Séries | Dexter 6×02 – “Once upon a time …”
<SPOILER SPOILER SPOILER – Só leia se já viu o episódio>
O segundo episódio da série com nosso serial killer preferido apresentou como tema principal não apenas a óbvia questão do pastor e de suas ovelhas, mas também da relação do criador com a criatura. Investindo de vez no cunho bíblico – que deve continuar ao longo de toda temporada – os roteiristas, desta vez, deram um pouco mais de espaço à dupla de assassinos do apocalipse (bom nome esse) e definiram algumas mudanças que serão fundamentais para o desenrolar da trama nos próximos meses.
Traçando um inteligente paralelo entre os rituais de Dexter como pai e como assassino, a série vai nos deixando cada vez mais curiosos em dissecar (no bom sentido) o que se passa em sua mente, que ao mesmo tempo em que utiliza suas experiências reais para criar histórias de monstros na hora do sono do pequeno Harrison, preocupa-se em caçar os monstros lá de fora, ciente, porém, de que também é um deles. Um predador. Michael C. Hall demonstra, assim como no episódio anterior, como sua construção de personagem vai além da simples interpretação e do olhar: reparem em seus movimento quando é atacado pelo cão, sempre a frente e jamais se permitindo a não ver o inimigo.
Neste ponto, o papel do pastor interpretado por Mos Def cria um genuíno conflito para Dexter: é possível acreditar na completa redenção do ser humano ou sempre haverá um lado obscuro que o impulsiona para o mal? É fácil enxergar em Dexter uma certa admiração ao descobrir que o pastor realmente preocupa-se com suas ovelhas, um criador piedoso que cuida de suas criaturas.
Outro ponto importante do episódio foi a (nem tanto) surpreendente decisão do comissário Mathews em promover Deb como a nova tenente do departamento. Deb, aliás, enfrentou neste episódio pelo menos duas decisões extremamente importantes para sua vida, lidando com cada uma de maneira diferente. Enquanto o novo cargo lhe parecia um desafio possível de ser vencido, a proposta de casamento feita por Quinn soou-lhe como uma barreira intransponível, com sua decisão baseada claramente em seu passado como ‘chave de cemitério’. Ainda assim, é belíssima a evolução não apenas de Jennifer Carpenter como atriz, mas também de sua personagem Deb, quase sempre subestimada por LaGuerta e que foi, aos poucos, ganhando a confiança de seus colegas e sempre demonstrando um olhar atento para detalhes. Aqui, alguns conflitos se delineiam: com Batista, usualmente prejudicado por conta de seu relacionamento com LaGuerta; com Quinn, agora seu subordinado e, principalmente, com Dexter, que (por sorte e por ajuda dos roteiristas) sempre escapou de seu radar.
O tema do pastor/criador, enfim, permeou também a relação entre Edward James Olmos e Colin Hanks, com o ‘mestre’ cobrando a entrega total de seu discípulo, em meio a estranhos rituais com pedaços de manequins e uma igreja decrépita e assustadora. Ao contrário da trágica temporada anterior, os roteiristas agora estão trabalhando o suspense de forma mais orgânica, deixando-nos totalmente às escuras quanto às intenções da dupla.
E, assim, Dexter termina o episódio como começara, com seu ritual diário de brincar com seu filho. O criador de alma obscura com sua criatura inocente. O pastor com sua pequena ovelha. Só que, desta vez, a história de dormir não é a sua, mas do lobo e dos três porquinhos. Infelizmente, lobos também vestem peles de cordeiro.
P.S 1: o fantasma do Morgan pai não aparece mais com iluminação diferente ou com foco suavizado. Isso significa que Dexter já não o considera como uma figura tão importante em sua vida?
P.S. 2: arranjaram a melhor estagiária possível para o Masuka. E ela já percebeu que ele gosta de ‘olhar’.
American Horror Story – Pilot
A nova série do criador de Nip/Tuck, Ryan Murphy, produzida pela FOX, consegue a façanha de apresentar, em um único episódio de 50 minutos, (SPOILERS) todos os clichês possíveis de filmes de terror, a saber: o casal em crise, a filha revoltada, a tragédia familiar, a governanta misteriosa, a casa de estilo gótico, a vizinha com a filha que tem problemas mentais que diz para todo mundo “você vai morrer”, o homem com a metade do rosto queimado, palhaços do mal, gêmeos fantasmas, vidros com partes de corpos em conserva, um garoto psicopata, quadros com imagens perturbadoras, ex-donos da casa que se sucidaram, armários cujas portas se abrem sozinhas, tudo isso regado por uma trilha sonora saída direta de Um Corpo que Cai.
