de criatividade e alegria.
Crítica | Flor da Neve e o Leque Secreto
Embora trate de sentimentos fortes e autênticos, não há como negar que exista uma complicada artificialidade na maneira como o filme Flor da Neve e o Leque Secreto apresenta a relação existente entre as jovens Nina e Sophia, cuja história é passada na Xangai dos dias atuais e entre Flor da Neve e Lírio, ambientada em meados do século XIX. Baseado no livro homônimo escrito por Lisa See, Flor da Neve e o Leque Secreto é dirigido pelo cineasta chinês, radicado há mais de 30 anos nos EUA, Wayne Wang, de Cortina de Fumaça e O Clube da Felicidade e da Sorte.
Sob certos aspectos, e embora o filme descreva com certa sensibilidade as situações vividas pelas mulheres chinesas dentro de uma sociedade patriarcal e conservadora, é visível que o diretor Wang há muito tornou-se um estranho em sua terra, e o resultado disso é um filme plasticamente belo e de produção irretocável, mas irremediavelmente vazio em sua realização.
Crítica | Sete Dias com Marilyn
Que fique claro. Sete Dias com Marilyn não é uma biografia da estrela norte-americana falecida em em 1962. Trata-se, com propriedade, de um recorte de um período da vida de Marilyn – mais especificamente, quando voou para Londres para as filmagens de O Príncipe Encantado, em 1957. O que temos de Marilyn é o ponto de vista do jovem Colin Clark, cujo relacionamento com a estrela foi posteriormente revelado no livro Minha Semana com Marilyn, no qual se baseia o filme dirigido por Simon Curtis. Protagonizado por Michelle Williams, o filme, apesar do tom francamente romântico, não traçar um retrato muito favorável da instável – e adorável – estrela. Talvez, por isso mesmo, resulte em um experiência que, se é memorável pela atuação assombrosa de Willams, deixa um estranho gosto amargo na boca ao fim de sua projeção.
Crítica | Um Conto Chinês
É uma dúvida que todos têm: será que os fatos e situações ocorridos em nossas vidas têm algum objetivo ou eles apenas acontecem? Será que as coincidências existem ou não? Esta é a pergunta que Roberto (Ricardo Darín), o dono de uma loja de ferragens, se faz ao encontrar, por acaso, o jovem chinês Jun (Ignacio Huang), que chega à Argentina em busca de seu tio sem falar sequer uma palavra em espanhol. Sem contar com a ajuda de ninguém – sequer de sua embaixada – Jun acaba por se abrigar na casa de Roberto enquanto não resolve sua situação.
Crítica | A Perseguição
Desde a morte de sua esposa Natasha Richardon num estúpido acidente em uma pista de esqui, Liam Neeson parece ter buscado nos filmes de ação uma forma de catarse em relação a esta inesperada tragédia. A partir de 2009, Neeson deixou de lado papéis mais dramáticos e investiu em obras ligeiras como Fúria de Titãs, Esquadrão Classe A e Desconhecido. Se não são filmes memoráveis, pelo menos estão ainda longe do padrão Nicolas Cage de qualidade. Agora, Neeson retoma a parceria com o diretor Joe Carnahan neste curioso A Perseguição que, se não apresenta nenhuma novidade em termos de roteiro ou direção, tem qualidades suficientes para entreter o espectador sem ofender a sua inteligência – o que sempre é bem-vindo.
Crítica | Xingu
Quando resolveram participar da Marcha para o Oeste, promovida pelo governo de Getúlio Vargas, os irmãos Cláudio (João Miguel) e Leonardo Villas-Bôas (Caio Blat) tinham como objetivo apenas se aventurar por uma parte do Brasil – mesmo em meados do século XX – ainda desconhecida. Um desejo juvenil de se embrenhar por um território novo e inóspito.
Crítica | 12 Horas
Heitor Dhalia é um diretor que sabe como poucos perscrutar os sentimentos mais íntimos de seus personagens, como visto nos recentes O Cheiro do Ralo e À Deriva. Que essa característica tenha desaparecido por completo em sua estreia em Hollywood é um sinal de que algo desandou durante a produção. Estrelado pela sempre estranha Amanda Seyfried, 12 Horas é um suposto thriller de suspense que não funciona de modo satisfatório em nenhum aspecto, soando como uma obra impessoal e, pior ainda, totalmente esquecível.