Mas sabe que, no fundo, eu até gostei?
Criatividade na Telinha
Há um consenso geral na indústria do entretenimento que a criatividade anda cada vez mais em baixa nas produções cinematográficas. Se, por um lado, no cinema a situação está ligeiramente medíocre, o mesmo não pode ser dito das produções para a televisão. É notório que a inteligência e a imaginação, com raríssimas exceções, migraram para a telinha. Quem busca um entretenimento de qualidade, aliado a bons roteiros, boas idéias e excelentes atores encontra nas séries de TV uma ótima pedida. Vamos analisar agora cinco das mais importantes séries da atualidade, que podem ser vistas tanto pelos canais fechados como encontrados nas mais diversas locadoras. Destas,somente Damages já finalizou sua temporada (ainda inédita no Brasil). Todas as outras voltam nos próximos dias.
DEXTER – Uma das séries mais inovadoras dos últimos anos, Dexter conta a história de um serial killer que trabalha para a polícia de Miami e que se aproveita de todo o conhecimento obtido nas investigações para matar… serial killers. Com uma interpretação magistral e premiada de Michael C. Hall, Dexter parte de um conceito incomum para criar uma narrativa rica em sutilezas e aprofundamento psicológico, mas que não se furta às cenas de sexo e violência. Sempre com uma trama completa em seus 12 episódios por temporada, Dexter já está indo para o seu sexto ano, com a promessa de recuperar seu prestígio, abalado após uma 5ª temporada fraquinha.
DAMAGES – Contando com uma interessante estrutura de flashforward (você vê a conclusão da história, e depois retorna dois ou três meses no passado para ver como se chegou àqueles acontecimentos), Damages tem uma das personagens mais ricas e interessantes dos seriados da área judicial americana: a advogada Patty Hewes, interpretada com gana pela veterana Glenn Close. Disposta a jamais perder um caso, a personagem de Close não mede limites para alcançar seus objetivos, cujas conseqüências são quase sempre trágicas. A quarta temporada terminou esta semana nos Estados Unidos, mas é certo que a advogada mais odiada e admirada da televisão fique mais alguns anos na telinha.
FRINGE – Considerada em seu início como uma nova versão de Arquivo X, Fringe não tinha muito o que dizer de contrário. Vejamos: dois agentes de uma divisão desconhecida investigam casos bizarros envolvendo fenômenos paranormais, mutações genéticas e conspirações governamentais. Toda a primeira temporada, calcada no formato de monstro da semana colaborava para esse estigma. A partir da 2ª temporada, porém, Fringe enveredou por uma trama que envolvia viagens no tempo e realidades paralelas, com um arco narrativo que lhe permitiu ampliar de forma inimaginável e brilhante o escopo de seu universo. A quarta temporada começa agora em setembro.
COMMUNITY – Fugindo do esquema clássico da sitcom (o tipo de comédia rodada com público e com as famosas claques de risadas), Community conta a história de um grupo de estudantes que frequentam uma universidade comunitária em busca de um diploma fácil, rápido e barato. Ao contrário da maioria das séries, não há uma estrutura definida para os episódios. Assim, nas duas últimas temporadas o público foi brindado com episódios que referenciavam filmes de zumbis, faroestes, documentários, filmes de animação em massinha, ficções científicas, Pulp Fiction, filmes de guerra e até episódios descaradamente de baixo orçamento, quando toda a história se passa numa sala de reunião.
HOUSE – Embora o doutor já não tenha o mesmo charme de antes, House ainda é uma série que vale a pena acompanhar. Partindo para sua 8ª temporada, House agora terá de lidar com a evasão de parte do elenco principal – cujo maior falta será a médica Lisa Cuddy - e um período atrás das grades (resultado do último episódio da 7ª temporada). O sucesso de House o público deve-se, principalmente, à interpretação pontual e exata de Hugh Laurie que – pouca gente sabe – era um comediante de mão cheia nos anos 70 e 80 na Inglaterra. Contando com uma estrutura narrativa de poucas surpresas, House tem sempre grandes inícios e grandes fins de temporada, mas um miolo que às vezes não funciona. Mas, em 24 episódios por temporada, você pode perdoar alguns deslizes.
Top 10 Séries dos anos 90 em 10 segundos
Continuando nossa sessão flashback, e agora com flashback mesmo, vamos às 10 séries que eu considero as mais importantes dos anos 90. É claro que alguém vai dizer que falta essa ou aquela, mas lista é pra isso mesmo. Ao contrário das séries da atualidade, que se destacaram por trabalharem principalmente com o drama, você vai perceber que nos anos 90 o que mandava era o humor mesmo.
Então aqui vão as 10 mais dos anos 90, em sinopses concisas, mas nem um pouco objetivas.
Seinfeld – a série criada por Larry David e Jerry Seinfeld não era apenas a mais engraçada de sua época como é uma das séries mais bem sucedidas de todos os tempos. Diálogos afiados, elenco afinado, humor sarcástico e roteiros que beiram a genialidade. O final foi chocho, mas dá pra perdoar com folga.
Arquivo X – dupla de agentes de personalidades diferentes investigam diversos casos bizarros e fantásticos. Mulder e Scully levaram mihões de pessoas a perguntar se a verdade estava realmente lá fora. Lá pela 5a temporada, David Duchovny cansou de usar sobretudo e resolveu ir para a Califórnia. Ao invés de terminarem a série, prolongaram o sofrimento por mais três temporadas, acabando a série de forma constrangedora. Mas as 5 primeiras temporadas garantem medalha de prata.
Friends – enquanto a série de Larry David investia num humor sacana e auto-referente, Friends fazia o lado mais família. Em resumo: três amigos e três amigas que não timham muito o que fazer passam o dia no apartamento da Mônica e volta e meia saem para se divertir. Como na vida real, todo mundo acaba ficando com todo mundo na história, mas no maior respeito. Tá, nem tanto como na vida real.
Twin Peaks – antes de ficar muito (mais) doidão, David Lynch criou essa série que até hoje influencia meio mundo na televisão, como o próprio Arquivo X a recente The Killing. A pergunta principal era saber quem havia matado Laura Palmer, caso investigado pelo agente Cooper, que se relaciona com uma galeria de personagens bizarros, um anão que fala ao contrário e um espírito-que-anda. Quando passou na Globo, os cortes feitos de última hora deixaram a história sem conclusão. Por isso que até hoje ninguém sabe ao certo quem realmente matou Laura Palmer.
Absolutely Fabulous- praticamente desconhecida no Brasil, essa série inglesa é simplesmente hilária, contando a história de duas amigas dos tempos de colégio cuja vida se resume a se embriagar, se drogar, fumar, transar, dormir e falar mal dos outros, sempre supervisionadas pela filha de uma delas, uma menina certinha e careta que não sabe o que está fazendo ali. Jennifer Saunders (a fada madrinha de Shrek 2) e Joanna Lumley, quase cinquentonas, deixam Mr. Bean no chinelo.
Will and Grace – se há séries em que os coadjuvantes roubam o show, Will and Grace é uma delas. Megan Mullaly, como Karen e Sean Hayes como Jack roubam todas as cenas das quais participam. Em resumo, advogado gay (o Will) mora com decoradora solteirona (a Grace) e tem como amigos um ator fracassado e uma milionária fora da casinha.
Lei e Ordem – criando uma estrutura inédita, na qual a primeira metade do episódio cuida da investigação, enquanto a segunda metade, com elenco totalmente diferente, cuida do processo judicial, Lei e Ordem é a série responsável por exterminar todos os filmes de julgamentos que faziam tanto sucesso antigamente no cinema. Com roteiros complexos e adultos, Lei e Ordem durou mais de 20 anos e ainda deu origem a diversos spin-offs, sendo Lei e Ordem: SVU a melhor delas.
Barrados no Baile – Brandon, Brenda, Kelly, Dylan, Andrea e Steve, entre outros. Aquela musiquinha do Oingo Boingo e o título mais imbecil que a Globo poderia escolher para uma série. E com tudo isso, Barrados no Baile, ou 90210 para os íntimos, ainda é uma das lembranças mais vivas na cabeça de todos os que passavam os sábados a tarde em casa naquela época (só não lembro se era antes ou depois do Cassino do Chacrinha).
Um amor de família – aqui não tem muito o que dizer. Era o Al Bundy, o cara com quem todo mundo se identificava e o amigo que você queria ter pra conversar em qualquer hora. E ainda tinha a esposa com aquele cabeção e a Cristina Applegate novinha fazendo a filha de cérebro desacelerado. Essencial para entender a vida a dois.
Baywatch – O seriado tinha a Palema Anderson, a Erika Eleniak e a Yasmine Bleeth. E tinha o David Hasselhoff. E a única coisa que você ficava esperando era a famigerada hora em que alguém finalmente se afogava para ver as salva-vidas correndo em câmera beeeeeem lenta, que era para você poder conferir o poder de interpretação das moçoilas. Não lembro de nenhuma história em especial, mas, precisava de história ainda??
Top 10 Séries da Atualidade em 10 segundos
Aproveitando a velha mania de montar listas que todo mundo tem, e inspirado pelo site www.seriemaniacos.com.br , que recentemente publicou sua lista das 10 melhores séries da atualidade, aqui vai a minha lista, feita extremamente às pressas. Confira as sinopses mais dos que resumidas das séries mais importantes do atualidade, mesmo que já tenham acabado.
THE SOPRANOS – mafioso tem síndrome do pânico por conta da família problemática e passa 6 temporadas se consultando com uma psicóloga para ver se resolve seus problemas. Na conclusão da série, Journey manda um Don’t Stop Believing e ninguém acredita que a série terminou daquele jeito.
DEXTER – serial killer trabalha para a polícia de Miami e vive atrás de outros serial killers para se divertir. No meio da temporada, alguém sempre descobre o segredo de nosso anti-herói, mas não há com que se preocupar, porque este alguém sempre vai morrer, assim como os namorados da irmã postiça.
A SETE PALMOS – família que tem uma funerária sofre com a morte do patriarca. Na falta de ter com quem conversar, dialogam com os mortos, mas só em pensamento. Na conclusão da série, todo mundo eventualmente acaba morrendo, mas, afinal de contas, o que é a vida senão um caminho para o cemitério?
BATTLESTAR GALACTICA – sobreviventes da raça humana fogem de seus algozes robôs numa nave gigante chamada Galactica. O problema é que os robôs agora também parecem gente. Ou seja, ninguém confia em ninguém. Lá pelo meio do seriado rola um All Along the Watchtower e eles encontram o planeta Terra, apenas para descobrir que aquela Terra não era bem a Terra. Depois eles descobrem outra Terra e também que os robôs não eram tão maus quanto se imaginava.
DAMAGES – advogada recém formada vai trabalhar com a Glenn Close e sofre nas mãos da Cruela Cruel. Seis meses depois, alguém sempre morre, mas você sabe disso logo no primeiro episódio de cada temporada, e fica tentando descobrir como isso aconteceu.
LOST – avião cai numa ilha deserta e os sobreviventes são atacados por um monstro de fumaça que na verdade era o irmão mau do Jacob, que no fundo apenas queria alguém pra ficar em seu lugar. No fim, todo mundo se encontra numa Igreja, vão para a luz e você fica perguntando: mas e a caverna, e o números, e as viagens no tempo, e a bomba que estourou, e a ilha no fundo do mar ???
FRINGE – dupla de agentes investiga fenômenos paranormais. Não, não é Arquivo X, mas é bem parecido. A diferença é que ao invés de óleo negro e ovnis, aqui temos universos paralelos e viagens no tempo. Não, também não é Lost, mas é bem parecido.
COMMUNITY – colegas estudantes de uma universidade comunitária se encontram na sala de estudos para conversar e trocar ideias, enquanto os roteiristas ficam pensando em quantas citações e homenagens ao universo pop eles poderão inserir em um único episódio. Ah, e tem o Ken Jeong, o chinês loucão de Se Beber não case.
HOUSE – o pai do Stuart Little resolver trabalhar como médico e infernizar a vida de todos a seu redor. Após escolherem os piores tratamentos possíveis e fazer todos os pacientes praticamente tossirem os pulmões para fora e serem diagnosticados com lúpus, a equipe fica apenas aguardando os 36 minutos do episódio, que é quando House tem a epifania de sempre e descobre a cura do paciente.
24 HORAS – agente do governo com sérios problemas mentais tem 24 horas para resolver os casos mais escabrosos, enquanto o RH da Central Anti Terrorismo só contrata espiões, traidores e assassinos. A cada temporada Jack Bauer elimina cerca de 50 pessoas, enquanto umas duas ou três bombas atômicas explodem nos EUA sem afetar quase nada do comportamento das pessoas.





